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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O corpo pornografado

Entrevista concedida a Maicon Tenfen e publicada em seu Blog , escritor e colunista do Jornal de Santa Catarina

Palestra sobre pornografia - 3


Maicon Tenfen


Reitero que às 16h do próximo dia 24, sábado, na sala D-004 da FURB, acontecerá a palestra O Corpo Pornografado, ministrada pelo historiador Viegas Fernandes da Costa (pensei em colocar uma foto dele no post, mas mudei de ideia ao encontrar a imagem ao lado). Abaixo, uma entrevista com o palestrante


1) Como será a palestra no sábado?


A palestra integra uma programação do grupo de estudos Clio no Cio, que vem debatendo a história do corpo em suas diversas manifestações socioculturais. Já aconteceram as palestras a respeito do corpo na moda, do corpo disciplinado e do corpo nas artes plásticas. A última tratará da literatura erótica. A nós coube a tarefa de discutirmos o corpo a partir do cinema pornográfico. Assim, a palestra “O corpo pornografado: recortes da história do cinema pornô” não está descontextualizada, mas integra um debate muito mais amplo. Neste sábado pretendemos olhar para o cinema pornográfico enquanto gênero narrativo, sua caminhada desde os stags do início do século XX até as produções mais recentes, feitas exclusivamente para o vídeo. Juntamente à exposição da história e das possibilidades de compreensão cultural, estaremos exibindo pequenos trechos de filmes pornográficos que nos permitirão perceber as diferentes estéticas empregadas no transcorrer da história do gênero. Como se trata de um tema ainda pouco discutido no Vale do Itajaí (na perspectiva acadêmica), a intenção é introduzir o debate e aventar as possibilidades de olhares sobre a sociedade a partir desse gênero cinematográfico.

2) Mais especificamente, que relações você faz sobre pornografia e sociedade?
O cinema pornográfico (e, atualmente, o seu correspondente em vídeo) é uma manifestação cultural como qualquer outra. Só existe porque é socialmente produzido e consumido. Assim, entender o cinema pornográfico enquanto manifestação social e cultural é reconhecer que o mesmo implica em saber. O cinema pornô constrói saberes e, assim, é lícito estabelecermos saberes a respeito dele. A pergunta que faço é: o que pode nos dizer determinado filme, ou determinada escola cinematográfica, a respeito da sociedade que o produziu e o consome? Ao olharmos para a história desse gênero de cinema, perceberemos que os filmes mudaram, não só nos seus aspectos estéticos, mas também nos aspectos narrativos e de tudo aquilo que gravita no seu entorno. Olhar para o cinerma pornô é, também, olhar para o seu público, para a indústria cultural que o produz.

3) Qual sua base teórica?
No Brasil, a temática ainda é pouco discutida. A partir da década de 90 dois importantes trabalhos surgiram a partir de pesquisas acadêmicas e que tratam especificamente do cinema pornográfico: o primeiro do professor Nuno Cesar Abreu, e em seguida o do antropólogo Jorge Leite Jr, que se detém especificamente sobre o bizarro (um gênero dentro do gênero). Estes dois trabalhos servem de base para a palestra. Na perspectiva filosófica, Michel Foucault, Sade, Bataille e Roger Chartier (cujo olhar que lança sobre a literatura – o da teoria da recepção – permite-nos olhar também para o cinema pornográfico). Nesta palestra, especificamente, talvez a perspectiva de Chartier fale mais alto.

4) Quando e como você começou a se interessar pela história do corpo?
Desde a minha graduação em História estive preocupado em compreender a história do corpo, sua constituição cultural e social. Este corpo que se normaliza, desnaturalizando-o. Porque o que é normal difere daquilo que se impõe enquanto natural. Comecei tentando entender a construção da normalidade a partir do estabelecimento do diferente, do anormal. Estudei os concursos de robustez infantil em Blumenau e o discurso eugenista do médico Afonso Balsini, e para tal vali-me das leituras que fiz de Foucault, Nietzsche, Roberto Machado entre outros. Foram estas leituras que me despertam para olhar o cinema pornográfico além da fruição. Primeiramente me chamou a atenção a disciplinação do cinema pornô no espaço de uma videolocadora especializada. Nas estantes notávamos (e ainda se nota) a compartimentalização do gênero em outros gêneros menores: soft core, interracial, gay, lésbicas, gang bang, zoofilia, fetiches com objetos, bondage, sadomasoquismo, escatologia, anomalias, geriatria etc etc etc. Essa fragmentação do gênero nos diz muito. O que é bizarro? O que é normal? O que é soft e o que é hard? Por que recentemente o creampie (gozar dentro) aparece como fetiche digno de figurar enquanto gênero do pornô? E por aí se desfia o novelo. Mas preciso dizer que não sou um especialista nos estudos da cinematografia pornô. Olho para o pornô a fim de compreender o corpo. Da mesma forma, interessa-me observar os discursos médicos, da psicologia, da política, da literatura, da historiografia e assim por diante. O corpo se constitui na multiplicidade de saberes, e estudá-lo implica em se adotar perspectivas transdisciplinares. O filme “Oh Rebuceteio!”, dirigido por Cláudio Cunha, pode me trazer tantos elementos para estudar e compreender as práticas que disciplinam e constróem o corpo quanto o conto “Uma enteada da natureza”, de Gertrud Gross-Hering (1879-1968).

5) De que forma você descreveria a importância de se discutir, na Universidade, um tema como pornografia?
Penso que esta resposta já está respondida nas questões anteriores. Mas vale dizer que a Universidade não tem o direito de se omitir diante das manifestações sociais e culturais. Se eu estivesse discutindo um tema como religião, por exemplo, ninguém perguntaria qual a importância da Universidade discutir o assunto, mas ao se tratar de pornografia, mais especificamente de cinema pornográfico, então os tabus aparecem. A Universidade não pode aceitar estes preconceitos. E mais, afinal, houve tempos em que ler Voltaire era acessar uma obra pornográfica, não é mesmo?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Palestra "O corpo pornografado: recortes da história do cinema pornô.

O cinema pornográfico constitui-se ainda como ousada fronteira a ser pesquisada pelos historiadores. Desde os “stags” (curta-metragens produzidos no início do século XX), passando pelos nudies, beavers até os filmes propriamente hard-core da década de 1970, o cinema pornográfico tem na exposição e fragmentação do corpo sua estética fundamental. Sobreviventes ao patrulhamento moral e adaptando-se a diferentes tecnologias e suportes de imagem, esse tipo de cinema constitui-se como um dos mais rentosos produtos da indústria cultural, colocando em cena o corpo e suas múltiplas possibilidades de prazer.
Em “O Corpo Pornografado: recortes da história do cinema pornô”, discutiremos a caminhada do cinema pornográfico, estabelecendo alguns recortes estéticos e discutindo suas relações com as conjunturas sócio-culturais em que são produzidos. A discussão será ilustrada com cenas de stags da década de 1930, de alguns clássicos da década de 1970 (“Garganta Profunda”, “O Diabo na Carne da Srta. Jones”), de clássicos da pornochanchada brasileira (“Oh Rebuceteio!”) e de filmes contemporâneos produzidos para o suporte de vídeo (“Buttman”, “Beladona”).
A discussão será apresentada por Viegas Fernandes da Costa, historiador e escritor, especialista em Estudos Literários e pesquisador da história do corpo.

Quando: Dia 24 de Outubro às 16h na sala D-004, Campus I da FURB.


* Indicação etária: maiores de 18 anos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ESCAMBAUS

Poxa, vim com a língua fervendo de veneno para falar do Painel de ontem com os candidatos a prefeito. Afinal, fiquei muito decepcionado. Demonstrado, por descuido da história e de assessores, que nossos governantes não aprendem nunca. Que parece que todos estudaram em escolas de São Paulo com o método da Progressão Continuada.

Poxa, pleno século XXI e ainda querem vender a cidade como Disneylândia? Não ouvi nenhuma vez “Gestão Cultural” ou “Política Cultural”. E pior, em pleno século XXI os candidatos ainda falam em levar isso aquilo e cachimbo para as comunidades. O que? Ainda não levaram? Bando de incompetentes.

/alias, o “varal” me deu tesão. pensei fetiches sado...uuu/

Parabéns ao Conselho pela iniciativa. Porém faltou interação. Acho que deveria ter acontecido desde o início. Foi uma pena. Queria muito ter me manifestado, assim como muitos daqui. Quem é sério, mas ainda enxerga o carneiro dentro da caixa e não for assessor dos “homi” saiu com maçãs na garganta.

ALI et al. Sinto “borbulhas de amor” ao escrever aqui. Num momento divã, sempre quis expor minhas idéias, acho isso importante demais, mas nunca deu certo. Nossa, aqui, amo todos! Leio e sou lido. Informo, me informo e me formo. Lindo lindo isso aqui.

Por muito escambau!