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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sobre violinos e invernos (2)

Sobre violinos e invernos (2)
Viegas Fernandes da Costa
Há muitas maneiras de se atribuir sucesso a um evento, e o Nosso Inverno, ocorrido no último final de semana, foi um evento bem sucedido, não tanto pelo público que congregou (e que lotou o Teatro Carlos Gomes, inclusive durante as atrações que vararam a madrugada), mas principalmente pelo seu caráter de protesto contra o descaso do poder público ante as manifestações artístico-culturais e pela ausência do Festival Internacional Universitário de Teatro.
Se por um lado houve pouca novidade artística no evento, considerando que a maior parte das apresentações já foi apresentada à comunidade em outras oportunidades, por outro, quem esteve presente ao evento percebeu que, definitivamente, não se ouviu violinos e, se há um Titanic na Fundação Cultural de Blumenau, a maior parte dos artistas de Blumenau (ao menos aqueles que honram sua arte e sua profissão) não deseja embarcar nele. Afinal, a arte é não só uma manifestação estética, mas fundamentalmente ética.
Se houve um certo desconforto dos organizadores em assumir este caráter de protesto do Nosso Inverno – expresso em matéria do Santa do dia 28 de julho –, a crítica ficou clara e escancarada durante o evento, e veio dos próprios artistas. Já na noite de sábado, os grupos de teatro de Blumenau, ineditamente reunidos em um mesmo espetáculo, invadiram o grande auditório do Carlos Gomes para apresentar uma peça-manifesto, contundente crítica e tocante apelo aos administradores públicos, empresários e sociedade em geral, denunciando o homicídio cultural perpetrado em nossa cidade.
Tom que pautou boa parte das apresentações culturais, fomentou a realização de um abaixo-assinado e que se consolidou na tarde de domingo, momento em que os grupos de teatro promoveram uma mesa-redonda para discutir políticas culturais e que contou com a ausência da presidente da Fundação Cultural, Marlene Schlindwein, e do prefeito João Paulo Kleinübing. Ausências que nos dão a dimensão do descaso para com os artistas e a arte produzida a partir de Blumenau.
Por outro lado, ainda permanece latente a necessidade de organização e diálogo dos artistas entre si para que este Nosso Inverno supere a condição de evento e se transforme, definitivamente, no movimento que pressione por uma política cultural municipal, que já tarda.
Publicado no Jornal de Santa Catarina, 05/08/09:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Protesto "Nosso Inverno" repercute na mídia

Depois da entrevista que a senhora Marlene concedeu ao Santa nesta terça-feira, mais uma vez fica clara sua inoperância e incompetência para gerir a Fundação Cultural de Blumenau e seu enorme descaso para com a classe artística. Abaixo seguem alguns links que remetem à cobertura da imprensa ao Nosso Inverno.
É hora de nos manifestarmos. Devemos infestar as páginas dos jornais, da internet, os e-mails dos vereadores e as ruas da cidade com nossas manifestações. Só haverá políticas públicas e financiamento para as promoções culturais se houver pressão pública da nossa parte.

Matéria do Santa a respeito do Nosso Inverno com depoimentos de diversos artistas presentes ao evento: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,2604708,12851

Entrevista com a presidenta da Fundação Cultural de Blumenau na coluna de Cristiano dos Santos: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,2604753,12851

Entrevista com o Reitor da FURB no blog de Maicon Tenfen: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&uf=2&local=18&blog=690&tipo=2&coldir=1&topo=4254.dwt&espname=jsc


Coluna de Maicon Tenfen (O protesto prevaleceu): http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1124,2604717,12851

Coluna de Carlos Tonet, na Folha de Blumenau: http://www.folhadeblumenau.com.br/site/colunas.php?coluna=Carlos%20Tonet

NOSSO INVERNO: LEMBRETE, CHECK-LIST OU, O QUE FAZER DAQUI PRA FRENTE...

Dando uma de secretária, fiz aqui uma listinha de coisas das quais não podemos nos esquecer, um check list :
(quem quiser ajudar, lembrando outros tópicos, agradeço)

- Mobilização: Nosso Inverno foi ótimo! maravilha! mas a coisa não pode parar por aqui, passada a euforia e o momento de comemoração pelo sucesso do evento, temos que pensar na continuidade do movimento

- Conferência Municipal de Cultura:
  • temos que nos preparar para a próxima, chegar lá organizados e com material para propor novas politicas culturais p o municipio;
  • o SESC cedeu espaço aos gts para q se reunam - só falar com o jamil;
  • lembrar de incluir nos pontos conclusivos da conferencia, q sejam cumpridos critérios técnicos p a seleção e indicação de cargos da Fundação Cultural;
  • temos q ficar atentos para que as definições da conferencia sejam de fato colocadas em pratica no periodo que a segue;
  • colocar em discussão os poderes do Conselho Municipal de Cultura para que, se possivel passe de Consultivo a Deliberativo;
  • Procurar mecanismos e argumentos, e se possivel propostas bem amarradas do ponto de vista juridico, para garantir a manutenção e ampliação dos recursos do fundo municipal e criação de uma lei de mecenato municipal;

-Fundação Cultural de Blumenau:
  • esclarecer que história é essa de cobrança de aluguel do auditório. Cobrar de empresas acho ótimo e necessário, mas pretendem cobrar dos artistas? apenas lembrando: o espaço é público e destina-se a receber e fomentar manifestações culturais legítimas de nosso municipio;
  • calendário do fundo municipal: temos q solicitar q o calendário do fundo seja mais corente - recebendo os recursos em outubro, temos 6 meses. mas novembro, dezembro, janeiro e fevereiro são meses improprios para uma série de ações, restando apenas março e abril para realização de eventos e lançamentos;
  • mab: quem é a pessoa que assumiu o museu de arte de blumenau, qual o motivo de sua indicação, qual seu curriculo e sua competencia - eu desconheço e gostaria de ter isso esclarecido. não havíamos solicitado en nosso encontro no início do ano com a presidencia, que houvesse criterios nestas contratações?

- Furb
  • cobrar do reitor a reestruturação da área de cultura dentro da universidade - ele se comprometeu na mesa redonda;
  • cobrar do reitor a abertura para os artistas participarem da construção de novas politicas culturais para a instituição e retomada de uma calendário de atividades culturais;
  • acompanhar, apoiar e cobrar a implementação do mecanismo de bolsas ( como foi mencionado no caso de algumas licenciaturas ) também para os cursos de artes;
  • cobrar a realização do FITUB 2009 a qualquer custo;
  • apoios e parcerias no fitub: o reitor falou q o fitub não deve concorrer com os artistas no fundo municipal, concordo plenamente! mas nada o impede de selar parcerias com a prefeitura/fundação - tendo apoio de infraestrutura, logistica e de pessoal dessas e outras entidades ( sesc etc), não seria possivel reduzir o custo do festival e viabiliza-lo com mais facilidade??

- Estado
não sei se pela ausencia de autoridades presentes ou pelo excesso de pontos a serem discutidos, as politicas estaduais de cultura acabaram bem ausentes de nosso debate, então lá vão algumas questões a trabalharmos:
  • edital elisabete anderle: que cronograma é esse? cade os prazos?
  • por falar em prazos, como anda o FUNCULTURAL? a mim parece um buraco negro para onde vão os projetos e de onde nunca mais volta sequer o seu eco. alguem aí conseguiu apoio nos ultimos anos? vcs tem acompanhado as relações de projetos aprovados? é impressão minha ou tudo tem soado como jogada politica e jaba?
  • o que a secretaria regional tem realizado na área de cultra?? com exceção do evento da funarte ( edital federal em q entrou concorrendo com outras entidades) e do femic (que até aqui não me convenceu) alguem sabe de mais alguma coisa??
- Imprensa;
  • JORNALISMO CULTURAL: está de parabéns, além da furb fm, o Jornal de Santa Catarina pela cobertura e espaço que dedicou à cultura e às políticas culturais locais nos ultimos dias - que tal rever o formato editorial de seu caderno de Lazer e priorizar daqui p frente o cenario cultural local. Fica a dica, q tal um forum/bate-papo com os artistas e produtores, para que se construa junto um novo formato de jornalismo cultural? (como jornalista, marketeira, artista e produtora cultural só vejo ganhos para ambos os lados, afinal, novidades sobre holywood, top models, e o mundo dos globais lemos bem antes em milhares outros veiculos e na internet. Um caderno mais 'quente' e local traria mais leitore$);
  • Se está de parabéns o santa e sua equipe o mesmo não dá para dizer de outros. cade os outros veiculos? cade as emissoras de tv? preferiram cobrir a enchente q não aconteceu à essa verdadeira enxurrada artística e política que inundou blumenau no ultimo fim de semana?

(quem quiser ajudar, lembrando outros tópicos, agradeço)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

FITUB

Defendendo a máxima de Vandré que diz, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", o debate continua alimentado. Abaixo segue o texto que Maicon Tenfen publicou hoje no Jornal de Santa Catarina (30/07/09), interpretando as respostas dadas pelo presidente do TCG, pelo reitor da FURB e pelo (naquele momento) representante da classe artística blumenauense veiculadas na edição do Santa do dia 28.
FITUB
por Maicon Tenfen
Anteontem, por causa da ausência do Festival Universitário de Teatro de 2009, o Santa fez perguntas à Furb, ao Teatro Carlos Gomes e à organização do Nosso Inverno para esclarecer o que (não) está acontecendo no calendário artístico-cultural de Blumenau. Gostaria de comentar as respostas dadas à reportagem porque todas, a meu ver, são preocupantes.Pergunta dirigida à Furb: há outras formas de conseguir verba para viabilizar o festival que não seja por vias governamentais? O reitor Eduardo Deschamps deixou claro que a universidade não pode arcar sozinha com os custos do festival. Daí a necessidade de fundos externos, um dinheiro demorado e aleatório. Apesar da verba anunciada para o Fitub de 2010 (que ainda precisa da aprovação do Conselho de Estado), não há garantias de que a periodicidade do evento seja mantida, mesmo em seu caráter bianual. Em outro espaço, o reitor salientou a necessidade de mobilização da classe artística “para ter o apoio maior de outros patrocinadores”. Aí pergunto: não estaria na hora da prefeitura e do empresariado abraçarem a causa?Pergunta dirigida aos organizadores do Nosso Inverno, evento que tem o objetivo de preencher o vazio deixado pela ausência do Fitub: por que a classe artística não fez uma manifestação ou protesto para manter a anualidade do festival? Daniel Costadessouza, um dos integrantes da comissão, respondeu que “somos um coletivo de artistas, mas não somos um evento político-cultural”. Demorei a depurar a contradição, mas entendi que a Furb e o festival estarão perdidos se contarem com o apoio da classe artística solicitado pelo reitor.Pergunta dirigida ao Teatro Carlos Gomes: por que o teatro não abriu as portas de forma gratuita ao Fitub assim como fez para o Nosso Inverno, que nasceu como uma forma de protesto da classe artística pela falta do festival? Ricardo Stodieck, presidente do TCG, respondeu que o “teatro não participa de protestos”. Então só posso concluir que estamos mesmo perdidos! Se o teatro não protesta, quem o há de fazer? Na sequência, Stodieck dá a entender que foi enganado pela organização do Nosso Inverno. “Se tivessem informado do eventual protesto, não os teríamos apoiado”. Quanta confusão! Mas pelo menos um detalhe se esclareceu: a cooptação não partiu de cima. Os próprios artistas se apresentaram para oferecer a arte em sacrifício.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre violinos e invernos

por Viegas Fernandes da Costa
Há muito não via inverno tão frio em Blumenau. Para ser mais específico, há 22 anos que não fazia tanto frio na colônia, época em que surgiu o Festival Universitário de Teatro de Blumenau, evento que por todos estes anos aquecia-nos durante o inverno e que em 2008 fora alçado à categoria de internacional, trazendo grupos de diversos estados brasileiros, países latino-americanos e de Portugal, e suspenso neste ano por falta de recursos.
E o mais curioso é este silêncio, esta falta de manifestações a respeito da ausência do Fitub, e o anúncio de que parcela da classe artística blumenauense está se organizando para realizar o Nosso Inverno, pretensa “virada cultural” que conta com o apoio de diversas entidades, incluindo aí o Teatro Carlos Gomes, que cedeu gratuitamente suas instalações para a realização do evento.
Silêncio que começou a ser quebrado na blogosfera e que o escritor Maicon Tenfen começou a discutir no Santa (23 de julho). Vale lembrar, nenhuma destas entidades que agora dão integral apoio ao Nosso Inverno ofereceram-no quando do anúncio da falta de verbas para o festival.
Segundo Eduardo Deschamps, reitor da Furb, em carta publicada no blog de Maicon Tenfen, para 2010 o Fitub está orçado em mais de R$ 767 mil, dos quais R$ 537 mil deverão vir da contrapartida da própria universidade. E Deschamps escreve ainda: “A universidade tem grandes dificuldades de dispor anualmente em seu orçamento destes mais de R$ 500 mil”. Ou seja, não há garantias para o retorno do Fitub no próximo ano.
Seria bom, seria ótimo que todos sentíssemos o enorme buraco deixado pela ausência do Fitub este ano. Seria ótimo que o Teatro Carlos Gomes viesse a público reconhecer que nada fez para manter a periodicidade do festival, e que nós, artistas e sociedade, lavamos nossas mãos. Blumenau simplesmente negligenciou um dos seus patrimônios culturais mais relevantes, que fomentava arte, debates, formava público e propiciou o surgimento do curso superior de Artes Cênicas.
Não quero ser como aqueles maridos frustrados que afogam suas mágoas na cachaça do botequim. Estarei no Nosso Inverno, mas não beberei dessa cachaça, porque meu luto é pesado, porque há um buraco que é enorme, porque sopra um vento gélido em Blumenau e porque Maicon Tenfen tem razão, tudo indica que estaremos, mais uma vez, tocando violino aos afogados neste enorme Titanic.

Artigo publicado no Jornal de Santa Catarina, 28/07/2009, p. 2.

domingo, 26 de julho de 2009

FESTIVAL UNIVERSITÁRIO DE TEATRO 2

por Maicon Tenfen, em seu blog.

Não me surpreendeu o silêncio da chamada classe artística de Blumenau diante do que escrevi quinta-feira, no Santa. Quem quiser conferir o texto, basta clicar aqui. Lá digo que, no princípio de 2009, “com uma subserviência quase canina, responderam aos paliativos do poder público municipal e, desse jeito, acabaram legitimando a (deprimente) política cultural proposta pela atual gestão”.
Por que responderiam a uma acusação tão grosseira? De duas, uma: ou porque a acusação é grosseira mesmo, ou porque a tal subserviência canina permanece.
Surpreendeu-me, isso sim, que os dirigentes do Carlos Gomes, da Fundação Cultural e do SESC, questionados sobre o porquê da repentina generosidade com o Nosso Inverno, reservaram-se no mesmo silêncio. Repito a pergunta que fiz há dois dias: por que essas instituições não foram tão generosas quando se anunciou o cancelamento do Festival Universitário de Teatro?
Para mim, a resposta é muito clara: o apoio dado ao Nosso Inverno faz parte de uma estratégia de cooptação da classe artística, sempre cooptável, para esvaziar o caráter de protesto que teria (que terá?) o Nosso Inverno. Cultura também é política, por isso estou curioso para ver o que acontecerá no evento que, por enquanto, sugere um paliativo para a ausência do Festival de Teatro.
Mas, justiça seja feita, recebi resposta da quarta instituição citada no texto, a FURB. Para a transparência do debate, e com a autorização do autor, reproduzo, ipsis litteris, o texto que me foi enviado por e-mail. Há nele um dado interessante: a previsão de um orçamento de mais de R$ 750.000,00 para o FITB de 2010.
***



Prezado Maicon,

A respeito de sua coluna no Santa de quinta-feira passada, que em determinados momentos tratou da não realização do FITUB este ano, gostaria de prestar alguns esclarecimentos (apesar de compreender que a coluna se dirigia à classe artística da cidade e não à FURB).

1. Aguardei até hoje para lhe escrever, pois estava esperando a reunião de hoje do Conselho de Desenvolvimento Regional que iria discutir o apoio do Governo do Estado ao 23º FITUB, a ser realizado no ano que vem. Boas notícias, pois a proposta foi aprovada por unanimidade, faltando agora a aprovação no Conselho do Estado.

2. A nossa proposta não é a de descontinuar o festival. Observando o ciclo de captação de recursos, percebemos que eventos desta natureza, praticamente com apoio somente do poder público, têm maiores chances de captação de recursos se forem realizados com periodicidade menor, ou seja, ao invés de anual, bianualmente. Aliás, esta é uma sugestão dos próprios órgãos de fomento.

3. Para 2010, está previsto um orçamento de R$ 767.150,00 para o FITUB, sendo R$ 229.970,00 de recursos do Funcultural do Estado de SC e R$ 537.180,00 de contrapartida da FURB. Você conhece o orçamento da FURB, portanto sabe que a Universidade tem grandes dificuldades de dispor anualmente em seu orçamento destes mais de R$ 500 mil reais, pois significa retirar recursos de outros investimentos e da mensalidade dos alunos para aportar no apoio ao evento. O NUPEX e a PROPEX vêm trabalhando fortemente no sentido de obter os recursos necessários junto a patrocinadores para reduzir esta contrapartida, porém não é simples. Neste sentido caberia um apoio maciço da classe artística para que busquemos todas as formas possíveis para reduzir a contrapartida da FURB e ter o apoio maior de outros patrocinadores.

Aqui não quero fazer o papel de defensor da classe artística (até porque não tenho procuração para tanto). Porém cumpre registrar que foi feito pela FURB um trabalho de informação dos motivos que levaram à mudança da periodicidade do evento, e em nosso entendimento, a classe artística não se manifestou de forma mais contundente contra a medida em virtude da compreensão de todos da dificuldade que a Universidade teria em manter o festival no modelo antigo.

Um grande abraço

Prof. Eduardo Deschamps, Dr. Eng.
Reitor
Universidade Regional de Blumenau - FURB

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Nosso Inverno

Por Maicon Tenfen.

Atragédia se anunciou com o cancelamento do Festival Universitário de Teatro de 2009, uma tradição de 22 anos que se quebrava por falta de verbas. Bem, pelo menos era isso que se dizia enquanto lideranças e instituições da cidade resignavam-se a lamentar o fato. Quase ao mesmo tempo, a Sra. Marlene Schlindwein, então empossada presidente da Fundação Cultural de Blumenau, admitia publicamente que a sua nomeação era fruto de negociações partidárias e, nas páginas do Santa, anunciava o seu curioso “modelo Titanic”. Algo assim: o navio está indo para as cucuias enquanto tocamos violino para consolar os passageiros!Pensei que a chamada classe artística blumenauense reagiria à tamanha arbitrariedade. Que nada! Com uma subserviência quase canina, responderam aos paliativos do poder público e acabaram legitimando a política cultural proposta pela atual gestão. Mas devo dizer em defesa dessa mesma classe artística que, tempos depois, conseguiu se organizar em torno de uma proposta promissora para preencher a lacuna deixada pela ausência do Festival de Teatro: um evento chamado Nosso Inverno, que ocorrerá no princípio de agosto e contará com a presença de quase todas as modalidades artísticas locais.Iniciativa louvável, especialmente porque a proposta inicial do Nosso Inverno contém um caráter de PROTESTO contra o descaso com que os bens culturais são tratados em Blumenau. Porém – ai, ai, ai – sempre precisa haver um porém! Considerando que instituições que se calaram diante do naufrágio (olha o modelo Titanic aí!) do Festival de Teatro agora estão arregaçando as mangas para o Nosso Inverno, e também considerando o servilismo com que certos agrupamentos de artistas costumam agir, pergunto se um evento que a princípio seria protesto não corre o risco de se tornar o oba-oba autocongratulatório de sempre.Pessoas que participam da organização do Nosso Inverno garantem que o caráter de protesto permanece, independentemente do apoio oficial. Isso me tranquilizou. Mesmo assim, gostaria de deixar algumas perguntas: 1) o atual evento não servirá de álibi para a extinção definitiva do Festival de Teatro?; 2) por que instituições como a Fundação Cultural, o Sesc, o Teatro Carlos Gomes (e a Furb, que perdeu o fôlego) não foram tão generosas quando se anunciou o cancelamento do festival?; 3) o Nosso Inverno será um evento sério, com crítica e debate, ou uma festinha de compadres que gostam de bajulação?; 4) estamos tocando violino para consolar os passageiros?