terça-feira, 16 de dezembro de 2008

SOLIDARIZE


Jogue seu ego no lixo!
Solidarize, solidarize

Jogue no lixo
O seu racismo
Seu individualismo
A sua homofobia

Solidarize, solidarize

Tire do lixo
O seu amor
A sua verdade
A sua alegria

Solidarize, solidarize

Solidariedade, solidariedade
Não é só uma palavra
Não é uma palavra morta
Identifique, proclame, pratique

Solidariedade, solidariedade
Não é só uma palavra
Não é uma palavra morta
Identifique, traduza e multiplique

Solidarize, solidarize

Solidariedade
Solidariedad
Solidarité
Solidarity
Solidariät
Solidarietá...

Jogue seu ego no lixo



( Tânia Rodrigues )

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma das cenas do ano!

Sarau Eletrônico publica entrevista com a escritora Urda Alice Klueger

Urda Alice Klueger nasceu em Blumenau, cidade onde construiu sua carreira literária. Historiadora graduada e pós-graduada na Universidade Regional de Blumenau, é autora de quase vinte livros entre romances, crônicas, relatos de viagens e literatura infanto-juvenil, dos quais se destacam: “Verde Vale” (1979), “No Tempo das Tangerinas” (1983), “Cruzeiros do Sul” (1992), “Entre Condores e Lhamas” (1999), “No Tempo da Bolacha Maria” (2002) e “Sambaqui” (2008).
Militante dos movimentos sociais, Urda atua ainda como editora, cronista e vivenciou ativamente a história cultural do Vale do Itajaí nas últimas três décadas. Pesquisa também a arqueologia do litoral de Santa Catarina.
Nesta entrevista, concedida ao Sarau Eletrônico em novembro de 2008, a escritora fala, entre outros assuntos, sobre sua infância, sua obra, sua história de vida e sobre sua passagem por grandes veículos da imprensa escrita catarinense.
O endereço do site é www.bc.furb.br/saraueletronico

sábado, 13 de dezembro de 2008


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Curso Básico de Fotografia
Local: Sede do Foto Clube Santa Catarina - Blumenau
Início dia 12 de Março de 2oo9
Vagas Limitadas
Valor: R$ 200
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...Conteúdos / Horários / Inscrições...



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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Deliberações Setorial Artes Cênicas - 3a Conferência de Cultura

A 3a Conferência Municipal de Cultura de Blumenau terminou pela metade, em virtude das fortes chuvas daquele sábado, véspera de tragédia. Ainda assim, aconteceram discussões, os grupos se reuniram e apresentaram propostas. Eis aqui as percepções e propostas da Setorial Artes Cênicas, da qual participei e fui um dos relatores.

Senhores gestores;
Conselheiros de Cultura;
Artistas e produtores culturais;

Algumas percepções da Setorial “Artes Cênicas” sobre o processo de Conferência:

• A Conferência Municipal de Cultura deve ser a norteadora das políticas e ações culturais em Blumenau;

• As discussões sobre política cultural não devem ficar restritas ao espaço-tempo de uma Conferência. Esses debates devem ter seqüência durante o ano inteiro, articulando artistas, produtores culturais, conselheiros municipais, empresários e poder público;

• A comunicação entre artistas, produtores culturais e conselheiros de cultura deve ser permanente e os avisos e convites feitos com antecedência;

• Entendemos que o atual processo que organiza a Conferência Municipal de Cultura é falho ao restringir todos os debates a um único dia. Propomos um novo modelo para a Conferência: quando de uma palestra de abertura, opcional e realizada na sexta a noite; o sábado, manhã e tarde, deve ser destinado aos debates dos grupos e a noite culminar com uma festa multicultural e o domingo, plenária final e deliberações.

• Propomos a organização de quatro grupos de trabalho para a 4ª Conferência Municipal de Cultura: a) Política Cultural; b) Gestão Pública de Cultura; c) Cultura e Pensamento e; d) Economia da Cultura, em consonância com os debates nacionais e motivando os participantes a pensar política cultural numa lógica coletiva.


Propostas da setorial “Artes Cênicas” para 3ª Conferência Municipal de Cultura- 2008.

1. Aumento dos valores do repasse ao Fundo Municipal de Cultura.
Agente: Artistas locais / Câmara de Vereadores / Conselho Municipal de Cultura.

2. Apoio para a pesquisa e produção dramaturgica e cênica através do lançamento de Edital Temático Artes Cênicas, contemplando, também, oficinas e workshops.
Agente: Artistas Locais/ Câmara de Vereadores/ Conselho Municipal de Cultura/ Fundação Cultural de Blumenau.

3. Criação da Lei Municipal de Fomento às Artes Cênicas.
Agente: Grupos teatrais de Blumenau / Câmara de Vereadores/ Conselho Municipal de Cultura.

4. Realização de circuitos de apresentações teatrais nas comunidades blumenauenses, utilizando os espaços físicos já existentes, em parceria com os grupos de teatro da cidade, a exemplo da Temporada Blumenauense de Teatro;
Agentes: Fundação Cultural de Blumenau/ Grupos de teatro de Blumenau.

5. Contribuir com a captação de recursos para a Temporada Blumenauense de Teatro;
Agente: Fundação Cultural de Blumenau.

6. Adequação físico-estrutural da sala Carlos Jardim;
Agentes: Fundação Cultural de Blumenau.

7. Revisão do organograma da Fundação Cultural de Blumenau a fim de instituir critérios para a indicação dos gestores culturais, a partir de competências e afinidade com a área cultural;
Agentes: Artistas locais/ Conselho Municipal de Cultura/ Câmara de Vereadores/ Gabinete do Prefeito.

8. Divulgação das reuniões do Conselho Municipal de Cultura no Roteiro Cultural de Blumenau;
Agente: Conselho Municipal de Blumenau/ Fundação Cultural de Blumenau

9. Realização da 4ª Conferência Municipal de Cultura no mês de setembro de 2009, contando com dois dias de debates e organizada a partir dos seguintes grupos de trabalho; Política Cultural; Gestão Pública de Cultura; Cultura e Pensamento; Economia da Cultura.
Agente: Conselho Municipal de Cultura


Abraços e firmes para o próximo ano!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Fundação Cultural abre novas exposições

A Fundação Cultural de Blumenau convida a comunidade para visitar, a partir desta quarta-feira, 10, as exposições Caminho Inverso, de Clóvis Truppel, no MAB, Felipe Lobe, com Ser, fazer e ter, na Galeria Municipal de Arte, artistas da Bluap - com a mostra Identidades, na Sala Especial do MAB, cartazes do Cinearte - Retrospectiva 2008 – curadoria de Herbert Holetz, na Galeria do Papel, e a exposição Fotoelétrica, de Alexandre Venera e Charles Steuck, na Sala Elke Hering. As mostras estarão abertas à visitação pública de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 13h30min às 17h30min; sábados, domingos e feriados, das 10 às 16 horas. A entrada é gratuita e a Fundação Cultural fica na Rua Quinze de Novembro, 161. Visitação até fevereiro de 2009.

A fase atual de Clóvis Truppel continua dentro de sua linguagem figurativa. Neste trabalho, coincidentemente, algumas das obras são chamadas de geografia fracto-facial, imagens desconstruídas, que em sua essência ainda contém na imagética os traços que identificam sua origem, ou seja, o rosto da pessoa retratada. É uma exposição onde permanecem seus traços um pouco alheios à estética comum; pessoas que estão ligadas direta ou indiretamente à sua trajetória são retratadas principalmente por seu apelo estético-figurativo, importância na vida particular do artista e ou em suas áreas de atuação. Estas obras, todas de beleza singular, foram criadas virtualmente com os recursos da moderna tecnologia, computadores, mesa digitalizadora, softwares de manipulação de imagens, filtros e outros recursos gráficos e que são materializadas por Clóvis Truppel com toda a beleza pictórica proporcionada por estes recursos.

Iniciando sua carreira em 2001, o artista plástico Felipe Lobe adquiriu o gosto pela pintura de seu antepassado, o expressionista alemão Frederico Guilherme Lobe. As obras de Felipe ampliam conceitos que exploram o expressionismo de forma inovadora. Se destacam nos mais variados formatos visuais, sempre explorando novas técnicas e materiais diferentes, criando uma própria identidade em suas obras. Desenvolveu ao longo desses anos diversos trabalhos e projetos, com destaque para o Clube da Arte Felipe Lobe, a obra premiada "Na Cadeira", no Salão do Jovem Artista da RBS 2008, a Mostra Catarinense de Arte Indaial 2008, Pretexto Sesc 2008, em Blumenau, entre outros.

A exposição coletiva da Bluap, que acontece na Sala Especial do MAB, tem como proposta ampliar as reflexões sobre "Identidades". Formas de identidades pessoais e coletivas que apesar de serem muitas vezes contraditórias, acabam se cruzando, podendo até se completar. Participam da mostra, vinte e nove artistas associados, explorando possibilidades de compreensão das representações das obras apresentadas.

Exposição Fotoelétrica

Alexandre Venera e Charles Steuck ocupam a Sala Elke Hering da Fundação Cultural de Blumenau com a mostra Fotoelétrica, onde podem ser conferidos trabalhos de pesquisa e experimentações impulsionados e conduzidos na eletricidade. Venera desde 2000 vem produzindo uma série de trabalhos em multimídia. Charles explora novos suportes para a fotografia.

Fontes: Reynaldo Pfau (Diretor do MAB) 3326 6596 e 9927 5760.
Jornalista: Marilí Martendal – MTb/SC 00694 JP. 3326 8124 e 9943 0235.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

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UM BLOG DE ANGOLA:
* COM MUSIQUINHA
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onde pode-se encontrar, por exemplo, esta critica literária:
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Treze poetas de Angola

Ricardo Corona
*Seria exagero aferirmos à arte poética função didática ou compromisso directo com os actos humanos sem considerarmos que aquela permanece, espontânea e constantemente, em atenção a estes – como qualquer evento do homem – por sua natureza de pertencer ao núcleo utópico de ensinar, comover e deleitar. Uma adesão à palavra com consciência de que a poesia nos move porque pertence igualmente ao vivo e, portanto, seria menos uma função e mais um alento, que podemos identificar também nas línguas ou na genealogia de um sim. Para ajustarmos mais precisamente o foco, recorro a um texto que está no Operette Morali, de Leopardi: “Tenho pouco apreço por aquela poesia que depois de lida e meditada não deixa no espírito do leitor um sentimento nobre tal que, por meia hora, o impeça de admitir um pensamento vil e de cometer uma acção indigna.”Ovi-Sungo, treze poetas de Angola (Lumme Editor, 2007), antologia organizada por Claudio Daniel, um recorte com poemas escritos de 1970 a 2000 tem o mérito, o primeiro de uma lista de importâncias, de nos colocar a par, pelo radar poético, pelas “antenas da raça”, daquilo que podemos generalizar, com Agualusa, ser a acção sensível da “reconstrução permanente” de uma nação. Um atinar constante para o sentido das coisas vividas em colectividade, que são (ou deveriam ser) desde o amor até a moeda mínima que compra o pão de cada dia. Um sentimento que está arraigado na vida dos angolanos e que aparece em poemas desta selecção, como veremos nos versos de Jorge Arrimar, nos quais se lê: Eu sei que as paredes grossas / da casa onde nascemos / se começaram a construir / no tempo de outras gerações. / E ambos descobrimos isso / quando gatinhávamos / pelas primeiras letras / dos livros mais antigos / que lhe serviram de alicerces // Ainda os vemos de páginas abertas / no chão húmido da memória, / como se fossem janelas / das raízes que nos suportam. (As janelas das raízes, p. 141). Ou no embate das palavras acesas de Maria Alexandre Dáskalos: A alma é como a lavra. / Quando as nossas mãos voltam a desfiar. / O milho amarelo de ouro? (...) / Como se faz o mundo? Quando começa o mundo? (Sem título, p. 175). E a justa atribuição das palavras, em Abreu Paxe: entre as trevas e a seiva da sintaxe abundam palavras / inofensivas nada dizem à pátria por imitação os impérios / renovam os aspectos os tempos os modos (...) (Em sexo livre a língua, p. 47). A julgar pela selecção reunida no volume, são poetas que dizem sobre essa reconstrução de contexto. Os poemas, meio brinquedos que desmobilizam o real, sibilam e movem significados transformadores da realidade inanimada da Angola que mesmo após se livrar em 1975 da intransigência do colonialismo português vigente desde o século XVI até o XIX, transformou-se em palco da Guerra Fria –, com maoístas financiados por norte-americanos e comunistas apoiados por russos. São mosaicos sensíveis, contrastantes, diante dessa Angola das muitas jazidas de diamantes, dos muitos poços de petróleo; riquezas cobiçadas por europeus e norte-americanos, à custa de muita dor social, nunca permitindo que essas riquezas se transformassem em benefício para o angolano. Trata-se de uma poesia sendo feita em tempos declarados de não-poesia.Giuseppe Ungaretti, outro poeta “italiano” (na verdade de origem egípcia), refletiu exaustivamente sobre a poesia vinculada ao seu tempo, com aguda consciência dos estados de convulsões da história e perscrutado pela gênese da memória e da inocência, nunca abandonou a utopia mais alta: “A poesia reafirma sempre – é a sua missão – a integridade, a autonomia, a dignidade da pessoa humana. Se ela chegasse um dia a vencer sua batalha, se chegasse a salvar finalmente a alma humana, se um dia, na unidade das crenças, o primado do espírito fosse por todos admitidos como regra fundamental de toda sociedade, a poesia teria vencido sua batalha, e as dificuldades morais, que sempre dividiram tão tragicamente a humanidade, seriam finalmente resolvidas.” Talvez pudéssemos ver “O mundo recriado a partir dos olhos duma mulher”, seguindo os versos de João Tala (p. 137): Sou a palavra que você não disse / o nome que você não chamou. / Contigo viverei palavras desiguais / palavras ardidas na língua que as prolonga; / palavras perdidas e procuradas / onde tentas o sonho. Quem sabe fosse possível sentir a abundância nos milharais, entoada nos versos de Eduardo Bonavena: A chuva / Vai tornar a cair / Sobre / A minha aldeia / As bandeiras do milho / Voltarão a flutuar / Ao vento. / Teremos verde nos olhos / Os lábios molhados de leite. (...) (“Dos ventos da lona”, p. 113) Escapar do tempo, rasante, de céu embaixo e superfícies tagarelas que só fazem medrar o fim e o impasse: A morte da música pode ser lisa entre o início de um verão / e a direção que faz o silêncio. A surdez levanta a imagem / que a sombra distraidamente enterrara a cinco / palmos do chão. Para o coração se salvam as gaivotas / que levaram os mares para bem perto do sol que se despe (...) (Sem título, p. 58, de Adriano Botelho de Vasconcellos). Assim, a poesia será “aquele ofício perdido que toda geração deve reaprender, buscando na memória de um longínquo Éden.”: de sobras de esquecimento / e / de flocos de desassossego / se tece a rede da memória (...) (Sem título, p. 65, de Arlindo Barbeitos).Ovi-Sungo, que significa (conforme nota do livro) “palavra do umbundu, língua falada da província de Benguela até o planalto interior angolano que significa ‘cantos, cânticos’”, desdobrando para “‘ovi’ designativo plural de ‘sungo’, ou canção”, sugere a rica tradição oral angolana na qual a poesia tradicional aparece ligada ao canto, mas ligada de modo inseparável, esqueleto e carne. Em se tratando de etnopoesia, as culturas africanas apresentam seus poetas, desde sempre. O ouvido atento à poesia oral faz a diferença em poetas como Conceição Cristóvão, Cristóvão Neto e David Mestre, para ficarmos apenas com esses três. Conceição Cristóvão é o que mais nos oferece amostragens de etnopoesia: ...cavo a terra forjo o ferro faço o pão. / quando quero, sempre quero! / mesmo quando os makixi sangram pelo sexo. / e nos seios mirrados eivados / trazem o quente sabor da bílis. / dos dias sem chuva... (Antes da orgia, p. 82). Em nota explica-se que makixi (ou akixi, plural de mukixi, em kimbumdu) é uma figura mítica do meio rural, semelhante a um espantalho, e tem papel importantíssimo nos ritos de iniciação em muitas regiões do continente africano. O segundo, Cristóvão Neto, nesta seleção, traz referências a danças e instrumentos musicais originários da cultura popular angolana, como neste em que coloca o instrumento de percussão “kissanje” no centro de sua operação poética: Chove ainda, meu kissanje / Sobre a vidraça deste afogo / Como uma metafísica de insônias! // Sou qualquer lugar neste congresso de salmos! (Este kissanje que arroja salmos, p. 97). O terceiro, David Mestre, destacaria como exemplificação de uma poesia miscigenada de mitologias, feito este “Nagaieta de beiço”: Cantarei / as tuas coxas / entre (o pano) abertas o clamor / da // minha língua (em guarda). // O oiro / o mel / o silêncio cúmplice // a arca da tua boca / magra // Por que ardem as fontes / no auge / da alegria? // Eros (em chamas) ousasse / gota / a / gota / um rumor / de cal / aflita // Tu tem ngaieta de beiço / morro damor lá (p. 103). A antologia informa que “ngaieta” é uma corruptela luandense de gaita.Por mais que sejam operações próximas do conceito que António Risério classificou como “mitografismo”, ou seja, “semanticismo” um pouco ingênuo de transferência idiomática de conteúdos, devemos, no entanto, prestar atenção que tais operações partem da mesma cultura para “dentro” dela mesma. Do ponto de vista geopolítico, os sujeitos dessas confluências semânticas são poetas pertencentes a países periféricos, descentralizados, e, portanto, de fora do eixo europeu dominante. Esse deslocamento já apresenta novidade suficiente para circunscrever alguns momentos de invenção da poesia contemporânea mundial. São poetas que estão no mapa de um Jean-Joseph Rabearivelo (de Madagascar), que escreveu na língua do colonizador (no caso, o francês), mas que soube ouvir os cantos de sua cultura e produziu uma poesia extremamente original e dialogante com as ideias de “recuperação” da vanguarda mundial, assinaladas por Jerome Rothenberg, por exemplo.Os poemas que chamam para si uma elaboração na linguagem, salvo dizer que toda poesia deve trazer tal elaboração, o que não é diferente nesta antologia, mas, a dedo, podemos destacar a concreção da dicção de José Luís Mendonça, cuja materialidade aparece em seu vocabulário, sugerindo imagens instigantes e ousadas: Ó mãe dos gafanhotos / sentados na lavra da boca deserta: / quantos comboios pariu a tua fome / sobre tijolos gravados ao corte da língua? / O abecê do tempo sangra no pilão / e a chuva de Abril nos cafeeiros / é a mulher kilombo, dizem / morreu um leão no fogo do teu ventre / onde caminhei de animais na mão. (Um canto para Mussuemba, p. 154). Na mesma linha, Lopito Feijoó, cuja operação com equações quase matemáticas ocasiona o estranhamento necessário de toda poesia que se propõe pensar a própria linguagem, compartilhando interesses da vanguarda, especialmente os efeitos gráficos: 1 – Variável S: / Tanto tempo são todos os dias de manhã / a tarde e a noite no SUL quando chove. // 2 – Variável C: / São todos os tempos no CENTRO de todos / os dias e deste tema por (a)bordar... // 3 - Variável N: / (e porque) / são todos os tempos de colheita se a / ironia ancestral da vida troveja sobre / o sempre também NORTE da humanidade? (Sistema de equação tridimensional dum mistério a desvendar, p. 161). Na mesma ascendência experimental da antologia, certamente está a poesia de João Maimona. Nos limites de poesia e prosa, sem fazer uso de títulos, limítrofes de gêneros e outras demarcações de campos, seu fluxo textual ora devorante ora giratório, encarna a dicção neo-barroca em alta voltagem: o sentido do regresso e a alma do barco. / antes que o mar anuncie a sua existência / os capitães transfigurados trespassam a / linha do amor. as noites evasivas de / passageiros castigam as raparigas / de saias amarelas. assim se mostravam / as horas selváticas que destapavam / os enigmas da navegação crepuscular. / inicia-se uma peregrinação. os anjos / enviam mensagens para as raparigas / de olhos castanhos. / arrogantes eram os homens que / saudavam o barco. (sem título, p. 124).Ovi-Sungo traz ainda um glossário elucidativo das palavras de línguas originárias, dois bons ensaios complementares feitos por Carmem Lúcia Tindó Ribeiro Secco e Francisco Manuel Antunes Soares, que, somados aos poemas, colocam-nos a par da poesia de Angola, nação que está tão longe e tão perto.
(in Jornal de Angola)

* é poeta e tradutor. Autor dos livros de poesia Cinemaginário (1999), Tortografia, em parceria com Eliana Borges (2003), Corpo sutil (2005) – todos publicados pela Editora Iluminuras. Na área de poesia sonora, lançou o CD Ladrão de fogo (2001, Medusa) e o livro-disco Sonorizador (Iluminuras, 2007). Organizou a antologia de poesia Outras praias / Other Shores (Iluminuras, 1997). Criou em parceria com a artista plástica Eliana Borges as revistas de poesia e arte Medusa (1998-2000) e Oroboro (2004-2006). Com Joca Wolff, traduziu o livro-poema aA Momento de simetria (Medusa, 2005) e a coletânea Máscara âmbar (Lumme, 2008), de Arturo Carrera. Em 2009, seus livros Cinemaginário e Corpo sutil serão lançados em Portugal, em um único volume intitulado Amphibia, pela editora Cosmorama.

Fonte: Bimbe: http://bimbe.blogs.sapo.pt/tag/cultura
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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um por do sol...
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...movido a gás
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23 de Novembro de 2008, 23:00 h

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Lenine apresenta 'Labiata' em Curitiba

Com a turnê do álbum Labiata, o cantor apresenta a mistura de estilos que compõem o trabalho inédito, gravado em parceria com grandes nomes da música brasileira.

Os fãs já podem começar a pedir as músicas do bis por e-mail. Após seis anos longe dos estúdios, Lenine traz a Curitiba seu novo álbum, Labiata. O cantor escolheu o nome de uma das mais famosas espécies de orquídeas para batizar o trabalho inédito, que apresenta dia 10 de dezembro no Teatro Guaíra.

A apresentação tem uma novidade para a hora do bis: os fãs já podem começar a votar nas músicas que querem ouvir no momento em que o cantor retornar ao palco. Basta enviar um e-mail para producaolenine@gmail.com com o nome da música que gostaria de incluir no set list. No título da mensagem, o nome da cidade e a palavra bis, por exemplo: “Curitiba - Bis”.

O disco, com onze canções inéditas, é 100% autoral e tem a participação especial de alguns dos parceiros mais habituais do artista, como Bráulio Tavares, Lula Queiroga, Dudu Falcão, Ivan Santos, Paulo César Pinheiro, Carlos Rennó e Arnaldo Antunes. O álbum registra também sua primeira parceria com Chico Science, em Samba e Leveza.

A flor Labiata, com ampla variedade de cores, se adapta bem a qualquer região, tanto no nível do mar como a dois mil metros de altitude, tal qual a obra de Lenine, regional, pop, rock, samba, eletrônica, pessoal e universal. O cantor muda para se manter o mesmo.

Desde “Baque Solto”, de 1983, até esse novo disco, a trajetória é repleta de interseções que podem apontar para novos caminhos ou simplesmente para formas diversas de se chegar ao mesmo ponto. Diferente dos trabalhos anteriores de Lenine, para gravar Labiata o cantor entrou no estúdio sem nenhuma das músicas pronta. Elas foram criadas durante o processo de gravação. “Geralmente, quando você começa a fazer um disco, já tem um pedaço dele pronto. Nesse, por uma conjugação de falta de tempo e por querer testar esse frescor de compor e gravar, fui fazendo assim: criava a música de noite e no outro dia ia para o estúdio”, explica.

SERVIÇO
Lenine no show Labiata Local: Teatro Guaíra, Curitiba
Data: 10 de dezembro
Horário: 21h
Ingressos: R$ 40 (Desconto de 20% para portadores do Cartão Teatro Guaira) À venda na bilheteria do Teatro Guaíra, das 12 às 21 h

Fonte: Sandra Solda, jornalista - Literal Link

Show Zimba 10/12

ENCONTRO COM EUGENIO BARBA E JULIA VARLEY EM FLORIPA

Demais Informações com Éder Sumariva Rodrigues [sumariva_rodrigues@yahoo.com.br]

sábado, 29 de novembro de 2008

Artistas em prol das vítimas de SC

Grandes nomes da MPB se unem em show “SOS Santa Catarina”, promovido pela TV Cultura.

Um grande show aberto ao público será realizado neste domingo (30/11), das 20h às 22h, no Anhembi, em prol das vítimas das chuvas em Santa Catarina. Mais do que um evento, esta iniciativa visa a mobilizar a população e divulgar todas as formas de doações que podem ser feitas em benefício das milhares de pessoas desabrigadas no sul do país.

Promovido pela TV Cultura, em parceria com a Prefeitura do Município de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo e Defesa Civil de São Paulo, o evento “SOS Santa Catarina” contará com a presença de grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ed Motta, Chico César, Fabiana Cozza, Simoninha, Jairzinho Oliveira, Trio Virgulino, Quinteto em Branco e Preto, Lecy Brandão, DJ Thayde, Inimigos da HP, Cláudio Zoli, Inezita Barroso, Z’África Brasil, César Menotti e Fabiano, além da turma do Cocoricó e apresentadores da emissora. A organização ainda aguarda a confirmação de outros artistas convidados.

Para participar do show, que será transmitido ao vivo pela TV Cultura, cada pessoa deve levar uma garrafa de água mineral ou cobertor. A entrada será feita pelo portão 34, a partir das 18h. O estacionamento, gratuito, poderá ser acessado pelo portão 30.

Para os internautas, há ainda um site do “SOS Santa Catarina”, que traz os endereços dos postos de coleta; sites úteis; vídeos de matérias apresentadas no Jornal da Cultura sobre o tema; blogs que estão fazendo cobertura especial; e imagens, ao vivo, dos bastidores do show.

A TV Cultura dará continuidade à campanha “SOS Santa Catarina” no decorrer da próxima semana, quando a população poderá fazer doações nas bases da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Subprefeituras e no Fundo Social de Solidariedade. A população também poderá contribuir com depósitos em dinheiro no Banco do Brasil, agência 3582-3, conta corrente 80.000-7, em nome do “Fundo Estadual da Defesa Civil” - CNPJ 04.426.883/0001-57.

As doações serão entregues às famílias atingidas pelas chuvas, que deixaram milhares de desabrigados e mataram quase 100 pessoas.

Serviço:

Show “SOS Santa Catarina”

Dia: Domingo (30/11), das 20h às 22h

Local: Anhembi – Grande Auditório

Endereço: Rua Olavo Fontoura, 1209 – Santana

Entrada para o público: portão 34

Entrada para imprensa: portão 35

Ingresso: uma garrafa de água mineral ou um cobertor


Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/post/artistas-em-prol-das-vitimas-de-sc/

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

9a Mostra Carona de Teatro - Urgente


Em virtude da triste situação que assola nossa cidade e região comunicamos aos alunos, pais e interessados que a 9a Mostra Carona de Teatro, que ocorreria nos dias 04 a 07 de dezembro, foi transferida para o mês de Março de 2009. Acreditamos que neste momento, nossas energias devam ser canalizadas para a solidariedade. Se possível organize donativos junto aos seus vizinhos, doe sangue ou seja voluntário.

Atenciosamente

Carona Escola de Teatro
Cia Carona de Teatro.

Procura-se um ator

Procura-se um ator(responsável)para trabalhar em SC, fronteira com Argentina pelo periodo de um ano(2009).
Deverá ter disponibilidade para ficar por lá na maior parte do tempo.Trabalho com carteira assinada.
Quem se interessar poderá enviar email para claudiacozzella@ibest.com.br ou para tokdearte_artescenicas@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Escambeiros, tudo bem? Alguém precisando de ajuda?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Concerto de Natal da FURB


Como é de praxe, a FURB promove, neste domingo dia 23, seu Concerto de Natal, com a presença dos grupos artísticos da Universidade. Ou seja, é uma bela oportunidade de ouvir a Orquestra da FURB, a Camerata de Violões e o Coro Universitário, com um repertório variado que vem sendo ensaiado durante todo o ano. Além disso, farão participações o Grupo de Danças Alemãs e o Coro Marita Deeke Sasse.

A apresentação é no Teatro Carlos Gomes , às 20 hs e a entrada é gratuita.
Mais informações: (47) 3321.0912

Listinha do escambau!

Escambeiros,

na Coluna Contracapa, publicada no Jornal de Santa Catarina de hoje, Caroline Passos faz uma listinha dos 3 blogs de Blumenau que ela considera imperdíveis. Adivinha....

"Comunica

A Época desta semana listou os “80 blogs que você não pode perder”. Resolvi fazer algo bem mais modesto e listar três endereços de blumenauenses que você também não pode perder (até agora e até onde conheço).

1. Um Escambau (umescambau.blogspot.com) - blog coletivo de dicas de cultura e produções culturais de artistas daqui;

2. Blog do kkklã Fake It! (letsfakeit.blogspot.com) - dicas de música, moda e tudo mais que for hype e descolado;

3. Duelo de Escritores (www.duelodeescritores.com) - blog-jogo literário em que os leitores escolhem a cada 10 dias o melhor texto escrito pelos cinco autores.
"

Ler no Site do Santa

Performance Clown!

Ontem, na Rua XV..... http://libidinagens.blogspot.com/
86 anos

Dizem-me que as entrevistas valeram a pena. Eu, como de costume, duvido, talvez porque já esteja cansado de me ouvir. O que para outros ainda lhes poderá parecer novidade, tornou-se para mim, com o decorrer do tempo, em caldo requentado. Ou pior, amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E porque haveriam de tê-la? Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que preocupar-se se alguém virá ou não comê-las? E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê? São perguntas ociosas, bem o sei, próprias de quem cumpre 86 anos. Ou talvez não tão ociosas assim se penso que meu avô Jerónimo, nas suas últimas horas, se foi despedir das árvores que havia plantado, abraçando-as e chorando porque sabia que não voltaria a vê-las. A lição é boa. Abraço-me pois às palavras que escrevi, desejo-lhes longa vida e recomeço a escrita no ponto em que tinha parado. Não há outra resposta.
Publicado em O Caderno de Saramago http://caderno.josesaramago.org/

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

1ª Feira do Comércio Justo, Solidário e Sustentável



Artesãos, cooperativas e associações participam da 1ª Feira do Comércio Justo, Solidário e Sustentável, que será realizada em frente à Biblioteca Universitária, no campus 1 no dia 20 de novembro das 8 às 22 horas.

Segundo a organização, a feira tem como objetivo ser uma pequena mostra de uma tendência que vem ganhando força desde seu surgimento na Europa e Estados Unidos, na década de 60, quando os consumidores mais conscientes, motivados pelo clima de mudanças sociais e políticas daquele período começaram a exigir que não fossem fabricados produtos com exploração de mão-de-obra em países do Terceiro Mundo e que tivessem um preço justo.

O comércio solidário tem algumas características como criação de condições de capacitação e acesso dos pequenos produtores a informações sobre os mercados; pagamento de preço justo no recebimento do produto, além de bônus que beneficie toda a comunidade; organização democrática dos produtores e compartilhamento dos lucros entre associados; disseminação de formas de produção ambientalmente corretas e estímulo ao consumo responsável.

A feira pretende trabalhar ainda o conceito de “consumo consciente”, para estimular nas pessoas a consciência da procedência dos produtos adquiridos. O lucro será revertido para artesãos, cooperativas e associações de produtores que estejam vinculadas a eco sustentabilidade, que prevê a utilização sustentável de recursos e confecção de produtos que não agridam o meio-ambiente.

Produtos como bijuterias, geléias, produtos de cultivo orgânico, bordados, tricô, crochê, sacolas e bolsas reutilizáveis estão entre outros as atrações da feira.


(Texto: Alessandra Meinicke/Estagiário Daniel Zimmermann)
Informações em: http://www.furb.br/

Mais sobre comércio justo:

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Estêncil de Heraldo Fernandes

OFICINA DE ESTÊNCIL
Onde: SESC Centro

Quando: 20/11 (quinta)

Horário: 19hrs às 22hs

Oficina gratuita com certificado

**Inscrições com Jamil 3322-5261





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panfletagem nas ruas
no chão e aos montes
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Butiquin informa.:


Terça - 18/11 - Trio Mazzaropp - Música Instrumental Brasileira

Quarta - 19/11 - Trio Trancham - c/ Mônica - MPB

Quinta - 20/11 - Duda Kassler Quartet - Jazz

Sexta - 21/11 - Jimi - Unppluged Rock

Sábado - 22/11 - Ana e leco. MPB

Fonte: Fábio Wollstein

Paixão e fé, faca amolada

Música Cristã Brasileira é um projeto que quer trazer ao conhecimento do público a excelente música brasileira que está sendo escrita por músicos e poetas cristãos, com a riqueza de ritmos nacionais e sem o ranço religioso padronizado. É uma manifestação cultural riquíssima, uma vez que une poesia, música e fé com elementos da cultura nacional em seus mais variados ritmos, viajando livremente entre samba, xote, baião, bossa e toda musicalidade tupiniquim.
Os textos valorizam o encontro da fé com a vida, com o dia-a-dia, com os sofrimentos e alegrias do povo, sem apelar para a linguagem proselitista e alienada que comumente caracteriza a música religiosa e a separa do mercado popular.



Contribuição: Tuco Egg

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quarteto de Sopros do Amazonas

A obra grandiosa de Villa-Lobos, bem como o talento, a experiência, e a sensibilidade do Quarteto de Sopros da Amazônia, vem proporcionando ao público brasileiro o contato com parte significativa da obra desse que é o nosso mais importante compositor. Juntos, Cláudio Abrantes (flauta), Ravi Shankar (oboé), Vadim Ivanov (clarineta) e Romeu Rabelo (fagote), que formam o Quarteto de Sopros da Amazônia, se apresentam em 63 cidades de 19 estados do Brasil, interpretando a obra de Heitor Villa-Lobos para instrumentos de sopros.

O quarteto de sopros da Amazônia é formado pelos instrumentistas Cláudio Abrantes (flauta), Ravi Shankar (oboé), Vadim Ivanov (clarineta) e Romeu Rabelo (fagote) e tem como objetivo interpretar o repertório camerístico de música brasileira para esta formação e suas variantes (de solos, duos ou trios), que são pouco conhecidas do grande público.

Todos os integrantes do quarteto já atuaram nos palcos do Brasil e do exterior. Cláudio Abrantes e Vadim Ivanov tocam juntos na orquestra Amazonas Filarmônica, aprovados em concurso internacional desde que foi criada, em 1997. A eles juntou-se Ravi Shankar como músico convidado da Amazonas Filarmônica no XII Festival Amazonas de Ópera (2008) e finalmente Romeu Rabelo, convidado especialmente para participar desta etapa do Sonora Brasil SESC.


Apresentação da 4ª Etapa do projeto Sonora Brasil / SESC
19 de novembro, às 21h, no Teatro Carlos Gomes
Ingressos: R$ 10,00(inteira); R$ 7,00 (sócios e Clube do Assinante) e
R$ 5,00 (cartão SESC e meia-entrada)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

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elias
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22/11 - Conferência Municipal de Cultura!


Eis uma ótima oportunidade para nos sintonizarmos com o cenário cultural, local e nacional, e também para nos mobilizarmos em torno de questões primordias para a cultura em Blumenau.
Que tal discutir, levantar demandas e propostas para que possamos cobrar da nova gestão, políticas públicas em acordo com nossas necessidades e expectativas?
ou 3326.6766

É hoje!


POCHYUA E CAMBAÇU:
poesia sobre morro, mulher, noivas suicidas, viagens à deriva, cais, beira de estrada. ritmo de ciranda, frevo, valsinha, maracatu, manguebeat e música cubana. bom demais pra ser verdade. http://www.pochyuaecambacu.mus.br/







CASA DE ORATES:
uma trupe de loucos sem salvação trovadores filósofos errantes visitantes de outra dimensão. jazz, rock, música brasileira, medieval e de galáxias muito muito distantes. http://www.casadeorates.com.br/








NESTOR JR.:
um incrível plastificador de histórias sinuosas e fluidas cheias de arabescos e personagens misteriosas conservadas na sopa primordial. em tempo, um puta desenhista e ilustrador. www.flickr.com/photos/nestorjr




Só não vai quem já morreu.
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"Sexta Arte" com:
Pochyua e Cambaçu / Nestor Jr. / Trupe Sonora Casa de Orates
Dia 14 de novembro às 20h - Fundação Cultural de Blumenau
Ingressos: R$ 15,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia-entrada)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Transgênicos

Há aproximadamente 17.865.931 resultados encontrados para felicidade num intervalo de 21 segundos.

Tudo isso potencializado por Cavalos sem rabo e RPMs formados a partir de amontados de peças e técnicas. Ruídos! A fumaça já tem sonoridade.

O doido-máquina tenta ser feliz.
Espalha fezes pelo terreno enquanto pratica musculação, marcando seu metro quadrado de modas.
Busca eternamente ter um pedigree. Cuida de um corpo, um cabelo, uma pele, nariz, varizes, bundas e câncer. Busca eternamente ter vários pedigrees.

O Belo enlatado, mas perdemos o abridor de latas.
O Belo atrofiado por pixels e jingles.

Árvores sem folha e sombras quentes para se ler livros em branco. Os homens nascem transgênicos, não mais transgressores.

Um universo de dor.
Show individual pela tela da TV.
Rei é rei só quando senta no trono.






O POETA E OS GIRASSÓIS

(Ao poeta Lindolf Bell – 1938-1998)

Tânia Rodrigues

O corpo do poeta dorme
na Timbó de campos semeados
(os girassóis altivos
ainda buscam a luz do sol)

O canto do poeta ecoa
no vale do Xockleng oprimido
(os girassóis altivos ainda
inspiram versos de esperança)

O amor do poeta grita
às margens do Itajaí-Açu
que pede passagem
(os girassóis altivos ainda
teimam em florescer no
coração das cidades concretas)

O sonho do poeta sustenta
sobre a terra úmida, aquecida e imensa
o sonho de vários homens
vários pássaros
vários peixes
(os girassóis altivos
renascem na dor absoluta)

O riso do poeta se espalha
feito semente nas colinas
e tocadores de bandoneons celebram
o brilho das manhãs ensolaradas
(os girassóis altivos não vivem
de beleza, mas têm dignidade)

O destino do poeta, vago feito
querubim, seduz a mãe que embala
o filho, sabedora de horizontes
(os girassóis altivos ainda se
curvam, mas apenas para o céu)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ad infinitum (reflexões sobre o hoje que não é ontem)

O ronco de motores invade portas abertas ou fechadas, não importa (..."não importa nada"...) como um agente a serviço da ditadura. Não há sossego a noite. Sinto-me um órfão atirado ao lixo da época. Solitário ficou o conflito de cada um, língua aflita a lamber a velha dentadura tão usada e desgastada pelo uso ininterrupto de inócuas palavras-chaves. Sofro e roto o movimento, calço meu Adidas e torno-me espuma num labirinto marítimo-urbano. Meu ouvido virou depósito arrombado, entra qualquer um; o pano do meu palco foi rasgado. Não tenho trocadores e assim me acostumo a nudez. Viro apenas corpo nestes dias de trilhões (sim, chegamos a essa altura!). E o ronco de motores...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

LANÇAMENTO E PALESTRA DE SALIM MIGUEL

Nesta quinta-feira, 13 de novembro, às 19 horas, acontece o lançamento do livro JORNADA COM RUPERT, do escritor Salim Miguel, um dos mais importantes nomes da literatura catarinense em todos os tempos. O evento inicia às 19 horas com a palestra do autor no auditório da Biblioteca da Furb. Depois da palestra acontece o lançamento com sessão de autógrafos.
Jornada com Rupert é um romanceá ambientado em Blumenau, e aborda a imigração germânica através de um olhar crítico da história.
A entrada é franca.
DADOS BIOGRÁFICOS.
Nascido no Líbano em 1924, Salim Miguel chegou ao Brasil ainda criança. Depois de viver sua adolescência no município catarinense de Biguaçu, mudou-se para Florianópolis onde, nas décadas de 1940 e 50, integrou o movimento modernista nas artes catarinenses: o Grupo Sul. Juntamente com sua esposa, a também escritora Eglê Malheiros, escreveu o roteiro do primeiro longa-metragem catarinense, o filme “O Preço da Ilusão”. Em 1965, depois de ser preso pelo Regime Militar, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde editou a revista Ficção e trabalhou para a Editora Bloch e de onde retornou em 1979. Jornalista renomado com passagem por diversos jornais e revistas nacionais, Salim Miguel dirigiu também a editora da Universidade Federal de Santa Catarina e a Fundação Cultural Franklin Cascaes. Autor de 30 livros, entre contos, crônicas, romances, depoimentos e impressões de leitura, dos quais se destacam: “A Morte do Tenente e Outras Mortes”, “A Voz Submersa”, “Nur na Escuridão” (que recebeu o prêmio de melhor romance de 1999 pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e o Prêmio Zaffari & Bourbon da 9º Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo), “A Vida Breve de Sezefredo das Neves, poeta” (indicado para o Prêmio Jabuti) e “Mare Nostrum”.
É Doutor Honoris Causa pela UFSC e reconhecido como intelectual do ano pela União Brasileira dos Escritores e Folha de S. Paulo, recebendo o Troféu Juca Pato.
* Veja a entrevista concedida por Salim Miguel ao Sarau Eletrônico.

Pra quem curte foto...

Mostra Cultural de Angola



Está aberta a 2° Mostra Cultural de Angola, realizada pelos alunos angolanos que cursam a FURB em comemoração aos 33 anos de independência do país.

Para o estudante de Engenharia de Telecomunicações da FURB, João Davidson, que representa os bolsistas angolanos, o objetivo da Mostra é apresentar a cultura e o cotidiano do país. “Pouco se conhece sobre Angola aqui no Brasil. A exposição servirá justamente para estreitar cada vez mais os laços de duas culturas tão próximas”, explica.

As festividades comemorativas aos 33 anos de Independência de Angola acontecem na próxima semana até o dia 15 de novembro. A exposição permanece aberta ao público no hall de entrada da Biblioteca da FURB até o dia 14 de novembro.

Na programação:
Dias 7 a 14: exibição de slides com fotografias de Angola,
Dia 10 (segunda): workshop de danças tradicionais;
Dia 11 (terça): palestra sobre a cultura angolana;
Dia 12 (quarta): workshop de danças atuais;
Dia 13 (quinta): fogueira com declamação de poesias, cântico típicos, capoeira, animações, sarau poético, apresentação de dança tradicional e dinâmicas de grupos.
Dia 15 (sábado): atrações diversas.


Mais informações:
(Texto: Alessandra Meinicke/ Estagiária Beatriz Gaviolli)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Conferência Municipal de Cultura

Olá pessoas!

Já está público que dia 22 de novembro, um sábado, vai acontecer a Conferência Municipal de Cultura.

Hora de pensarmos em libidinagens.
Algum debate vem acontecendo?

fica aberto...

SALIM MIGUEL LANÇA LIVROS NA FURB


Teatro hoje! ( e filipeta de desconto...)



Lembrando:
hoje, amanhã e domingo,
o espetáculo Noite (Leia mais),
às 20h na Fundação Cultural de Blumenau.


Desconto:
imprima a filipeta ao lado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"Sexta Arte" com Pochyua e Cambaçu, Nestor Jr. e Casa de Orates


Dia 14 de novembro, a Fundação Cultural de Blumenau será palco para três nomes que vêm ganhando destaque no cenário artístico contemporâneo catarinense. Música, poesia e traços expressivos não vão faltar no evento que reunirá numa “sexta(-feira) arte” os grupos musicais Pochyua e Cambaçu (Blumenau), Trupe Sonora Casa de Orates (Itajaí) e o desenhista e ilustrador Nestor Jr.

Às 20 horas abrem-se as cortinas para a música e a poesia brasileira de Pochyua e Cambaçu, conhecidos da cena musical blumenauense, que além de trazer à cidade seu espetáculo na temporada de 2008, contarão com as participações mais que especiais do violonista William Pofahl e da cantora Mareike Valentin. (http://www.pochyuaecambacu.mus.br/)

Após o deleite musical e poético, o público respirará a arte de Nestor Jr. Em exposição inédita, um dos mais promissores artistas de sua geração, que conquista a passos largos um seleto público, nos presenteia com a apreciação de suas mais recentes obras. (http://www.flickr.com/photos/nestorjr)

Por fim, apresentando as canções de seu recém-lançado CD, a Trupe Sonora Casa de Orates, de Itajaí, que subiu o rio e atracou em Blumenau para nos levar aos mundos de dentro das nossas cabeças, mostra que a efervecência artística das beiras do Itajaí-Açú anda bem representada. (http://www.casadeorates.com.br/)

Em breve, mais informações.
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"Sexta Arte" com:
Pochyua e Cambaçu / Nestor Jr. / Trupe Sonora Casa de Orates
Dia 14 de novembro às 20h - Fundação Cultural de Blumenau
Ingressos: R$ 15,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia-entrada)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Níver da Regi no IRM

I Ciclo de Filmes



1º Ciclo de Filmes organizado pelos estudantes do Mestrado em Desenvolvimento Regional (Helena Hinke Dobrochinski Cândido, e Christian Henriquez Zuñiga) em conjunto com professores desse programa. Após o término do filme, convidados e público comentarão sobre as temáticas propostas.


Programação:
Dia 6/11 às 19h - Auditório de Arquitetura - GA016
1- A Carne é Fraca (Comentários: Prof. Dr. Luciano Florit)
Entrada franca

Dia 13/11 às 19h - Auditório de Arquitetura - GA-016
2- Na Natureza Selvagem (Comentários: Msda. Helena Hinke Cândido e Msdo. Christian Henriquez)
Entrada franca

Dia 21/11 às 19h - Auditório Bloco T
3- The Edukators (Comentários: Dr. Ivo Marcos Theis)
Entrada franca

sábado, 1 de novembro de 2008

Como esses estúpidos selvagens chegaram a dominar Washington

fonte: www.cartamaior.com.br

(Alguma semelhança com a política brasileira, mas bem ao nosso modo?????)



Como a política nos EUA chegou a ser dominada por pessoas que fizeram da ignorância uma virtude? Num ponto isso é fácil de responder. Na nação mais poderosa do planeta, um em cada cinco adultos acredita que o sol gira em torno da terra; só 26% aceitam que a evolução ocorre por seleção natural e dois terços dos jovens adultos são incapazes de encontrar o Iraque num mapa.

George Monbiot

Como se permitiu que se chegasse a esse ponto? Como a política nos EUA chegou a ser dominada por pessoas que fizeram da ignorância uma virtude? Foi a caridade que permitiu que um parente mais próximo do homem chegasse a gastar dois mandatos como presidente? Como foi possível que Sarah Palin, Dan Quayle e outros estúpidos do gênero chegassem aonde chegaram? Como foi possível que os comícios republicanos em 2008 fossem tomados por gritarias ignorantes insistindo que Barack Obama era um muçulmano e terrorista?

Como muitos deste lado do Atlântico, eu fui por muitos anos encantado com a política americana. Os EUA têm as melhores universidades do mundo e atrai as mentes mais brilhantes. Domina descobertas na ciência e na medicina. Sua riqueza e seu poder dependem da aplicação do conhecimento. Ainda assim, de maneira única dentre as muitas nações desenvolvidas (com a exceção possível da Austrália), o conhecimento é uma desvantagem política grave nos EUA.

Houve exceções ao longo do século passado – Franklin Roosevelt, JF Kennedy e Bill Clinton temperaram seu intelectualismo com um toque de senso comum e sobreviveram -, mas Adlai Stevenson, Al Gore e John Kerry foram respectivamente fulminados por seus oponentes por serem membros de uma elite cerebral (como se isso não fosse uma qualificação para a presidência). Talvez o momento decisivo no colapso da política inteligente tenha sido a resposta de Ronald Reagan a Jimmy Carter, no debate presidencial de 1980. Carter – tropeçando um pouco, usando longas palavras – cuidadosamente enumera os benefícios do sistema nacional de saúde. Reagan sorri e diz: “Lá vem você de novo”. Seu próprio programa de saúde teria apavorado muitos americanos, caso tivesse sido explicado tão cuidadosamente como o fez Carter, mas ele tinha encontrado a fórmula para se prevenir de questões políticas sérias ao fazer com que seus oponentes parecessem intelectuais “engomados” que não mereciam confiança.

Não foi sempre assim. Os pais fundadores da República – Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, James Madison, John Adams, Alexander Hamilton e outros – estavam entre os maiores pensadores de sua época. Eles não sentiam necessidade de tornar isso um segredo. Como o projeto por eles construído degenerou-se em George W. Bush e Sarah Palin?

Num ponto isso é fácil de responder. Políticos ignorantes são eleitos por povos ignorantes. A educação norte-americana, assim como seu sistema de saúde, é notória por seus fracassos. Na nação mais poderosa do planeta, um em cada cinco adultos acredita que o sol gira em torno da terra; só 26% aceitam que a evolução ocorre por seleção natural; dois terços dos jovens adultos são incapazes de encontrar o Iraque num mapa, dois terços dos votantes norte-americanos não são capazes de nomear três organizações governamentais; a competência matemática dos adolescentes de 15 anos nos Estados Unidos está em vigésimo quarto dos vinte e nove países da OECD.

Mas isso só aumenta o mistério: como tantos cidadãos norte-americanos tornaram-se tão estúpidos, e desconfiados da inteligência? Até onde li, o livro de Susan Jacoby, The Age of America Unreason [algo como A Era da des-Razão Americana], fornece uma explicação completa. Ela mostra que a degradação da política norte-americana resulta de uma série de tragédias interligadas.

Um tema é muito familiar e claro: religião – particularmente religião fundamentalista – torna você estúpido. Os EUA é o único país rico em que o fundamentalismo cristão é vasto e crescente.

Jacoby mostra que já houve uma certa lógica nesse anti-racionalismo. Durante as algumas décadas após a publicação de A Origem das Espécies, por exemplo, os americanos tinham boas razões para rejeitar a teoria da seleção natural e para tratar os intelectuais públicos com suspeita. Desde o começo, a teoria de Darwin foi misturada, nos EUA, com a filosofia brutal – agora conhecida como darwinismo social – do escritor britânico Herbert Spencer. A doutrina de Spencer, promovida na imprensa popular com o financiamento de Andrew Carnegie, John D. Rockefeller e Thomas Edison, sugeria que os milionários estavam no topo da escala estabelecida pela evolução. Ao impedir os desajustados de serem eliminados, a intervenção governamental enfraquecia a nação. A maioria das desigualdades econômicas eram tanto justificáveis como necessárias.

O darwinismo, em outras palavras, tornou-se indistinguível da forma mais bestial do laissez-faire econômico. Muitos cristãos responderam a isso com náusea. É profundamente irônico que a doutrina rejeitada um século atrás por proeminentes fundamentalistas como William Jennings Bryan seja agora determinante para o pensamento da direita cristã. Fundamentalistas modernos rejeitam a ciência darwinista da evolução e aceitam a pseudociência do darwinismo social.

Mas há outras razões, mais poderosas, que explicam o isolamento intelectual dos fundamentalistas. Os EUA são peculiares ao delegarem o controle da educação a autoridades locais. Ensinar nos estados do sul era ser dominado por uma elite aristocrática e ignorante de donos de terras, e um grande abismo educacional foi aberto. “No sul”, escreve Jacoby, “só o que pode ser descrito é que um bloqueio intelectual foi imposto para manter do lado de fora idéias que pudessem ameaçar a ordem social”.

A Convenção Batista do Sul, agora a maior congregação religiosa dos EUA, era para a escravidão e a segregação o que a Igreja Reformada Holandesa (Dutch Reformed Church) era para o apartheid na África do Sul. Ela fez mais do que qualquer força política para manter o sul estúpido. Nos anos 60 tentou disseminar a desagregação estabelecendo um sistema privado de escolas e universidades cristãs. Hoje, um estudante pode ir do jardim da infância até o mais alto grau de estudos sem qualquer exposição ao ensino secular. As crenças batistas do sul também passam imunes ao sistema de escola pública. Uma enquete feita por pesquisadores na Universidade do Texas em 1998 revelou que um em cada quatro professores de biologia das escolas do estado acreditavam que humanos e dinossauros viveram na Terra ao mesmo tempo.

Essa tragédia vem sendo assistida pela fetichização americana da auto-educação. Apesar de seu lamento por sua falta de educação formal, a carreira de Abraham Lincoln é repetidamente citada como evidência de que a boa educação fornecida pelo estado não é necessária: tudo de que se precisa para ter sucesso é determinação e individualismo vigoroso. Isso pode ter servido bem para as pessoas quando os genuínos movimentos de auto-educação, como o que se construiu em torno dos Little Blue Books na primeira metade do século XX estiveram em voga. Na era do info-entreternimento (1), esse tipo de coisa é receita para a confusão.

Além da religião fundamentalista, talvez a razão mais potente para o combate dos intelectuais na eleição seja que o intelectualismo tem sido equiparado à subversão. O breve flerte de alguns pensadores com o comunismo há muito tempo atrás tem sido usado para criar uma impressão na mente do público de que todos os intelectuais são comunistas. Quase todo dia homens como Rush Limbaugh e Bill O'Reilly vociferam contra as “elites liberais” que estão destruindo a América.

O espectro das grandes cabeças alienígenas subversivas foi crucial para a eleição de Reagan e de Bush. Uma elite intelectual genuína – como os neocons (alguns deles ex-comunistas) em torno de Bush – deu o tom dos conflitos políticos como uma batalha entre americanos comuns e bem sucedidos e super-educados pinkos (2). Qualquer tentativa de desafiar as idéias da elite intelectual da direita tem sido atacada, com sucesso, como sendo elitismo.

Obama tem muito a oferecer aos EUA, mas nada disso vai parar se ele vencer. Até que os grandes problemas do sistema educacional sejam revertidos ou que o fundamentalismo religioso perca sua força, haverá oportunidade política para que gente como Bush e Palin ostentem sua ignorância.


Publicado originalmente no Guardian, em 28 de outubro de 2008

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

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Marco Jacobsen
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Espetáculo "NOITE"




De 05 a 09 de novembro
Na Fundação Cultural de Blumenau - 20h

IV Seminário das Licenciaturas


Entre os dias 4 e 6 de novembro, a Universidade Regional de Blumenau promove o IV Seminário das Licenciaturas, evento cujo objetivo é integrar os cursos de licenciatura, promovendo o diálogo e a formação dos alunos e professores.

Além dos painéis, palestras e comunicações orais, acadêmicos e professores dos cursos oferecem 25 oficinas em diversas áreas: artes visuais, música, biologia, letras, entre outras. As oficinas são abertas à comunidade acadêmica e em geral. Confira algumas abaixo:
"Cantar e brincar de roda" - Prof. Melita Bona
"Estêncil" - Prof. Daiana Schvartz
"Escultura em argila" - Prof. Roseli Moreira
"Maquiagem artística" - Prof. Olivia Camboim Romano
"A pegada ecológica: educando para o consumo consciente" - curso de Biologia
"Eco – brinquedoteca" - curso de Biologia
"A canção na sala de aula - a pós-modernidade de Zeca, O Baleiro" - Alexandre Cohn da Silveira
"O duplo na literatura: criadores e criaturas" - Idealizadora: Mestre em literatura MsC Sandra Bernardes Puff e Mestre em Educação MsC Elisa Probst Hausmann - UFSC.
"Escola, currículo e subjetividades, um olhar sobre as práticas escolares utilizando a démarche sociedade disciplinar – sociedade de controle" - Gicele Maria Cervi

Inscrições e informações em: http://www.furb.br/licenciaturas

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Um novo capitalismo?

Fonte: http://caderno.josesaramago.org/

Há uns dias atrás, várias pessoas de diversos países e diferentes posições políticas, subscrevemos o texto que reproduzo abaixo. É uma chamada de atenção, um protesto, a expressão do alarme que sentimos diante da crise e das possíveis saídas que se afiguram. Não podemos ser cúmplices.

“Novo capitalismo?”

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual. Chegou o momento da justiça.

A crise financeira aí está de novo destroçando as nossas economias, desferindo duros golpes nas nossas vidas. Na última década, os seus abanões têm sido cada vez mais frequente e dramáticos. Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema.

Essas rupturas, que acabaram produzindo uma contracção funesta da vida económica actual, com o argumento do desemprego e da generalização da desigualdade, assinalam a quebra do capitalismo financeiro e significam o definitivo ancilosamento da ordem económica mundial em que vivemos. Há, pois, que transformá-lo radicalmente.

Na entrevista com o presidente Bush, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarou que a presente crise deve conduzir a uma “nova ordem económica mundial”, o que é aceitável, se esta nova ordem se orientar pelos princípios democráticos – que nunca deveriam ter sido abandonados – da justiça, liberdade, igualdade e solidariedade.

As “leis do mercado” conduziram a uma situação caótica que levou a um “resgate” de milhares de milhões de dólares, de tal modo que, como se referiu acertadamente, “se privatizaram os ganhos e se nacionalizaram as perdas”. Encontraram ajuda para os culpados e não para as vítimas. Esta é uma ocasião única para redefinir o sistema económico mundial a favor da justiça social.

Não havia dinheiro para os fundos de combate à SIDA, nem de apoio para a alimentação no mundo… e afinal, num autêntico turbilhão financeiro, acontece que havia fundos para que não se arruinassem aqueles mesmos que, favorecendo excessivamente as bolhas informáticas e imobiliárias, arruinaram o edifício económico mundial da “globalização”.

Por isto é totalmente errado que o Presidente Sarkozy tenha falado sobre a realização de todos estes esforços a cargo dos contribuintes “para um novo capitalismo”!… e que o Presidente Bush, como dele seria de esperar, tenha concordado que deve salvaguardar-se “a liberdade de mercado” (sem que desapareçam os subsídios agrícolas!)…

Não: agora devemos ser resgatados, os cidadãos, favorecendo com rapidez e valentia a transição de uma economia de guerra para uma economia de desenvolvimento global, em que essa vergonha colectiva do investimento de três mil milhões de dólares por dia em armas, ao mesmo tempo que morrem de fome mais de 60 mil pessoas, seja superada. Uma economia de desenvolvimento que elimine a abusiva exploração dos recursos naturais que tem lugar na actualidade (petróleo, gás, minerais, carvão) e que faça com que se apliquem normas vigiadas por uma Nações Unidas refundadas – que envolvam o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial “para a reconstrução e desenvolvimento” e a Organização Mundial de Comércio, que não seja um clube privado de nações, mas sim uma instituição da ONU – que disponham dos meios pessoais, humanos e técnicos necessários para exercer a sua autoridade jurídica e ética de forma eficaz.

Investimento nas energias renováveis, na produção de alimentos (agricultura e aquicultura), na obtenção e condução de água, na saúde, educação, habitação… para que a “nova ordem económica” seja, por fim, democrática e beneficie as pessoas. O engano da globalização e da economia de mercado deve terminar! A sociedade civil já não será um espectador resignado e, se necessário for, utilizará todo o poder de cidadania que hoje, com as modernas tecnologias de comunicação, possui.

Novo capitalismo? Não!

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual. Chegou o momento da justiça.

Federico Mayor Zaragoza
Francisco Altemir
José Saramago
Roberto Savio
Mário Soares
José Vidal Beneyto

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Capivara Cultura Rítmica e Convidados




O brasileiro é um povo esplendidamente musical. Nada mais justo do que conhecer seus ritmos. (Mário de Andrade)

Divulgar os ritmos brasileiros e o importante papel da percussão em nossa música: este é o trabalho do grupo Capivara Cultura Rítmica, que há aproximadamente dois anos pesquisa diversos ritmos brasileiros tradicionais e contemporâneos, despertando no público o interesse pela música popular de qualidade.


Neste dia 31, sexta-feira, o Capivara Cultura Rítmica apresenta o espetáculo “Um passeio pela cultura afro-brasileira”, um panorama da influência dos ritmos africanos em nosso mosaico musical. O grupo, junto a convidados especiais, apresentará cocos, cirandas, loas e toadas do maracatu-nação.

Este espetáculo faz parte do projeto cultural “Capivara Cultura Rítmica”, aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura 2008, com o qual o grupo realizou apresentações em diversos espaços públicos da cidade de Blumenau.


Serviço:
“Um passeio pela cultura afro-brasileira” -
com Capivara Cultura Rítmica e convidados
Sexta-feira, dia 31 de outubro. 20 horas.
Fundação Cultural de Blumenau.
Ingressos: R$ 5,00 (valor único).
http://www.grupocapivara.multiply.com/

Ciranda SESC

Você sabe construir brinquedos? Por todo Brasil tem crianças que saem à caça de sementes, folhas, tampinhas, arruelas, pauzinhos, caixinhas, palitos, fios, e mais uma porção de coisas para construir seus próprios brinquedos. Como aprenderam? Olhando outros fazerem. Na floresta Amazônica, por exemplo, as crianças fazem piões de sementes, hélices de folhas, bonecas de cachos de açaí, e quando a brincadeira termina o brinquedo também termina. É isso mesmo, não precisam guardar nada pois quando querem brincar de novo a brincadeira recomeça com uma nova construção do brinquedo. Sementes, galhos e folhas não faltam para eles construírem quantos brinquedos quiserem, o importante é saber fazer.

Você também já deve saber como é divertido sair por aí achando coisinhas esquecidas ou objetos da natureza para transforma-lo em um brinquedo que funcione de verdade. A exposição 'Giramundo: brinquedos dos meninos do Brasil' é sobre essas crianças que são curiosas, persistentes, espertas e adoram brincar.
(Renata Meirelles)

O Projeto Ciranda SESC 2008 traz a Exposição "Giramundo: Brinquedos dos meninos do Brasil", idealizada pela pesquisadora e educadora Renata Meirelles, uma exposição interativa de brinquedos populares que valoriza as atividades lúdicas que fazem parte do repertório da infância brasileira e do imaginário adulto. Além da exposição de brinquedos, o “Ciranda SESC” oferece:

- Cine Brinquedo: sessão de curtas metragens sobre brincadeiras dos meninos do Brasil.
- Fábrica de brinquedos: oficinas de confecção de brinquedos com materiais alternativos e elementos da natureza.
- Brincadeiras de rua: estação de atividades recreativas ao ar livre.


O Ciranda acontecerá no SESC Centro, na Rua Amadeu da Luz, 165, em Blumenau. São 12 dias de programação para crianças, jovens e adultos.O ingresso é livre. É só entrar e brincar.

Informações:
Nadia Soraya von Gilsa - Técnica de Lazer do SESC Blumenau
Tel:(47)3322-5261 Ramal 231 / e-mail: nadiavon@sesc-sc.com.br
Mais informações: http://www.sesc-sc.com.br/lazer/?c=projeto&p=50

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

AINDA É CEDO. MAS É PARA JÁ IR RESERVANDO LUGAR NA AGENDA:

28.10. DIA INTERNACIONAL DA ANIMAÇÃO

Mostra de curtas-metragens nacionais e internacionais.
São mais de 150 cidades em todo o país.

Foi nesta data que, em 1892 que Emile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro Óptico no Museu Grevin, em Paris. Essa projeção foi a primeira exibição pública de imagens animadas (desenhos animados) do mundo.

Foi para comemorar esta data que a Associação Internacional do Filme de Animação(ASIFA) lançou o evento, contando com o apoio de diferentes grupos internacionais filiados.

Em 2008 o Dia Internacional da Animação está sendo realizado em 51 paises que farão intercambio de suas mostras.

No Brasil o 'Dia Internacional da Animação' é organizado pela Associaçao Brasileira de Cinema de Animação (ABCA). Este ano o DIA conta com mais de 150 cidades participantes em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal. A Mostra oficial será exibida simultaneamente às 19 horas e 30 minutos do dia 28 de outubro sendo o maior evento simultâneo do genero, a ser realizado no país. Nesta data será exibida 1 hora de curtas-metragens estrangeiros (coreanos, americanos, poloneses, portugueses, franceses e russos) e 1 hora de curtas-metragens brasileiros. O Programa brasileiro tambem sera enviado para os 51 paises integrantes da ASIFA.

O evento tera entrada franca em todo o pais e busca difundir o cinema de animação atraindo novos publicos proporcionando aos seus expectadores o acesso a essa arte cinematográfica.


Embaixadores: Jacqueline Burger e Alessandro Mafra (JECLAC STUDIO)
Contato e info:47 3326 0806 ou jeclac@jeclac.com.br
Apoiador em Blumenau: Fundação Cultural de Blumenau e Prefeitura Municipal de Blumenau

domingo, 26 de outubro de 2008

Sobre museus, história e professores


Um dos maiores desafios dos professores de história no momento em que planejam suas aulas e organizam suas práticas pedagógicas está nos possíveis usos que estes podem fazer dos museus. Não há professor de história que, em sua carreira, não tenha programado aquela “visita” a um museu de sua cidade, ou, na falta deste, ao museu de uma cidade vizinha. Os professores de história de modo geral gostam destes espaços, nem que seja somente para dar uma “variada” em suas práticas pedagógicas. No entanto, para a maioria dos alunos a melhor parte da “visita” aos museus está no “passeio”, já que para estes o museu é lugar de coisa velha. E coisa velha não serve para nada, principalmente para uma geração acostumada as constantes mutações em torno das coisas novas que a tecnologia e o mercado lhes proporcionam.
Verdade é que o desinteresse dos alunos por estes redutos consagrados da história incomoda e muito aos professores de história. E ai surgem os desafios: Como usar estes espaços no cotidiano das aulas? Como tirar da cabeça dos alunos a idéia de que museu é “lugar de coisa velha que não serve para nada”?
A resposta, para estas perguntas, poderia ser a de sempre: o problema não são os museus, mas sim alunos, desmotivados, desinteressados, destrambelhados etc. Porém, o debate pode ser mais aprofundado se discutirmos as interpretações e as perspectivas de história que os profissionais têm em relação aos museus. Neste sentido, outras perguntas poderiam ser formuladas: O que fazer destes lugares? Qual sua finalidade? Seria possível guardar a história intacta, sem arranhões, manchas, rachaduras? Afinal, para que servem estes redutos de “coisas velhas”?
Uma das principais representações da história em meio ao senso comum são os museus. Falar de história para muitas pessoas é falar de museus. Caracterizados como “lugares da história”, onde ela pode ser guardada para ser mostrada para os demais, sem modificações, idêntica tal qual foi produzida em sua originalidade, os museus tornaram-se o reduto de “coisas velhas”.
Na composição das histórias regionais coube aos museus o papel de guardiões das identidades. Para alguns, mais exaltados em preservar suas identidades, estes lugares tem uma importância enorme, pois guardam as matrizes daquilo que deve ser preservado para poder continuar sendo reproduzido. No jogo das identidades, representam os elos entre o que foi, o que é, e o que deve vir a ser. Ou, entre o presente, o passado e o futuro. Até porque as identidades que dependem dos museus para sobreviver se definem pela obrigatória relação e ligação entre presente, passado e futuro, mesmo que o emaranhado de objetos e situações apresentadas nos museus possam ser totalmente desconexas no tempo e no espaço e, em muitos casos, não tenham nada a dizer de origens passadas, ou, pelo menos, não digam de forma tão concreta como alguns acreditam. É preciso lembrar que estes espaços são resultados de escolhas e de montagens do tempo presente. Não são exemplares a serem preservados, tal qual são para a biologia os animais em extinção.
Quando os gestores públicos, colocam os museus em seus planos de governo, dão a eles, de modo geral, duas funções; devem servir para preservar a já mencionada identidade regional, entendida como algo estático e atemporal, ou como uma possibilidade de desenvolver o turismo através da exposição dos monumentos que quando preservados representam uma boa paisagem fotográfica ou um lugar para satisfazer algumas curiosidades. Bem visto sejam aqueles que vêem nos museus uma possibilidade de atrair recursos financeiros através do turismo, talvez esta seja uma boa oportunidade para provarmos que, entre tantas possibilidades de utilização, a história também serve para gerar riqueza, mas isto só não basta, é preciso pensar outros projetos para estes lugares.
A história é dinâmica, e talvez muitos professores, administradores públicos e estudantes não saibam. O passado, muda e se transforma em um emaranhado de situações e possibilidades de interpretação. Digo isto para deixar claro que o conceito tradicional de museu não faz sentido para a história. Logo os museus entendidos como algo estático, parado, simples mostruário tem pouco significado para o trabalho dos professores de história e é ai que entram os alunos. Se conseguirmos reformular alguns conceitos em relação aos museus e a história, tornaremos os museus espaços dinâmicos de aprendizado e porque não de lazer para toda a comunidade. A inquietação dos alunos pode ser simplesmente falta de disciplina, mas pode ser resultado direto da inadequação dos espaços as crianças ou ao trabalho dos professores. Reformular os conceitos a respeito do papel e dos significados dos museus pode ajudar a transformar estes lugares em lugares de utilidade pública.
Para os professores de história, especificamente, a reformulação dos conceitos a respeito dos museus deve promover a integração destes espaços nas propostas anuais de trabalho. Eles não devem ser utilizados somente quando se estuda a história da cidade, do município, ou qualquer outra história que possam querer, nomeadamente, representar. Os museus podem e devem ser pensados dentro dos planos de trabalho dos professores para proporcionar as mais diferentes experiências a respeito da história. Cabe ao professor organizar as diferentes possibilidades de trabalho.
Há algumas semanas, ao comemorar seu quarto aniversário, o Museu da Música em Timbó, (e para quem não sabe, vale a pena lembrar que em Timbó temos um museu dedicado à música, único em seu estilo no Brasil), possibilitou aos alunos da Escola Clara Donner, da qual o autor que vos escreve é professor de história, uma experiência única. Através do trabalho do pastor Hans Hermann Ziel (coordenador), Adriana P. D. Becker (responsável pela oficina do museu), Cleonice R. G. Lacerda (responsável pelo centro de documentação), Bruna Hedler (estagiária) e de vários professores da Fundação Cultural de Timbó os alunos, ao visitarem o museu, tiveram a oportunidade de, além de ver instrumentos guardados em caixas de madeira e vidro, ouvir música. Acomodados em meio a instrumentos antigos, os alunos estavam literalmente hipnotizados pela música de qualidade proporcionada pela orquestra do maestro Hans Hermann Ziel, que intercalava as canções com explicações a respeito do processo de fabricação e da história dos instrumentos que tocava. Ouvia-se, via-se, tocava-se e isto tudo despertava no grupo um emaranhado de sentimentos que pode ser chamado de aprendizado. E para aqueles que podem estar pensando, mas os jovens não gostam de música de orquestra, experimentem levá-los ao museu da música ou a qualquer outro lugar em que eles possam experimentá-la.
Quando falamos de apreender história estamos falando de algo que pode ser ouvido, visto, tocado, enfim, percebido de diferentes maneiras se os museus estiverem dispostos a proporcionar estas experiências a seus visitantes serão sim um bom lugar para apreender história. Afinal, que lugar pode proporcionar a experiência de todos estes sentidos senão o museu? Agora, se continuarem a ser os locais onde repousa a história, exalarão eternamente o cheiro de velho, pois a história enquanto dorme transpira a mofo. E é justamente este cheiro de mofo que incomoda os alunos, que limita o trabalho dos professores. Aquilo que mofa está se deteriorando, assim como aquelas identidades estáticas, aqueles monumentos históricos esquecidos. Os museus até podem ter o cheiro de coisas velhas, mas se estiverem em movimento irão germinar em uma série de experiências de aprendizado proporcionadas àqueles que os visitam, em especial nossos alunos.
Com a desculpa de “preservar o passado” as pessoas acabam por condená-lo ao esquecimento. Enquanto historiador, adoro o cheiro de coisas velhas, mas sei que nem todos são historiadores e que principalmente para os jovens o cheiro de velho não é muito agradável, mas também enquanto historiador adoro o movimento, a dinâmica da história. Ao encenar a história, ao colocá-la em movimento, damos vida a ela, damos a ela a possibilidade de ser interpretada, de ser imaginada. Estamos assim transformando um espaço qualquer em um espaço de aprendizado.

Fabrício Adriano
historiador e professor da rede pública estadual.
e-mail: adrianoblu@pop.com.br