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domingo, 29 de janeiro de 2012

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sobre bancos e poesia


Viegas Fernandes da Costa









Foto: Futurapress / Último Segundo
Desde quando plantaram aquele barco na praça, para ali apodrecer ante os olhos de toda gente, percebeu-se que o surreal tomara conta do dia-a-dia dos viventes da cidade e das páginas do jornal. O Vale deu lugar às valas, cerceara-se aos artistas o direito à livre palavra e houve até aquele poeta andarilho, cuja figura incrustara-se à paisagem urbana e os versos manchavam-se no suor de suas axilas, a exilar-se no sonho vendido em terras cariocas. “Triste de um povo que vê migrar para distante seus poetas”, cá pensei chutando pedregulhos. Abandonara-nos a poesia e restara-nos o tecer diário de uma mortalha costurada nos consultórios psiquiátricos. Enganara-me, entretanto. “A coisa não é assim tão definitiva” - percebi-o outro dia nas páginas mesmas do jornal diário: o poema parido do absurdo. “De costas para o Itajaí-Açu” – dizia a chamada na capa – , e a foto de um banco voltado para a estrada.

A possibilidade da poesia a que me refiro não está, entretanto, na inconcebível postura do poder público que há muito nos tenta convencer de uma identidade fabril e febril. Os bancos voltados para a estrada, cujo movimento e velocidade intensos nos martelam a urgência do mundo contemporâneo e seus negócios, e nos imputam culpa por estarmos ali, sentados, quando deveríamos estar esfalfando o melhor dos nossos anos produzindo para consumir, dizem desta cidade doente que um dia acreditávamos jardim. Assim, olhar para o rio configura-se antiproducente. Que discurso anuncia o rio? Este rio que é sempre mutante, este rio que nos diz do deslocamento, este rio que, líquido, não é concreto. Não por acaso, há quem defenda enjaular o rio, serpente sibilante que é.

A possibilidade da poesia a que me refiro está na capacidade de se ver e anunciar o absurdo. Não é pouca coisa reconhecer aos viventes o direito de contemplar o rio, o direito de sentar e compreender que a urgência do mundo contemporâneo e seus negócios não é maior que a urgência da própria vida. A poesia se anuncia no momento em que os significados da posição de um banco em via pública passam a ser tema de debate e ocupam as capas dos jornais. E um povo capaz de ouvir a poesia – e de olhar para o seu rio – é um povo que ainda respira, apesar de tudo!


* Íntegra do texto publicado no Jornal de Santa Catarina, 16/11/2011 por Viegas Fernandes da Costa



quinta-feira, 29 de julho de 2010

Carta do Conselho Municipal de Cultura ao Prefeito de Blumenau

Carta do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau  protocolada nesta segunda feira , 26 de julho de 2010 para o Sr.Prefeito João Paulo Kleinubing . A mesma carta foi entregue também para o Sr. Marcel Hugo, Secretário de Finanças, em reunião para tratar-se da proposta da FCBlu para o orçamento de 2011, acompanhando Neusa Muller - Diretora Administrativo Financeira e Marlene Schlindwein - Presidente da Fundação Cultural de Blumenau. A presidente do CMCBlu,  participou no  primeiro momento com uma fala  introdutória e explicativa sobre a postura , atitude e decisão do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau como resposta a responsabilidade para com a comunidade artístico cultural  e  apoiando a reivindicação da FCBlu ref. a ampliação de recursos financeiros.

A carta do CMCBlu assinala também a necessidade de encontrar-se resposta e atendimento para  outros aspectos , motivo pelo qual  anunciamos a solicitação de próximo encontro com o Sr. Prefeito para dar continuidade ao diálogo direto.



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Blumenau 26 de julho de 2010.

Exmo Sr.
João Paulo Kleinübing.
Prefeito Municipal de Blumenau
NESTA

Em nome da classe artística, entidades e da sociedade blumenauense, das quais somos representantes como Conselheiros Municipais de Cultura,  e assumindo a responsabilidade a nós delegada, pedimos sua especial atenção às dificuldades que a Cultura e Arte vem enfrentando em nosso município nos últimos anos.

     Blumenau, uma cidade com elevado IDH, caso tenha  como objetivo de ser referência em qualidade de vida, em turismo, em negócios e desenvolvimento, precisa estar mais atenta ao aspecto cultural, forte indicador (e também motor) do desenvolvimento social.

     Quando comparada à Fundação Municipal de Desporto, a Fundação Cultural de Blumenau recebe significativamente menos recursos destinados pelo município (praticamente metade) sendo que ambos tem a mesma relevância social, e são igualmente assegurados pela constituição federal como direito do  cidadão.

     Se comparado aos municípios vizinhos, de semelhante porte, Blumenau está tristemente atrás. Itajaí destinou R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ao Fundo Municipal de Cultura em 2010;  Jaraguá do Sul, R$ 750.000,00 (com apenas 108.489 habitantesmenos da metade de Blumenau).

     As diferenças não são apenas numéricas, mas também qualitativas. As Fundações Culturais vizinhas tem corpo técnico efetivo e qualificado, o que garante a melhor aplicação dos recursos. Estes são apenas alguns dos tantos aspectos, que poderíamos discutir, num momento apropriado dos quais necessitamos discutir em reuniãoque aguardamos ser agendada.

     Diante deste cenário, e todas as dificuldades que vem sendo levantadas pela classe artística e cultural, amplamente divulgada pelos veículos de comunicação, pedimos sua especial atenção à Fundação Cultural de Blumenau, seu orçamento e funcionamento.

     Com relação ao orçamento anual, solicitamos que seja ampliado o recurso destinado à FCBLU para  pelo menos  R$ 5.736.767,64 (cinco milhões, setecentos e trinta e seis mil setecentos e sessenta e sete reais e sessenta e quatro centavos).

     Sobre o Fundo Municipal de Apoio a Cultura de Blumenau, lembramos  que durante campanha eleitoral o Senhor prometeu, em evento promovido por este Conselho, na Câmara Municipal de Vereadores, ampliar os recursos financeiros para o Fundo Municipal de Apoio a Cultura para R$ 900.000,00 ( novecentos mil reais) até o final do mandato.

     Diante disso sugerimos que, considerando os dois anos restantes de mandato, o incremento seja feito em duas parcelas: R$ 250.000,00 para 2011 e R$ 250.000 para 2012 – ficando respectivamente os valores de R$ 650.000,00 e R$ 900.000,00 nos próximos dois anos.

     Além de recursos, solicitamos a abertura de Concurso para profissionais efetivos, com qualificação e conhecimento na área, para garantirmos a adequada aplicação do investimento feito pelo município e a continuidade evolutiva qualitativa das ações implementadas.

     Estamos à disposição para maiores esclarecimentos e para trabalharmos juntos na construção de novas e ainda melhores políticas culturais.
  
   Atenciosamente

Conselheiros do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau (2010-2011) Alfredo Scottini, Aline Assumpção, Carla Fernanda da Silva, Dieter Walter C. Berner, Elisete Beck, Jamil Antônio Dias, Klaus Heinrich Georg Rehfeldt, Márcio José Cubiack, Melita Bona, Monalisa Budel, Noemi da Silva Kellermann, Rolf Geske,  Rosana Renata dos Santos Dominguez, Silvio José da Luz, Sueli Maria Vanzuita Petry, Terezinha de Jesus Manczak ,Vânia Barroso Guedes.

Noemi Kellermann                                                           Jamil Antônio Dias
Presidente do Conselho Municipal                                 Vice- Presidente CMC
De Cultura de Blumenau  




VISITE O BLOG DO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA: www.culturablumenau.blogspot.com

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Assembléia Grupo LGBT de Blumenau – Liberdade

ASSEMBLÉIA Grupo LGBT de Blumenau – Liberdade

SÁBADO – 29/05/2010 – 17h
Auditório do SINTRASEB - Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau

Aberto a todos os interessados!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sobre telhados que caem

Sobre telhados que caem
Viegas Fernandes da Costa

“Grande é a cidade quando os arrebaldes do seu espírito vão além dos cumes e dos mares, e quando, pronunciando seu nome, há de se iluminar para a posteridade toda uma jornada da história humana. A cidade é forte e bela quando seus dias não se reduzem à invariável repetição de um mesmo eco.” Retiro a citação do livro “Ariel”, escrito pelo uruguaio José Enrique Rodó em 1900, e apesar dos anos que nos separam do texto, não vejo nada mais oportuno para a Blumenau dos nossos tempos. Rodó escreve ainda que “apenas a extensão e a grandeza material da cidade não podem dar a medida para calcular a intensidade de sua civilização”, e que “soberbas aglomerações de casas são para o pensamento um canal mais inadequado do que a absoluta solidão do deserto, quando não é o pensamento o senhor que as domina”.
Lembrei-me de Rodó porque me ocorreu que não é de shoppings, supermercados e canteiros floridos que se mede a grandeza e a força de uma aldeia e seu povo. Entretanto, e a despeito de toda a tragédia vivenciada em 2008, continuamos pensando como aqueles primeiros imigrantes, cuja miséria expulsou da Europa e empurrou para as margens do Vale do Itajaí. Ainda cremos que precisamos e podemos domar a natureza, que progredimos quando içamos chaminés e expandimos nossa malha urbana, e que só seremos respeitados na medida em que nossa população superar a das demais aldeias do nosso Estado. Queremos ser uma metrópole, mas sequer conseguimos evitar que os telhados da nossa cultura viessem ao chão, assim como não evitamos, em novembro de 1958, que parte da nossa memória se incendiasse.
Se em 2009 tivemos a ausência do Festival Universitário de Teatro, a suspensão do Salão Elke Hering, a interdição do Parque das Nascentes e a degradação do Museu Fritz Müller, o ano cultural em 2010 começou com a queda do telhado da Fundação Cultural e com a nossa Universidade impossibilitada de contratar professores em caráter efetivo. Preocupamo-nos em ampliar nossa visibilidade material, mas enterramos aquilo que nos poderia tornar perenes.
O que Rodó nos ensina é que os pilares da permanência de Atenas não estão nas pedras que edificaram a Acrópole, mas nos bens culturais que daquele solo se projetaram ao mundo. Assim, Blumenau só encontrará seu desenvolvimento sustentável na medida em que investir na constituição e preservação de bens culturais. Preferimos, entretanto, a barbárie.

*Artigo publicado no Jornal de Santa Catarina, 01/02/2010, p. 2.