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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Testemunho do ator Cleiton Rocha


Por Cleiton Rocha

Lembro da minha pequena frigideira. E aquela colher que amassava o fundo da pobre panelinha. Enfim, eu tinha feito barulho. Não eu, propriamente, nem todo mundo. Mas estávamos lá sem poder esperar mais deles. E esperávamos muito. Tanto que até a fundação estava a despencar, não está mais, já demoliram. Só nos restaram as goteiras do Carlos Jardim, mas lá, lá é o recinto da ordem. A ordem foi inventada antes ou depois das panelas? De qualquer jeito, naquele dia, depois das panelas a ordem assumiu sua identidade. Fomos todos nos reunir como bons cidadãos contentes em exercer suas virtudes cívicas, dialogar na construção de uma cultura coletiva no espaço de atuação política da arte que transcende fronteiras e pode até dizer sobre a vida real às vezes! Falamos, falamos muito, gritamos também, lembro. Até rimos inclusive. Tudo bem, muitos choravam. Mas ninguém mentiu, não conseguiam. Nem nós, ricos cidadãos! Nem eles, esfarrapados do Estado. Afinal, havia abandono, e havia panelas. Até as panelas foram acusadas de desordem. Não havia ordem, mas havia honestidade. Ainda bem que somos honestos, ainda bem que não somos panelas.
Testemunho que as colheres foram as culpadas, eu as vi batendo nas panelas, as panelas ficaram furiosas e acusaram a Fundação Cultural de negligência, os donos das panelas as silenciaram e resolveram conversar, mas a ordem deve ter ficado surda, e achou um desacato da panela reclamar da colher que bate. Ou não foi assim, mas não foi o nada.

Que cultura é essa?

Por Rodrigo Ramos

A escritora Clarice Lispector proclamou certa vez: Porque há o direito ao grito. Então eu grito.
Ao ler a edição do SANTA de 18/19 de junho tomei conhecimento de que a jornalista e produtora cultural Aline Assumpção está sendo processada pela senhora presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Marlene Schlindwein pelo crime de desacato.
Me causa estranheza o fato da indignação do movimento cultural em ficar assustada com tamanha atitude tomada pela “Dona Marlene”.
A presidente da FCBLU entra para a “história da cidade”, como a pior gestora cultural de todos os tempos.  Isso noticiado pelo SANTA e por tantos outros veículos midiáticos. O total despreparo no que tange ao diálogo pode ser sentido nas ações tomadas por esta senhora. Ninguém consegue entender como diante de tantas reclamações a mesma ainda permanece no cargo. É bem provável que, ao publicar este artigo, seja eu também intimado a responder processo na justiça.
Por isso, uso Clarice Lispector. A cultura em Blumenau nunca gritou tanto como antes. O posicionamento de Aline Assumpção é apenas o grito latente por uma gestão cultural eficaz, bem diferente do modelo atualmente apresentado.
Qualquer indivíduo tem a possibilidade de se manifestar, de buscar e receber informações, independentemente de sofrer pressões ou ameaças.
Não se justifica qualquer posicionamento de restringir a liberdade de expressão, ainda mais dentro da atividade cultural onde nenhuma autoridade pode limitar a liberdade de expressão de forma arbitrária.
Cultura se faz com liberdade, sensibilidade, promovendo a cidadania. É nela que está inserida o espaço de transformação social.
Se o posicionamento de Aline incomoda a gestão pública é sinal de que alguma coisa, como diria Caetano, está fora da ordem...

Rodrigo Ramos
Professor – Jornalista - Produtor Cultural 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Minha saída do conselho municipal de cultura de Blumenau

Por Márcio Jose Cubiak

Solicitei, há dois meses atrás, mais ou menos, minha saída do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau. Neste momento, reitero minha saída, fazendo exposição de motivos. Foram 14 meses bastante importantes para minha experiência de vida. Uma boa arena para entender alguns caminhos trilhados no passado e indicativo de alguns bons caminhos para o futuro. Mas um futuro em que exista gestores municipais capazes de dar conta da complexidade e das oportunidades da área, bem como da existência de um campo artístico-cultural que seja atuante.


1)       Está ficando cada vez mais claro para minha pessoa que Blumenau não tem um campo artístico e cultural capaz de ir além da demanda. Demandar tem sido fácil. A internet ajuda a dar caminhos, a comunicar o que outros estão reivindicando. Mas isso não basta. Se o campo artístico-cultural não existe, a demanda acaba não reverberando, não encontrando legitimidade alguma. O campo artístico-cultural de Blumenau começou nos anos 1970, com o Bell e toda sua mobilização. O campo começou sua organização, mas eu ainda não entendi o porquê, depois da metade dos anos 1990, começa a se desarticular. Veja, nas várias edições da conferência municipal de cultura, todas as pessoas participantes assinaram como indivíduos. Nós não temos a participação firme e forte de associações, de empresas do setor, de manifestações culturais do município. A gente tem um monte de pessoas. Só isso. Políticas públicas de cultura só com campo formado, atuando e buscando se fortalecer. Ai está o desafio atual.
2)     *  Depois de tudo pelo que passamos nos últimos anos, a presidente da Fcblu fez-me perder totalmente a paciência depois de “errar” sobre o mecenato e não retirar a Aline do processo de “desacato”. Isso mostra quão despreparada se mostra essa senhora representante das mulheres da elite blumenauense (mulheres maçons, OASE, Rotarys e todos esses demais clubes de serviço). Pode até bem representá-las, como pessoa política, mas como gestora, Marlene Schlindwein não tem cacife algum. Pode até ser bem intencionada, como dizem uns trabalhadores lá de dentro da fundação. Mas isso não basta. Marlene foi capaz de não entender uma informação sobre seu próprio orçamento, no caso do mecenato e; no caso da Aline, não a considerar uma conselheira, uma vez que não houve desacato.  A única coisa pela qual trabalharei, em relação a Fundação, é pela saída de Marlene. Melhor seria solicitar uma grande auditoria de suas contas, fechar a Fundação e recomeçar do zero.
3)      Isso porque sem efetividade, ou seja, sem o poder público absorvendo e executando as reivindicações dos participantes das várias edições da conferência de cultura, não teremos mais a participação de ninguém. Nós temos, em demasiado número, apenas demandadores. Nada mais do que isso.
4)     Algumas vozes autoritárias me perseguiram e me ameaçaram fisicamente. Gente que já fez isso.  Sempre achei o conselho um lugar de embates, mas não um ringue de boxe. Esses autoritários não têm nada a perder, nem a ganhar. E não são agentes do caos, não! O caos é criativo. Eles representam apenas o autoritário. Essas vozes conseguiram minar parte da minha legitimidade, através da baixeza e da fofoca, como representante da “sociedade civil”, seja lá o que isso representa.
5)   Por fim, minha própria situação pessoal. Estou numa fase de transição. Nos últimos 08 anos estive ligado a cultura, nunca como artista, mas como animador, gestor, produtor e militante cultural. Agora, passo ao momento de ser pesquisador, lugar onde quero permanecer. Estou escrevendo minha dissertação de mestrado, onde trabalharei a arena da conferência municipal de cultura e a convergência de territorialidades em torno de políticas públicas. Vou abordar o campo cultural de Blumenau e suas tensões. Desta forma, acho melhor não ser vinculado ao conselho.

Um grande abraço!

terça-feira, 14 de junho de 2011

enc.: vamos conferenciar / conferir

No próximo dia 18 de junho - sábado das 14h às 19h, no Auditório da FURB - Bloco "J", o Conselho Municipal de Cultura de Blumenau promoverá a primeira Conferência Setorial de Música; Artes Cênicas; Cinema, Fotografia, Vídeo; Literatura; Artes Gráficas; Artes Plásticas; Folclore, Cultura Popular e Artesanato; Patrimônio Cultural; Biblioteca; Arquivo, Pesquisa e Documentação; e, Dança, para juntos traçarmos os caminhos da produção cultural em Blumenau.

Na oportunidade será apresentado também o relato dos projetos de Lei: Sistema Municipal de Cultura e Plano Municipal de Cultura. Criação do Sistema Municipal de Apoio à Cultura constituído pelo Fundo e Mecenato.

Cronograma:
14 h - Abertura Auditório da Furb - bloco "J" - Apresentação dos projetos de Lei: Sistema Municipal de Cultura e Plano Municipal de Cultura. Criação do Sistema Municipal de Apoio à Cultura constituído pelo Fundo e Mecenato.
14h45min - Distribuição dos Grupos nas Setoriais
15h Inicío dos trabalhos das Setoriais
17h - Plenária - apresentação dos resultados das demandas
18h - Encerramento
19h Apresentação do Espetáculo: Vão, Desvio e Varanda apresentado pelos alunos da 7ª Fase de Bacharelado em Teatro da Furb.

Sua participação é muito importante! Venha e traga suas propostas.

Jamil Antônio Dias
Presidente do Conselho Municipal de Cultura

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ajude a elaborar o Plano e o Sistema Municipal de Cultura de Blumenau

Convite


Prezados Conferencistas:


Aconteceu no dia 7 de dezembro nas dependências do Teatro Carlos Gomes a reunião ordinária do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau.
Na oportunidade, o Conselho realizou a avaliação da 5ª Conferência Municipal de Cultura de Blumenau.
O grande mérito coube ao amadurecimento das idéias propostas e a forma comprometida com que os conferencistas trabalharam os temas apresentados.
Assim, temos a grata satisfação de convidar os interessados para integrar o Grupo de Trabalho para discutir  o Plano Municipal de Cultura de Blumenau e o Sistema Municipal de Cultura.

Cronograma

Inscrições:  via e-mail acaocultural@fcblu.com.br até o dia 16 de dezembro;
Reunião preparatória: 20 de dezembro às 9h da manhã;
Local: Fundação Cultural de Blumenau – Auditório Carlos Jardim

Contamos a sua colaboração.


Atenciosamente


Marlene Félix Schlindwein                                       Noemi Kellermann
Presidente da FCB                                                         Presidente do CMC

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Orçamento de Cultura?

O Diário Catarinense publicou hoje (16/11), as previsões orçamentárias para 2011 das cinco maiores cidades de Santa Catarina. A LOA (Lei Orçamentária Anual) de Blumenau prevê R$ 1,3 bilhão no próximo ano, o maior aumento entre as cidades analisadas. Blumenau espera arrecadar quase o mesmo que Florianópolis.

No entanto, a descrição do orçamento por secretarias e fundações foi decepcionante. A Fundação Cultural e a Faema possuem os menores valores, com R$ 3,3 milhões e R$ 2,4 milhões, respectivamente.

A Prefeitura de Blumenau parece mesmo, pouco interessada na Cultura. A Fundação terá R$ 0,25%  do total orçado para a cidade, aparecendo atrás inclusive do setor de Comunicação, que tem previstos R$ 5,1 milhões.

Para ter uma noção da MISÉRIA que está sendo prevista para as artes, em Jaraguá do Sul, a Fundação de Cultural deles tem orçado para 2011, R$ 4,6 milhões. Isso que o orçamento total da cidade é de R$ 370 milhões, quase quatro vezes menos que Blumenau.

Os números devem refletir no Fundo Municipal de Cultura, que foi de R$ 400 mil este ano (enquanto Jaraguá do Sul teve R$ 750 mil). A lei atual diz que o Prefeito deve investir entre 0% e 20% do orçamento da autarquia no fundo. Isso mesmo, 0%.

Em Jaraguá do Sul, uma lei aprovada em 2007, exige um mínimo para o fundo, de 9,8% das receitas correntes. Por aqui, não temos essa garantia. Se um prefeito não quiser colocar nada, não coloca.
Citamos o exemplo de Jaraguá do Sul por ser uma cidade que tem a metade da população de Blumenau, e que é administrada pelo mesmo partido que governa a nossa cidade. O problema não está na sigla e sim no interesse pela Cultura. Itajaí e Joinville também possui valores muito mais altos no fundo para o setor.

O assunto deverá ser discutido nesse final de semana, na Conferência Municipal de Cultura.


(Giovani Ramos)

Extraído de http://controversas.com/2010/11/o-vergonhoso-orcamento-da-cultura/

Notas de Repúdio tiradas na 5ª Conferência Municipal de Cultura de Blumenau


As notas de repúdio tiradas na 5a Conferência Municipal de Cultura serão, ficarão, mais uma vez, restritas a artistas (os interessado não só em financiamento e próprio umbigo), produtores culturais (cada vez mais desmotivados) e alguns integrantes da comunidade interessada em artes e Cultura?


Kleinubinho...seu traste, né?  mandou pra conferência o vice-prefeito-decorativo Ave Rufinus (do tipo Avé César, ok?) para falar asneiras...Sacaninha esse  prefeito, CEO de muiiiiitas empresas Blumenauenses como Shoppings Centers e empresas do ramo do esgoto....


Se eu não fosse assim, meio ateu, desejaria que essa tchurma queimasse no fogo do inferno. Mas como sou...sugiro prefeito e vice visita ao OTORRINOLARINGOLOGISTA para tratar da surdez... 



NOTA DE REPÚDIO


                A 5ª Conferência Municipal de Cultura de Blumenau realizada nos dias 19 e 20 de novembro de 2010 aprova por unanimidade nota de repúdio ao Executivo Municipal, ao Prefeito João Paulo Kleinubing e o vice-prefeito Rufinus Seibt pelos sucessivos descasos com que têm tratado a cultura e a arte no município de Blumenau, pelo sucateamento do estrutura pública, pela ausência de políticas públicas voltadas para a cultura, pela falta de investimentos, e pela ausência de diálogo e providências mediante as subsequentes  reinvindicações e manifestações de descontentamento da classe artística e da sociedade blumenauense.
                 A  Cultura é  um direito fundamental do cidadão, cabendo ao Estado ser o principal agente de fomento e socialização. Não existe desenvolvimento social e econômico, sem o desenvolvimento humano.

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NOTA DE REPÚDIO

                A 5ª Conferência Municipal de Cultura de Blumenau realizada nos dias 19 e 20 de novembro de 2010 aprova por unanimidade nota de repúdio ao Legislativo Municipal que, além de ter demonstrado frequente descaso e falta de compromisso com a cultura, manifesta agora interesse em tomar o prédio da Fundação Cultural de Blumenau - a " Casa" da  cultura no município, um dos poucos espaços públicos destinados as manifestações e  atividades artísticas - para instalação da sua propria sede, a Câmara dos Vereadores.
                A  Cultura é  um direito fundamental do cidadão, cabendo ao Estado ser o principal agente de fomento e socializaçao. Não existe desenvolvimento social e economico, sem o desenvolvimento humano.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

POLÍTICAS PÚBLICAS : Conferência discute cultura

Hoje e amanhã serão dias de traçar os planos para o futuro da cultura em Blumenau. A 5ª edição da Conferência Municipal de Cultura vai discutir o cenário atual e decidir as políticas culturais para a cidade nos próximos 10 anos. O tema que norteia o encontro é Plano Municipal de Cultura de Blumenau: A Cidade que Queremos.

A conferência ocorre na Furb, no auditório do Campus 1, Bloco J. Hoje, o encontro começa às 19h30min e no sábado ocorre durante o dia todo. As discussões terão foco em três pontos: legislação, políticas e ações culturais e equipamento culturais. A programação é aberta à comunidade e tem como objetivo unir sociedade civil e governo municipal na formulação dos objetivos.


Serviço
5ª Conferência Municipal de Cultura - No auditório do Campus 1 da Furb, Rua Antônio da Veiga, 140, Victor Konder, Bloco J. Sexta-feira, 19h30min, e sábado, das 9h às 17h. Entrada franca.
Programação
Hoje, 19h30min
- Mesa-redonda Plano Municipal de Cultura: A Cidade que Queremos - com Silvestre Ferreira, André Pinto e Teresinha Heimann.
Amanhã, das 9h às 17h
- Apresentação sobre ações do Conselho Municipal de Cultura em 2010, Sistema Municipal de Cultura e Plano Municipal de Cultura
Grupos de Trabalho
- Legislação Municipal de Cultura
Moderador: André Pinto
- Políticas e Ações Culturais
Moderador: Silvestre Ferreira
- Equipamentos Culturais: Espaços, Tecnologia e Recursos Humanos
Moderadora: Teresinha Heimann

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Jornal de Santa Catarina | 19/11/2010 | N° 12101

http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,3113562,15929



terça-feira, 28 de setembro de 2010

o investimento do poder público estadual na cultura brasileira:

Bem bacana essa pesquisa. É sobre investimentos estaduais em Cultura.

Gastamos, em SC, apenas 0,43% em Cultura (2010). Enquanto isso, existem 09 outros estados na nossa frente. Os três maiores gastadores em Cultura são os estado do Amazonas (1,75% de todas as despesas pagas estavam ligadas a cultura); Maranhão (1,61%) e Distrito Federal (1,25%). Perdemos para o Paraná, aqui na região Sul, mas ganhamos de lavada na gestão da Yeda no RS (0,13%).

Entre 2009 e 2007, SC diminuiu seus investimentos em cultura na ordem de 13%. No mesmo período, diminuiu seu gasto com cultura na ordem de 23%.

Em termos de investimento per capita, o DF apresenta o maior valor, com R$ 39,00; seguido pelo Acre (R$ 38,00), Amazonas (R$ 30,00) e depois São Paulo (R$ 17,00). Santa Catarina investiu R$ 9,00 per capita em 2009; R$ 7,00 em 2008 e R$ 11,37 em 2007.

A região Sul apresenta dados abaixo da média nacional em todas as questões.

Veja todas as informações AQUI.

Esta pesquisa tem todos os créditos ao Partido da Cultura, movimento em prol da reflexão e da ação na área de cultura. Seguir Partido da Cultura no Twitter: @partidocultura

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Carta do Conselho Municipal de Cultura ao Prefeito de Blumenau

Carta do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau  protocolada nesta segunda feira , 26 de julho de 2010 para o Sr.Prefeito João Paulo Kleinubing . A mesma carta foi entregue também para o Sr. Marcel Hugo, Secretário de Finanças, em reunião para tratar-se da proposta da FCBlu para o orçamento de 2011, acompanhando Neusa Muller - Diretora Administrativo Financeira e Marlene Schlindwein - Presidente da Fundação Cultural de Blumenau. A presidente do CMCBlu,  participou no  primeiro momento com uma fala  introdutória e explicativa sobre a postura , atitude e decisão do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau como resposta a responsabilidade para com a comunidade artístico cultural  e  apoiando a reivindicação da FCBlu ref. a ampliação de recursos financeiros.

A carta do CMCBlu assinala também a necessidade de encontrar-se resposta e atendimento para  outros aspectos , motivo pelo qual  anunciamos a solicitação de próximo encontro com o Sr. Prefeito para dar continuidade ao diálogo direto.



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Blumenau 26 de julho de 2010.

Exmo Sr.
João Paulo Kleinübing.
Prefeito Municipal de Blumenau
NESTA

Em nome da classe artística, entidades e da sociedade blumenauense, das quais somos representantes como Conselheiros Municipais de Cultura,  e assumindo a responsabilidade a nós delegada, pedimos sua especial atenção às dificuldades que a Cultura e Arte vem enfrentando em nosso município nos últimos anos.

     Blumenau, uma cidade com elevado IDH, caso tenha  como objetivo de ser referência em qualidade de vida, em turismo, em negócios e desenvolvimento, precisa estar mais atenta ao aspecto cultural, forte indicador (e também motor) do desenvolvimento social.

     Quando comparada à Fundação Municipal de Desporto, a Fundação Cultural de Blumenau recebe significativamente menos recursos destinados pelo município (praticamente metade) sendo que ambos tem a mesma relevância social, e são igualmente assegurados pela constituição federal como direito do  cidadão.

     Se comparado aos municípios vizinhos, de semelhante porte, Blumenau está tristemente atrás. Itajaí destinou R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ao Fundo Municipal de Cultura em 2010;  Jaraguá do Sul, R$ 750.000,00 (com apenas 108.489 habitantesmenos da metade de Blumenau).

     As diferenças não são apenas numéricas, mas também qualitativas. As Fundações Culturais vizinhas tem corpo técnico efetivo e qualificado, o que garante a melhor aplicação dos recursos. Estes são apenas alguns dos tantos aspectos, que poderíamos discutir, num momento apropriado dos quais necessitamos discutir em reuniãoque aguardamos ser agendada.

     Diante deste cenário, e todas as dificuldades que vem sendo levantadas pela classe artística e cultural, amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, pedimos sua especial atenção à Fundação Cultural de Blumenau, seu orçamento e funcionamento.

     Com relação ao orçamento anual, solicitamos que seja ampliado o recurso destinado à FCBLU para  pelo menos  R$ 5.736.767,64 (cinco milhões, setecentos e trinta e seis mil setecentos e sessenta e sete reais e sessenta e quatro centavos).

     Sobre o Fundo Municipal de Apoio a Cultura de Blumenau, lembramos  que durante campanha eleitoral o Senhor prometeu, em evento promovido por este Conselho, na Câmara Municipal de Vereadores, ampliar os recursos financeiros para o Fundo Municipal de Apoio a Cultura para R$ 900.000,00 ( novecentos mil reais) até o final do mandato.

     Diante disso sugerimos que, considerando os dois anos restantes de mandato, o incremento seja feito em duas parcelas: R$ 250.000,00 para 2011 e R$ 250.000 para 2012 – ficando respectivamente os valores de R$ 650.000,00 e R$ 900.000,00 nos próximos dois anos.

     Além de recursos, solicitamos a abertura de Concurso para profissionais efetivos, com qualificação e conhecimento na área, para garantirmos a adequada aplicação do investimento feito pelo município e a continuidade evolutiva qualitativa das ações implementadas.

     Estamos à disposição para maiores esclarecimentos e para trabalharmos juntos na construção de novas e ainda melhores políticas culturais.
  
   Atenciosamente

Conselheiros do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau (2010-2011) Alfredo Scottini, Aline Assumpção, Carla Fernanda da Silva, Dieter Walter C. Berner, Elisete Beck, Jamil Antônio Dias, Klaus Heinrich Georg Rehfeldt, Márcio José Cubiack, Melita Bona, Monalisa Budel, Noemi da Silva Kellermann, Rolf Geske,  Rosana Renata dos Santos Dominguez, Silvio José da Luz, Sueli Maria Vanzuita Petry, Terezinha de Jesus Manczak ,Vânia Barroso Guedes.

Noemi Kellermann                                                           Jamil Antônio Dias
Presidente do Conselho Municipal                                 Vice- Presidente CMC
De Cultura de Blumenau  




VISITE O BLOG DO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA: www.culturablumenau.blogspot.com

domingo, 13 de junho de 2010

Um poema de Eduardo Alves da Costa

No Caminho, com Maiakóvski


Eduardo Alves da Costa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer
or andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cultura e os enlaces contemporâneos

A esfera da cultura é do domínio dos símbolos e a noção de desenvolvimento pertence ao domínio da racionalidade. Enquanto a primeira é constitutiva da sociedade, a segunda é datada historicamente, sendo intrínsecas as sociedades modernas e suas dinâmicas internas e relações com o mundo. O vinculo entre Cultura e Desenvolvimento é decisivo, na medida em que o segundo é influenciado pelo primeiro e vice-versa, gerando a diversidade cultural e as várias interpretações sobre o desenvolvimento (ORTIZ, 2008).
Na contemporaneidade, a Cultura assume lugar central nas discussões acerca do Desenvolvimento. Se em função do processo de acumulação a Cultura foi se desvencilhando da Religião até a constituição de um “campo cultural” próprio nas dinâmicas da modernidade, atualmente ocorre um fenômeno chamado de “transbordamento da cultura” para outros campos do conhecimento que refletem sobre o desenvolvimento como a Economia, a Ciência e Tecnologia, a Política, etc.

cultura e os enlaces contemporâneos
Neste sentido, as discussões em torno da Cultura mobilizam duas premissas ou porque não, promessas: de um lado, estudiosos apontam para o deslocamento da centralidade do geopolítico e geoeconômico para o foco geocultural. Da mesma maneira, conforme Samuel Huntington, a crescente importância da Cultura nas relações cotidianas e internacionais levará ao “choque de civilizações”. A idéia desse conflito surge nos anos 1970, sendo logo deixada de lado. Ainda assim, com os ataques terroristas aos EUA em 11 de setembro de 2001, esta abordagem é recolocada em cena. Porém, comungo da idéia de que o choque entre diferentes sociedades é fruta da desigualdade de acesso aos bens e serviços públicos e não das diferenças culturais.
Diante disso, encaro a “transbordamento da cultura” como o diálogo transdisciplinar no qual a Cultura passa a ocupar centralidade para além das fronteiras do seu “campo”, estabelecendo enlaces e constituindo conjunções (LOIOLA&MIGUEZ, 2007).
Podemos apontar alguns enlaces principais:
a) Politização da Cultura: disputas em torno de visões de mundo e pela hegemonia e direção intelectual e moral de uma sociedade.
b) Culturalização da Política: os candidatos a cargos executivos de todas as três esferas governamentais estão sendo obrigados pelos seus eleitores a tocar em assuntos culturalmente relevantes para suas sociedades, aborto, união civil de pessoas do mesmo sexo, descriminalização e legalização das drogas e uso de símbolos religiosos em repartições públicas, por exemplo;
c) Tecnologização da Cultura: a cultura transborda também para as tecnologias contemporâneas, através da reprodução técnica de textos/imagens/sons como o cinema e a fotografia; ou pelo surgimento do ciberespaço e, ainda, pela produção de bens simbólicos em torno da Indústria Cultural;
d)    Reterritorialização da Cultura; pode-se constatar o conceito de cultura na criação de espaços macro-regionais, como a Organização dos Estados Latino Americanos – OEA. Outro fator importante para a ampliação da importância conceitual da cultura no Território são os fluxos migratórios, geradores de hibridização de estilos de vida e de formas sociais.
e)   Cultura e Economia: neste caso podemos apontar a convergência entre ambas através da Economia da Cultura ou Economia Criativa, cada vez mais presentes nas estratégias de desenvolvimento e que abrange a produção, a circulação e o consumo de bens simbólico-culturais.
f)  Culturalização da Mercadoria: o crescente papel dos elementos simbólicos na determinação do valor da mercadoria.
O que considero como Cultura? Existe uma polissemia de significados em torno do conceito de cultura e essa a multiplicidade das definições acompanha a diversidade de interesses institucionais. Se o assunto for tratado por um antropólogo, estaremos diante de explicações que levam em conta aspectos simbólicos dos universos sociais. Porém existem consensos, necessária para a operacionalização do conceito e a aplicação em pesquisas e políticas públicas.

Podemos indicar:


a)  Recusa do Determinismo Biológico;
b)  Recusa do Determinismo Geográfico;
c) Cultura é uma construção histórica a partir da existência de relações entre os grupos humanos, sendo apreendida socialmente, carregando significados, convenções, mentefatos e artefatos que tornam inteligível a vida em grupo;
d)   A percepção de que a Cultura tem natureza dinâmica, mutável e plural e;
e) A pluralidade e a diversidade cultural não se compadecem de lógicas hierarquizantes, sendo esses resultados do etnocentrismo (não há cultura melhor ou pior).
Neste sentido, este artigo trilha a opção apresentada pela professora Isaura Botelho, que aponta para duas dimensões da cultura, igualmente importantes, e fundamentais para uma delimitação de estratégias de desenvolvimento com sustentabilidade: uma mais abrangente de cunho antropológico,
Na dimensão antropológica, a cultura se produz através da interação social dos indivíduos, que elaboram seus modos de pensar e sentir, constroem seus valores, manejam suas identidades e diferenças e estabelecem suas rotinas. Desta forma, cada indivíduo ergue à sua volta, e em função de determinações de tipo diverso, pequenos mundos de sentido que lhe permitem uma relativa estabilidade. (...) Aqui se fala de hábitos e costumes arraigados, pequenos mundos que envolvem as relações familiares, as relações de vizinhança e a sociabilidade num sentido amplo, a organização dos diversos espaços por onde se circula habitualmente habitualmente, o trabalho, o uso do tempo livre, etc. Dito de outra forma, a cultura é tudo que o ser humano elabora e produz, simbólica e materialmente falando. (...)
E uma mais restrita, de campo cultural num âmbito mais especializado (BOTELHO, 2001).
A dimensão sociológica não se constitui no plano do cotidiano do indivíduo, mas sim em âmbito especializado: é uma produção elaborada com a intenção explícita de construir determinados sentidos e de alcançar algum tipo de público, através de meios específicos de expressão. Para que essa intenção se realize, ela depende de um conjunto de fatores que propiciem, ao indivíduo, condições de desenvolvimento e de aperfeiçoamento de seus talentos, da mesma forma que depende de canais que lhe permitam expressá-los. Em outras palavras, a dimensão sociológica da cultura refere-se a um conjunto diversificado de demandas profissionais, institucionais, políticas e econômicas, tendo, portanto, visibilidade em si própria. Ela compõe um universo que gere (ou interfere em) um circuito organizacional, cuja complexidade faz dela, geralmente, o foco de atenção das políticas culturais, deixando o plano antropológico relegado simplesmente ao discurso (BOTELHO, 2001, p.74)
Desta forma, a noção de cultura é, atualmente, fundamental para se refletir e entender as dinâmicas socioeconômicas dos territórios, para a elaboração de estratégias de preservação de comunidades tradicionais, para a redefinição dos padrões de produção e consumo nas sociedades, enfim, para a refundação do conceito de Desenvolvimento num sentido multidimensional, baseado no manejo com sustentabilidade dos recursos naturais e humanos.
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ORTIZ, Renato. Cultura e Desenvolvimento. In.: Políticas Culturais em Revista, 1(1), p. 122-128, 2008 – www.politicasculturaisemrevista.ufba.br.
BOTELHO, Isaura. "Dimensões da cultura e políticas públicas", In São Paulo em Perspectiva 15(2, São Paulo: 2001,pp73-83.
LOIOLA, Elizabeth ; MIGUEZ, Paulo . Sobre cultura e desenvolvimento. In: III ENECULT Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, 2007, Salvador. (acesso: 16/04/2010, 22h44m -http://www.cult.ufba.br/enecult2007/ElizabethLoiola_PauloMiguez.pdf)

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Márcio José Cubiak - 47 8835 7202
Cientista Social e Produtor Cultural.
Mestrando em Desenvolvimento Regional.
Conselheiro Municipal de Cultura - Blumenau

http://respublicacultural.wordpress.com/
MSN - mjcubiak@msn.com
TUIT -@marciojcubiak

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Reunião do Fórum SC de Artes Visuais, sexta-feira (21/5), em Florianópolis.


Olá pessoal,

Convidamos a todos e todas que atuam na área de artes visuais em Santa Catarina para participar da reunião do Fórum SC de Artes Visuais, na próxima sexta-feira (21/5), em Florianópolis.

A reunião será no auditório do Museu Victor Meirelles, às 19h30.
Salientamos que é essencial a participação de todos, dos artistas que trabalham nas diferentes cidades do Estado, das associações de artistas, da federação das associações, das universidades e demais instituições que atuam nas artes visuais.

Na página do Fórum (http://groups.google.com.br/group/forum_sc_artesvisuais), em Arquivos (Plano Setorial de Artes Visuais, em PDF), pode ser acessado o Plano Setorial de Artes Visuais, com ações previstas para a atuação do Governo Federal. Tal plano foi elaborado pelos membros do Colegiado Setorial de Artes Visuais do Conselho Nacional de Políticas Culturais, da gestão 2005-2009. Como o documento será revisado pela atual gestão, estamos buscando eventuais sugestões de inclusão e alteração no texto, a discutir na reunião de sexta-feira. Tais sugestões serão levadas à reunião do CSAV, que acontecerá na próxima semana (26 e 27/5), em Brasília, e serão avaliadas pelos demais membros.

O quê: Reunião do Fórum SC de Artes Visuais
Quando: 21/5 (sexta-feira), às 19h30
Onde: Auditório do Museu Victor Meirelles Rua Victor Meirelles, 59 - Centro - Florianópolis - SC

Pauta proposta:

1. Breve relato das atividades do CSAV;
2. Reedição do manifesto do Fórum SC de Artes Visuais, com prioridades do setor, a ser entregue a todos os candidatos a governador;
3. Encaminhamentos sobre o abaixo-assinado de repúdio à implantação da Escola de Belas Artes de Florença;
4. Encaminhamentos sobre a atual situação da Fundação Catarinense de Cultura;
5. Sugestões de alterações e inclusões para o Plano Setorial de Artes Visuais, do Conselho Setorial de Artes Visuais, do Conselho Nacional de políticas Culturais.

Favor repassar este email a outros artistas de suas listas de email pessoal.
Esperando revê-los na reunião, enviamos um cordial abraço!


Charles Narloch
Membro do Colegiado Setorial de Artes Visuais (CSAV) - Representante da Região Sul
Joinville - SC
(47) 8402-6294
(47) 8413-9284

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Vem ai, nova proposta de Conselho Municipal de Cultura

Vem por ai a nova proposta de Conselho Municipal de Cultura para Blumenau

O conselho municipal de cultura reuniu-se hoje, dia 15 de abril, cheio de empolgação. Como conselheiro, acho que é realmente bacana registrar isso porque ontem, dia 14, houve a triste e melancólica reunião com a Presidência da Fundação Cultural de Blumenau, cujo tema foi Salão Elke Hering e outros tópicos como a ausência de políticas culturais no município. Empolgação porque estamos cada vez mais conscientes da importância de trabalhar na implementação das deliberações das conferências municipais de cultura.

A pauta foi pesada: iniciamos a produção da nova minuta para Projeto de Lei que altera o Conselho Municipal de Cultura, atribuindo-lhe outro nome (Conselho Municipal de Políticas Culturais), além de especificar novas atribuições em consonância com o atual debate (local, estadual, nacional e internacional) sobre políticas culturais, especialmente a respeito do Sistema Nacional de Cultura.

O novo desenho de conselho que começa a ser traçado incorpora anseios da classe artística organizada em torno das quatro edições de Conferencia Municipal de Cultura, como a necessidade de serparitário, isto é, ter representação equilibrada entre poder público e sociedade civil e, também, na transformação do órgão de consultivo para o caráter deliberativo.

No que se refere ao tema paridade, busca-se reverter o desequilíbrio entre a representação da prefeitura e os indicados pelos segmentos, produtores, artistas e comunidade. Atualmente, dos 17 integrantes, seis são eleitos democraticamente na conferência de cultura pela sociedade civil, sendo os demais conselheiros indicados pelo executivo municipal sem consulta ao povo das Artes e da Cultura.

Somente um conselho com atribuições deliberativas pode coordenar um processo democrático e participativo de desenvolvimento cultural regional. O atual mecanismo legal que regula o conselho é refém das limitações de ser um órgão consultivo. A intenção, com o caráter deliberativo, é permitir a gestão compartilhada das ações culturais em prol do interesse coletivo. Os temas que estão chegando a este conselho são cada vez mais complexos e são oriundos de demandas de uma sociedade civil cada vez mais informada e articulada em rede. Com um conselho que delibera sobre estas demandas, por mais dolorosas que estas sejam para as administrações municipais, pode levar à incorporação destas demandas como políticas de Estado, passando de gestão a gestão sem descontinuidades.

A reunião de hoje não conseguiu vencer a pauta. Mas marcamos dois encontros extraordinários para a próxima sexta-feira, 23 de abril, no auditório do SESC (Rua Amadeu da Luz), indo das 09 h até as 18h. É uma atividade aberta, portanto se você quiser participar, apareça!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Resultado (ou não) da Reunião com a FCBLU

Em 14 de abril de 2010 23:09, Rafael Koehler <koehler.r@gmail.com> escreveu:


Olá Pessoal!

Hoje, 14 de abril de 2010, às 17:30h, teve início mais uma manifestação da classe artística e da população de Blumenau em resposta a falta de respeito que estamos sofrendo nesses últimos anos. Panelas, apitos e gritos de “Fundação Velhaca”, “Cadê o Casarão?”; “Fora Marlene”, “Cadê a Escolinha?”, “Paguem o Salão” e “Devolvam os Nossos Braços” ecoavam pela Rua XV de Novembro.
Às 18h, como marcado, tivemos a reunião (que deveria ter acontecido na semana passada) com a presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Marlene Schlindwein para tratar, inicialmente, do não pagamento dos artistas selecionados para o 9º Salão Elke Hering.
A reunião teve início e durante, aproximadamente, duas horas vimos uma “representante” da cultura se justificando, colocando a culpa no jurídico, nas gestões anteriores, na burocracia, nos artistas, etc… Somente após a artista Aline Assumpção falar sobre a desorganização do Edital do 9º Salão, citando algumas das falhas ocorridas, somente depois de não ter para onde fugir, de não ter como culpar outros, a presidente Marlene Schlindwein assumiu que houve falhas durante o processo do 9º Salão, e disse que 21 projetos foram aprovados ontem. Isso mesmo: ONTEM. Após a pressão dos artistas a Fundação reconheceu o seu erro: “Edital errado, sim, horrível”, disse Neusa Muller, diretora administrativa e financeira  
Sobre o fim das atividades do Casarão das Oficinas, ouvimos que a burocracia está atrasando a reabertura do mesmo. Ouvimos também que a Escolinha de Arte não é responsabilidade da Fundação, entre outras milhões de desculpas.
Percebemos facilmente que não é cumprido o que é prometido. Na primeira reunião que nós, artistas, tivemos com a atual presidente, ouvimos a promessa de que ao seu lado, dentro da Fundação Cultural, haveria uma ‘equipe técnica qualificada’. A minha pergunta é: cadê?
Após a reunião de hoje ficou claro que temos uma pessoa não capacitada a estar no cargo que ocupa e que, definitivamente, NÃO REPRESENTA A CLASSE ARTÍSTICA. Diversas tentativas de conversas aconteceram, mas todos os presentes puderem perceber que NÃO HÁ CONVERSA COM A FUNDAÇÃO CULTURAL ATUALMENTE.
Não temos um programa de cultura no governo, não temos um prefeito que escute a população e faça o que é melhor para a cultura. QUEREMOS UMA PESSOA CAPACITADA AO CARGO, QUE LUTE COM OS ARTISTAS PARA MELHORIAS, E NÃO QUE LUTE CONTRA OS ARTISTAS.

Prefeito João Paulo Kleinübing, nós, população e artistas blumenauenses exigimos: DEVOLVA OS NOSSOS BRAÇOS.


Há-braços,

Rafael Koehler
Diretor e Ator Teatral
Movimento Cultural Devolvam os Nossos Braços – Por uma Cultura Inteira

quarta-feira, 14 de abril de 2010

PROTESTO HOJE DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE BLUMENAU!

Semana passada haveria uma reunião com a presidente da Fundação Cultural de Blumenau, Marlene Schlindwein, porém em cima da hora recebemos um e-mail dizendo que a reunião seria cancelada.  Motivo do cancelamento: "problemas pessoais" (quem mais viu ela no Angeloni?).

HOJE, QUARTA, DIA 14
às 17:30h, 
NA FUNDAÇÃO CULTURAL DE BLUMENAU, 
HAVERÁ UM NOVO PROTESTO  

em resposta a falta de respeito que estamos sofrendo nesses últimos anos. 

- Cadê os pagamentos e as respostas do Salão Elke Hering?
- Cadê o Casarão das oficinas?
- Cadê a escolinha de artes?
- Cadê o programa de cultura de seu governo?
- Cadê o aumentos dos repasses e do valor do Fundo?
- Cadê a equipe técnina qualificada que pedimos naquela nossa primeira reunião, logo que a senhora assumiu?
- E o prefeito, cadê ele nessas horas??

Quem quiser se juntar a nós, apareça! 
Traga panelas, tambores, cornetas!
Venha mostrar seu descontentamento com a política cultural de Blumenau!

Há-braços,

MOVIMENTO CULTURAL DEVOLVAM OS NOSSOS BRAÇOS - Por uma Cultura Inteira!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Panelaço na Fundação Cultural




Que pena, a Presidente da Fundação Cultural marcou uma reunião com os artistas e fugiu....
Nós temos muitas perguntas D. Marlene:
- Cadê os pagamentos e as respostas do Salão Elke Hering?
- Cadê o Casarão das oficinas?
- Cadê a escolinha de artes?
- Cadê o programa de cultura de seu governo?
- Cadê o aumentos dos repasses e do valor do Fundo?
- Cadê a equipe técnina qualificada que pedimos naquela nossa primeira reunião, logo que a senhora assumiu?
- E o prefeito, cadê ele nessas horas??

CULTURA NÃO É BRINCADEIRA, É COISA SÉRIA!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Salão Elke Hering - IMBROGLIOS...

Para quem quiser ver
Quem quiser conferir a arte criada em Blumenau, é só chegar na Fundação Cultural e apreciar o que os artistas locais criaram para o 9º salão Elke Hering. É arte contemporânea da boa, quem conhece os artistas participantes sabe. Existem muitas polêmicas sobre a exposição, porém. Enquanto a mídia local critica artistas, público e Fundação sobre a falta de visitantes, os próprios artistas levantam críticas pesadas dizendo que não receberam os pagamentos destinados aos vencedores da mostra. Tem artista mais saidinho falando em panelaço e tocar tambor na frente da Fundação até que alguém resolva o problema.
Não adianta os artistas fazerem a parte deles se a administração cultural não está nem aí.

Aline Assumpção (a vencedora), manda e-mail avisando que a Fundação marcou uma reunião para esta quinta-feira à noite para esclarecer a confusão.

ATUALIZAÇÃO: 08/04 - 14h:
Presidente da Fundação Cultural de Blumenau recém enviou um e-mail cancelando a reunião. O motivo? "Problemas pessoais".

ATUALIZAÇÃO: 08/04 - 14h40:
Um grupo de artistas que participaria da reunião com a presidente Marlene decidiu que se fará presente ao local da reunião mesmo com a ausência da administradora. Utilizarão a reunião na Fundação Cultural para fazer um protesto aberto e direto contra a forma com que a cultura de Blumenau está sendo tratada. Artistas já informaram que levarão panelas e tambores e que quem quiser se unir a eles, deve aparecer às 18h30 na Fundação Cultural de Blumenau.


Cultura abandonada

Nessa mesma tecla, participei de uma discussão muito importante na última terça-feira. Pouca gente sabe, mas além de colunista/jornalista cultural, também sou professor de Radiojornalismo. E em exercício prático com meus alunos da Viax Educação, organizamos uma entrevista coletiva com Márcio Cubiak, cientista social e produtor cultural dos maiores aqui na cidade.

A entrevista que começou morna, falando sobre a profissão dos produtores culturais, logo começou a tomar ares de crítica contra a administração das políticas públicas de cultura em nossa cidade. Márcio mostrou que domina o assunto e não deixou dúvidas: Blumenau merecia um cuidado maior da prefeitura no quesito cultura. Estamos largados ao léu, rezando por algo de bom que possa vir a acontecer.

O que Blumenau precisa no momento é de maior investimento financeiro na cultura local, organização e desburocratização dos projetos para incentivo cultural e, não posso deixar de mencionar, também ficaríamos felizes com alguém que entende do assunto à frente do maior órgão cultural do município.

Fonte: http://www.analiseemfoco.com.br/site/noticia.php?cod=9&sub=20

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Contra a re-colonização cultural...

Prezados colegas,

Divulgo aqui o abaixo assinado (livre para circulação) de repúdio sobre a implantação da Academia de Belas Artes de Florença, da Itália, que o Governo de Santa Catarina pretende implantar na cidade de Joinville, norte do estado.

O Fórum de Artes Visuais de SC tomou esta posição de repúdio, crendo que política pública se faz participativamente e que sanções deste porte são totalmente arbitrárias.

Abaixo reproduzo o texto do abaixo-assinado http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5913 e os links para acompanhar o histórico do assunto na mídia em SC:


Agradeço a todos pela atenção,
atenciosamente,
r.

REPÚDIO AO GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
PELA IMPLANTAÇÃO EM JOINVILLE DA
ESCOLA DE BELAS ARTES DE FLORENÇA DA ITÁLIA.

No último mês de fevereiro de 2010, ao retornar de mais uma de suas viagens à Europa, o então Governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), anunciou a assinatura de um contrato\termo para implantar, no Estado, cinco unidades do Instituto de Belas Artes de Florença, da Itália. As sucursais têm o objetivo de ensinar pintura, escultura e restauração nos moldes da escola italiana. A primeira unidade, na cidade de Joinville, tem o início de suas atividades previstas ainda em 2010.
O fato de Luiz Henrique da Silveira arbitrariamente resolver implantar um Instituto de Belas Artes da Florença no Brasil, em pleno século 21, sem formar uma comissão de debate, sem qualquer análise de viabilidade técnica e conceitual anterior e sem uma consulta à sociedade, vai contra qualquer tipo de diálogo democrático. Deveria-se primeiro buscar saber da sociedade e dos profissionais (professores universitários, artistas, críticos e etc) o que de fato o Estado e sua população necessitam neste campo. 

Defendemos ser imprescindível, antes de uma decisão deste calibre, consultar os interesses e necessidades da sociedade, da comunidade artística, seus profissionais e instituições (universidade, professores de arte, artistas, críticos, etc) a respeito de como pensam e esperam que o Estado possa intervir para contribuir com a real formação  institucional do artista e o aprofundamento de seu pensamento artístico.

O Governo do Estado de Santa Catarina deveria, como fez o Governo Federal através do Ministério da Cultura, ter feito uma chamada pública da sociedade civil para buscar saber dos profissionais que hoje trabalham com Artes Visuais no Estado, o que seria necessário de fato nessa área, em termos de ações eficazes, que possam desenvolver um pensamento crítico e atual da produção artística e sua formação. Ouvindo a comunidade artística saberia que uma ação que poderia, por exemplo atender a demanda cultural no campo do ensino das artes visuais no Estado, seria a implantação do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em outras regiões do  Estado.

Esta decisão autoritária do Governo é mais uma de uma série de ações, de um Estado que vem sucessivamente implantando metodologias européias, ignorando a produção contemporânea local e as características regionais, subestimando a capacidade intelectual e artística dos profissionais, pesquisadores e professores, que vivem e produzem em Santa Catarina, sugerindo uma 'recolonização' cultural. 

Fundamentada nestes argumentos aqui resumidos, a Assembléia Estadual de Artes Visuais de Santa Catarina repudia desde já a iniciativa do Governo do Estado e para isso divulga esta informação e convida os demais artistas, produtores e cidadãos, num exercício de cidadania, a unirem-se a esta moção de repúdio, assinando este documento no endereço http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5913.