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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Livro Infantil: A Vaca Minuciosa

Pochyua Andrade e Nestor Jr. apresentam: A Vaca Minuciosa
O escritor afirma que a obra não é exatamente literatura infantil, é apenas literatura dele. O artista garante que foi um grande desafio, mas diz que gostou do resultado. A Vaca Minuciosa, obra que será lançada no dia 3 de maio de 2011, na Furb, é assim: só lendo você vai entender o quanto ela é única.
Numa tarde, no Parque das Nascentes (na Nova Rússia, em Blumenau), Clara arranca uma florzinha de capim e mostra a Pochyua Andrade. Ele responde: “É a comida da Vaca Minuciosa”. Naquele momento, segundo ele, a personagem passou a existir por completo. Isso aconteceu há cerca de três anos, e só agora o público vai poder entender quem é e quais são as histórias da personagem de Pochyua. O lançamento de A Vaca Minuciosa será no dia 3 de maio, na Biblioteca da Universidade Regional de Blumenau (Furb).

Para os amigos de Pochyua, no entanto, a personagem já existe há tempos. “Escrevi o texto há passos lentos, mas me diverti muito imaginando tudo o que a personagem seria capaz de fazer”, conta. “De vez em quando, em conversas com pessoas que sabiam que eu estava escrevendo a história, contava ‘causos e mais causos’ da Vaca”.

O escritor diz que, na sua concepção, a obra não é literatura infantil. “É apenas a minha literatura. É o que consegui externar de mim sob a inspiração do que me cerca. Acabou saindo uma novela para crianças de todas as idades”, acrescenta ele, que avisa: “Se não for criança nem deve ler, porque não vai viajar. Tem que viajar”.

Para dar cores (muitas!) à obra, Pochyua propôs um desafio ao amigo e artista Nestor Jr. Para ele, as 21 ilustrações em aquarela sobre papel são um reflexo do que o texto inspira somado ao local onde a história se passa. “Foi a primeira vez que eu ilustrei um livro com um conteúdo tão peculiar quanto A Vaca Minuciosa. Foi difícil. Comecei tentando criar ilustrações digitais, mas logo abandonei e parti de uma folha em branco. Manualmente, gostei muito do resultado”, afirma Nestor.

O livro será lançado com o apoio da Fundação Cultural de Blumenau (FCBlu), através do Fundo Municipal de Apoio a Cultura. Os livros serão distribuídos em todas as escolas da Cidade.

Expectativa Ao ser perguntado sobre o que espera da obra, Pochyua diz que quer que os leitores divirtam-se e dêem risadas. “Espero que se apaixonem pela Vaca e pelas ilustrações do Nestor”, afirma ele. O autor conta que, quando tinha oito anos, ganhou um livro de Ciça Fitipaldi chamado João Lampião. “A obra tinha ilustrações lindas e acho que, se me esforçar, ainda consigo lembrar passagens do texto. Então, talvez, eu fique esperando que para alguém A Vaca Minuciosa se torne inesquecível”.

Outra expectativa de Pochyua é que todos decifrem as entrelinhas que, segundo ele, são propositalmente facílimas de decifrar. “E que reflitam um pouco sobre elas se tiverem, como a Vaca, um ‘tempo sem fim’”, espera. “Que as pessoas gostem, enfim. Que seja um estímulo a leitura, que entretenha e que faça com que cada um se sinta um pouco Vaca Minuciosa e se debruce sobre as descobertas e redescobertas das coisas que estão sempre ao seu alcance”.

Na apresentação do livro, Gregory Haertel diz que “a Vaca Minuciosa é um livro que devolve às crianças (e aos adultos, e quem sabe até mesmo aos bichos) a surpresa das descobertas que se fazem sozinhas, sem intermediários e sem certezas”.

Pochyua diz que sempre escreveu, sempre escreve. Bilhetes, poemas, contos que não tem final e letras de música. “Na verdade eu não tenho me esforçado para a chegada de um segundo livro, mas estou sempre atento as sussurros do vento no meu ouvido. Caso ele sopre uma coisa que eu curta transformar em texto, transformarei, certamente”, finaliza.

O evento de lançamento
A Vaca Minuciosa será lançado no dia 3 de maio de 2011, às 20hrs, Salão Angelim da Biblioteca Central da Furb (Campus I). No evento, serão feitas leituras de trechos do livro e Pochyua vai cantar uma canção que está na obra. Lá o livro será vendido por R$ 25,00.


Fonte: Marina Melz

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Lançamento do novo livro de Gregory Haertel, Quarteto de Cordas para Enforcamento




Está saindo do forno o livro de contos, Quarteto de Cordas para Enforcamento, de Gregory Haertel.
A  publicação foi viabilizada pelo Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Blumenau  e tem apoio cultural da Liquidificador Produtos Culturais, editora da obra. 

Gregory conta que os textos que compõem a obra foram todos escritos entre 2001 e 2005, já no formato em que estão sendo publicados. "Poucas alterações gramaticais e de pontuação foram feitas na minha leitura para o lançamento deste livro, e todas elas com o cuidado de preservar o que estava escrito. Esta não é, portanto, uma coletânea de contos, e, sim, um livro que esperou bastante para ser lançado.", explica .

"Com sua linguagem crua e ousadia narrativa, “Quarteto de cordas para enforcamento” provoca e lacera; para além da moral, devolve-nos uma poesia capaz de incomodar.", escreve Viegas Fernades da Costa na orelha do livro.

"Gregory deve divertir-se muito quando escreve. Quase posso adivinhá-lo escancarando um sorrisão que expõe dentes e malícia, ardiloso a brincar com (de)formação de frases, (des)construção de conceitos, (re)criação de valores e julgamentos.", comenta o diretor de teatro Pépe Sedrez, no prefácio da obra.

 Em Quarteto de Cordas para Enforcamento o leitor que acompanha a obra do autor como dramaturgo ,vai se deparar com algumas semelhanças entre os textos e  peças da Cia Carona,de Teatro já que alguns dos contos serviram de inspiração durante o processo de montagem de trabalhos da Cia. O autor comenta também que,  no decorrer da leitura do próprio livro,  durante o processo de finalização, surpreendeu-se ao perceber o quanto o último texto, “Ensaio para Orquestra e Coro de Chuva”, prenunciava o seu primeiro romance, “Aguardo”, que seria escrito anos depois. 

O livro Quarteto de Cordas para Enforcamento tem ainda belas ilustrações de Nestor Jr e projeto gráfico de Leo Kufner.


O lançamento da obra acontecerá em noite para lá de especial, no porão da Fundação Cultural de Blumenau, simultaneamente à abertura da Exposição Escritos da Carne, de fotografias que relacionam o erótico, a nudez e a literatura erótica. A exposição é fruto de projeto de mesmo nome da historiadora, pesquisadora Carla Fernanda da Silva, viabilizado pelo edital estadual Elisabeth Anderle. A exposição é composta por 21 imagens de  autoria e dos fotógrafos Aline Assumpção, Charles Steuck, Carla Fernanda da Silva, Carlos Lobe, Ivan Schulze, Mariana Florêncio e Sally Satler.

Serviço:
Lançamento do Livro  Quarteto de Cordas para Enforcamento
Abertura da Exposição Escritos da Carne
Data: 29 de abril | Sexta-feira
Horário: 20h
Local: Fundação Cultural de Blumenau - Porão



Informações sobre a obra:
Quarteto de Cordas para Enforcamento
Editora: Liquidificador Produtos Culturais
192 páginas
ISBN  978-85-63401-01-4
Gênero: Contos  - Ficção - Literatura Brasileira

segunda-feira, 22 de março de 2010

“Geórgia e o Elefante” resgata o lúdico e o mágico



Livro infantil de Tânia Rodrigues traz ilustrações da artista visual  Aline Assumpção


O livro infantil Geórgia e o Elefante será lançado no próximo dia 30 de março (terça-feira), no SESC-centro, em Blumenau, com um bate-papo entre as autoras e a garotada, a partir das 15h. Já a noite de autógrafos para as “crianças grandes” será em 08 de abril, às 19h30 no restaurante Farol, situado na Praça do Estudante.

Com texto da jornalista Tânia Rodrigues e ilustrações da também jornalista e artista visual Aline Assumpção, o livro resgata o espírito da infância e trabalha a ludicidade. “Não se trata de uma história com lições de moral, do tipo politicamente corretas ou ecologicamente corretas”, informa a autora do texto. “Simplesmente resgata a infância, o lúdico e o mágico”, assinala. Da mesma forma, as ilustrações, em traços simples, brincam com o fantástico e o impossível.

Geórgia e o Elefante parte de uma história real vivida por Tânia Rodrigues e a então menina Geórgia Paula Martins. “Geórgia é filha de minha amiga de longos anos, Rosane Magaly Martins. Convivi muito de perto com a menina e com ela iniciei uma historinha de um tal elefante, na verdade, um elefante invisível aos olhos adultos, mas que existe na imaginação das crianças”, revela.

O livro infantil foi impresso com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura, da Prefeitura Municipal de Blumenau, e tem o selo da Liquidificador Produtos Culturais. Seiscentos exemplares serão doados a escolas públicas e bibliotecas da cidade.


As autoras

 
Tânia Rodrigues – jornalista, poeta, contista e cronista é autora do livro de poemas “Espontânia”, editado em 1999 e reeditado em 2003 pela (atualmente extinta) Editora Cultura em Movimento da Fundação Cultural de Blumenau (FCB). Tem participação em diversas antologias regionais e nacionais e integra o livro Poetas Independentes, editado em 1989 pela Associação dos Poetas e Escritores Independentes de Blumenau (Apei). É jornalista desde 1987, tendo atuado em jornais da região, em especial no Jornal de Santa Catarina, onde foi repórter, editora e cronista.

Aline Assumpção – jornalista, designer, produtora cultural e artista visual. Estuda linguagens visuais desde 1994, tendo atuado em diversos veículos de comunicação, agências e escritórios de design, em Curitiba e Blumenau -  onde está radicada desde 2003. Ao lado de Charles Steuck, é sócia na Liquidificador, agência que trabalha com Comunicação e Arte. Nos últimos anos, tem desenvolvido sua atuação como artista visual, participando de diversas exposições, salões e projetos, como Pretexto Sesc, Bienal Brasileira de Arte Fotográfica e Salão Elke Hering. Na área editorial, atua no desenvolvimento de projetos gráficos e editoriais há dez anos, mas esta é a primeira vez que ilustra um livro um livro infantil.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Lançamento de Pequeno Álbum, novo livro de Viegas Fernandes da Costa


Acontece no dia 11 de março (quinta-feira), a partir das 20:00 horas, no Bar e Restaurante Farol, o lançamento do livro “Pequeno Álbum”, de autoria do escritor Viegas Fernandes da Costa.
Terceiro livro de Viegas, a obra reúne 44 contos curtos, alguns deles premiados, como é o caso dos contos Teresa e Ítalo. Com uma prosa que margeia a poesia, os textos de Pequeno Álbum procuram construir imagens com palavras, cada conto constituindo-se como fotografias compostas não por luz, mas de verbo. O livro, publicado pela editora Hemisfério Sul, apresenta ainda ilustrações da artista plástica Daiana Schvartz e orelha do contista Rodrigo Oliveira.
Durante o lançamento será servido um coquetel e o autor estará autografando a obra. O preço do livro é de R$ 15,00.

Sobre o autor:

Viegas Fernandes da Costa nasceu em Blumenau (SC) em 1977. Licenciado em História e pós-graduado em Estudos Literários, atualmente trabalha na Biblioteca da Universidade Regional de Blumenau, onde edita o site de literatura Sarau Eletrônico, e no Colégio Metropolitano de Indaial, onde leciona Filosofia e Atualidades. Além de Pequeno Álbum, é autor de Sob a Luz do Farol (Ed. Hemisfério Sul, crônicas, 2005) e De Espantalhos e Pedras Também se Faz Um Poema (Ed. Cultura em Movimento, poemas, 2008).

Comentário do contista Rodrigo Oliveira a respeito do livro “Pequeno Álbum”:

“Não à toa que o primeiro texto que lemos ao nos debruçarmos sobre este Pequeno Álbum de Viegas Fernandes da Costa chama-se Poema. Não que se trate de um livro de versos. Mas é a poesia que permeia e dá corpo à prosa de Viegas.
Pequeno Álbum parece trazer um tom mais intimista do que Sob a Luz do Farol e De espantalhos e pedras também se faz um poema, trabalhos anteriores do autor. Sensível, este álbum estabelece relações do texto com a própria arte, pelos olhos e palavras do escritor. Intertextual, Viegas dialoga e nos apresenta alguns daqueles que traz estampados em seu álbum: Chaplin, Tornatore, Flaubert, Quintana, Sartre, Kafka, Calvino e tantos outros que poderíamos preencher toda a orelha deste volume. Quantas memórias trazem este livro!
Entre estes grandes nomes sorriem, ainda, como de fotogramas amarelados pelo tempo, figuras que resgatam memórias mais introspectivas, como em Reminiscência, de memórias expostas, gengivas nuas e sorriso ancião inocente. Com esta sensibilidade e aquela intertextualidade, este Pequeno Álbum se revela igualmente metaliterário. O autor, olhando para as figuras deste álbum, parece querer encontrar, em primeiro lugar, a si mesmo. Em Composição compõe "silêncios como quem compõe versos" e explica: "É nestes silêncios que me encontro e onde podem me encontrar como realmente sou!". Nos contos e textos de Pequeno Álbum podemos ver o escritor se dobrando sobre o próprio texto, sobre o próprio fazer literário, como no premiado Ítalo, conto de construção ímpar e riquíssima leitura. Teresa e O Velho, a Velha e o Violino apresentam ainda personagens belíssimos em narrativas sensíveis que exploram os limites desta prosa poética proposta por Viegas.
É tocante, é incômodo, é lírico. É necessário, este Pequeno Álbum. Porque nos lembra que "poesia não se pode ler (...) a poesia vivemos".
Apreciando este álbum observamos o autor, pouco a pouco, tentar desvendar-se, retomar um passado, vislumbrar um futuro, resgatar e desnudar a si mesmo e a seu próprio texto. É quase sem perceber que, ao fim do volume, nos quedamos nós mesmos desnudados e expostos ali, estampados neste Pequeno Álbum.”

Serviço:

O que: Lançamento de Pequeno Álbum, terceiro livro do escritor Viegas Fernandes da Costa
Quando: 11 de março (quinta-feira), às 20:00 horas.
Onde: Bar e Restaurante Farol, Praça do Estudante (no final da rua Antônio da Veiga), Blumenau, SC.

Maiores informações: Editora Hemisfério Sul (3035-3181 e 3339-7334) e Viegas Fernandes da Costa (8445-9150 e 3321-0222)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Entre cadáveres e casas velhas, a literatura

Entre cadáveres e casas velhas, a literatura


Viegas Fernandes da Costa


Quando Maicon Tenfen lançou a primeira edição da novela “Um cadáver na banheira”, em 1997, lembro-me de uma entrevista que concedeu a um programa televisivo, onde afirmou que sua preocupação, enquanto escritor, era apenas escrever uma boa história. Em 2008 tive a oportunidade de entrevistar Tenfen para o “Sarau Eletrônico”, e perguntei a ele se escrever era isso, apenas contar uma boa história. A resposta? “Continuo com a idéia de que um bom conto deve contar uma boa história, um bom romance é aquele que conta uma boa história. Mas não apenas! Por trás daquilo você vai encontrar uma cosmogonia capaz de lhe fazer refletir sobre muitas coisas, sobre a sua própria vida, sobre a sociedade e o mundo em que você vive.” Ou seja, Tenfen continua acreditando na força da narrativa, em seu poder de enredar o leitor e de aprisioná-lo nas possibilidades da trama, entretanto, reconhece que a literatura não se limita à fruição.
Ainda que não o reconhecesse publicamente, quando lançou “Um cadáver na banheira”, Maicon Tenfen já começava a esboçar nesta novela um projeto literário que tem por objeto questionar e refletir a respeito do fazer literário e do mercado editorial. Projeto que o autor de certa forma explicita com a publicação da terceira edição de “Um Cadáver...” (2007) e, mais recentemente, com seu livro de contos “Casa Velha Night Club” (2009). Em ambos os títulos, a proposta metaliterária é clara, e a relação direta entre os dois livros é estabelecida abertamente pelo próprio autor, não só através das menções feitas pelo personagem Maicon Tenfen em “Canil para cachorro louco”, conto que fecha “Casa Velha...”, bem como nas referências que encontramos fora do espaço da fábula propriamente dita. Quando observamos, por exemplo, os créditos de revisão ortográfica e gramatical da terceira edição de “Um cadáver...”, vamos nos deparar com o nome de Genésio Campanelli, informação nova, já que nas edições anteriores dessa novela (1997 e 1999) não se fazia alusão ao revisor. Genésio Campanelli aparece novamente nos agradecimentos de “Casa Velha...” e, pasmem, como protagonista do já referido conto “Canil para cachorro louco” na pele de um pacífico e metódico professor universitário que se vê envolvido numa trama de sexo, chantagem e homicídio. Ultrapassando os limites tradicionais da fábula, Maicon Tenfen faz uso dos espaços extraliterários do livro para conferir maior verossimilhança a sua trama, brincando com as fronteiras da ficção e da realidade e enveredando por aquilo que Tzvetan Todorov chama de “autoficção”. É o caso, por exemplo, quando o professor Genésio Campanelli reconhece, na geografia do conto, o escritor Maicon Tenfen: “Era um colega seu, um amigo de muitos anos, um ex-aluno que recentemente se tornara professor da Universidade. Era Maicon Tenfen, o escritor.”


O excerto acima lembra o primeiro capítulo de “As palavras e as coisas”, de Michel Foucault, onde o filósofo analisa a cena apresentada no quadro “Las Meninas”, pintado em 1656 por Diego Velázquez. Foucault nos aponta a presença de Velázquez no interior da cena, pintando um quadro em que, muito provavelmente, retrata aquilo que se descortina aos seus olhos e que podemos supor sermos nós mesmos, a plateia. No meta-artístico “Las Meninas”, Velázquez aponta a existência de um autor e de um consumidor; na obra de Tenfen, e em especial nesses dois títulos que discutimos aqui, o autor também afirma sua existência, apesar de que no conto “Nick Fourier”, que abre o “Casa Velha...”, este autor seja morto por sua própria obra. Eis aqui uma escatologia. “Nick Fourier” dialoga diretamente com “Um cadáver...” naquilo que diz respeito ao tema e à posição do autor Maicon Tenfen diante do mercado editorial, ou seja, o recorrente conflito entre arte e artesanato, criação e reprodução. Em “Canil para cachorro louco” o autor estabelece sua catarse, assume sua existência, liberta-se da prostituição literária e define-se enquanto artista que deseja contar uma boa história, mas não apenas isso.
“Um cadáver na banheira” conta a história de Jorge Gustavo de Andrade, personagem que foge de uma pequena cidade do Alto Vale catarinense com sua namorada e se instala em Blumenau, onde espera realizar o sonho de publicar seu romance de estreia, “O retorno do Alquimista”, e assim se transformar em escritor de sucesso. Entretanto, Jorge Gustavo encontra os muros praticamente intransponíveis do mercado editorial, e se vê forçado a recorrer aos préstimos de Suzana Fischer, proprietária de uma editora que publica os livros de autores que desejam pagar pelo serviço. Em um dos trechos da novela, Jorge Gustavo diz para sua editora Suzana Fischer: “É difícil definir um editor que tenha a cara-de-pau de publicar um livro que não foi analisado, mesmo quando é pago por quem o escreveu. Você é tão sem-vergonha que não se preocupa se publica arte ou merda – desde que um otário como eu assine um cheque – pois seu lucro não vem do livro em si. Vem do bolso do autor.” Vale lembrar que a primeira edição de “Um cadáver...” – bem como a edição do primeiro livro de Maicon Tenfen, “Entre a brisa e a madrugada” (1996) – foi publicada através de uma editora que cobrava de seus autores os serviços de editoração e publicação e não possuía logística de distribuição. Assim, a crítica que a novela destila destina-se, no âmbito geral, ao mercado editorial, excludente e monopolista; e, no âmbito particular, muito provavelmente a uma editora em especial: à própria que publicou a primeira edição de “Um cadáver na banheira”.
Os oito contos que compõem “Casa Velha Night Club” discutem, de alguma forma, o fazer literário e a presença do livro em nossa sociedade. Entretanto dois contos estabelecem essa discussão de forma mais incisiva, e são justamente o primeiro e o último do volume, como já apontamos anteriormente. Em “Nick Fourier” conhecemos a história de um escritor fracassado em suas pretensões de produzir “alta” literatura, e que ganha a vida escrevendo livros policiais de bolso e descartáveis. Quando decide se libertar do personagem que criara, matando-o (como tantos autores realmente tentaram fazer, não obtendo sucesso, como no caso de Conan Doyle, que matou Sherlock Holmes para ter que “ressuscitá-lo” depois), é por este morto. A mensagem de Tenfen é clara: o escritor que se entrega à indústria da cultura de massa pode até encontrar sua sobrevivência financeira, mas terá suas possibilidades artísticas assassinadas. De certa forma Maicon Tenfen retoma a questão em “Canil para cachorro louco”. Há um trecho onde o personagem Tenfen narra a Genésio Campanelli uma história que está escrevendo e diz: “A menina do meu conto também é devorada. Depois que crescem, as criaturas não costumam poupar seus criadores”. Não é, porém, de canibalismos que trata “Canil para cachorro louco”, mas de autofagia. Ao se lançar nas tramas da enorme teia narrativa, dissolvendo ficção e realidade no grande mar da linguagem, Maicon Tenfen, o personagem e o escritor, reafirma-se enquanto artista capaz de se inventar outro, novo, estabelecendo um texto muito bem construído, contando uma boa história e apontando para algo a mais.
E é justamente este “algo a mais” de “Casa Velha Night Club” que nos permite crer que Maicon Tenfen ainda se autofagizará muito, “enchendo seus textos de mensagens e ligações ocultas, jogando com o leitor e dizendo coisas que jamais teria coragem de dizer diretamente”, como certa vez me confidenciou Genésio Campanelli.

* Viegas Fernandes da Costa é historiador e escritor. Autor de “Sob a luz do farol” (2005) e “De espantalhos e pedras também se faz um poema” (2008). Edita o Sarau Eletrônico, site de literatura da Biblioteca da FURB. O presente texto foi originalmente publicado no Caderno de Cultura do Diário Catarinense, Florianópolis, 09/01/2010, p. 3.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Novo livro de Douglas Zunino “A Motocicleta Azul” fala da geração colorida

Dia 10 de dezembro, no Farol bar e restaurante, em Blumenau, na praça do estudante, a partir das 20h, será lançado o livro de poemas “A motocicleta azul” de Douglas M. Zunino. “É um livro que remete ao sonho de liberdade da juventude”, diz o poeta. “Tive uma namorada que tinha uma motocicleta azul... É um livro nostálgico, que fala da minha geração, que viveu a abertura política, o rock and roll e a rebeldia hippie. É o relato de uma época, sem perder a visão do presente.” Com bela capa do artista plástico Telomar Florêncio, o livro teve o apoio do Fundo Municipal de Cultura.

O poeta
Douglas M. Zunino, há quase duas décadas vende seus livros de mão em mão. Já participou de vários projetos de arte, como: Projetando Poesia, Arte Voluntária, Instantâneos e movimentos culturais importantes na cidade como Poetas Independentes e MP-Blu – Movimento da Música e Poesia Blumenauense.

Atrações
Na noite será apresentado o vídeo-poema “A motocicleta azul”, com edição de Rafael Rubeck e produção de Cláudio Peruzzo Jr , que fará também exposição de fotografias e obras de Telomar Florêncio.A noite também terá música, com os parceiros musicais de Zunino (Aroldo, Orly , Baiano, Daian, Piti, Jairo Adriano e Claudio Romero).

Leia a entrevista que Douglas Zunino concedeu ao Sarau Eletrônico Aqui

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Lançamento "Particularidades", Nane Pereira - hoje!



Particularidades estará à venda a partir da data de lançamento no dia 26 de novembro.
Preço: R$ 14,90
Local: Livraria Alemã Mega Store
Rua Amadeu da Luz, 260
Blumenau – SC

domingo, 7 de junho de 2009

Enquanto isso em Dom Casmurro

Enquanto isso em Dom Casmurro


Viegas Fernandes da Costa*


Antes mesmo de lançar Enquanto isso em Dom Casmurro, em 1993, José Endoença Martins já suscitara polêmicas com o conteúdo e a forma dos seus versos, inauguradores daquilo que mais tarde chamaria de Poema Minuto. O negro, a mulher, o sexo, a vida e seu simulacro explodiam em seu texto, que tinham em Blumenau seu cenário e suporte. Não foi diferente com este seu romance, que tem sua 2ª edição lançada agora pela Edifurb.
Em Enquanto Isso em Dom Casmurro a linguagem, e tão somente ela, torna possível aproximar 1899, ano em que Machado de Assis dá à luz Capitu e Bentinho, e 1993, ano em que Martins imprime seu sopro a Capitu, e esta se liberta do realismo de “Dom Casmurro” para encontrar o pós-modernismo neste livro ambientado em uma Blumenau preconceituosa e hipócrita que vive a crise do setor têxtil, no início da década de 1990. Uma Capitu kitsch, amoral, bissexual, sadomasoquista, negra e drogada que se move pela linguagem e pelo desejo e que escolhe esta cidade do Vale do Itajaí para viver esta sua nova vida fantasiada de cantora sertaneja.
Provocador e experimental, Enquanto Isso em Dom Casmurro, no tempo do seu primeiro lançamento, dividiu águas na literatura produzida no interior de Santa Catarina, e reaparece agora ainda mais atual, problematizando esta nossa sociedade do pastiche, das aparências, onde tudo pode ser valorado pela plástica e pela capacidade de se tornar mercadoria, inclusive a própria Capitu, que paga com seu corpo o cachorro quente vendido na esquina.
Neste romance José Endoença Martins questiona os fundamentos identitários blumenauenses, cidade onde nasceu o autor, sempre tão prussiana com seu discurso higiênico de ordem e trabalho. Aqui temos uma Blumenau que já foi negra, que já foi italiana, que já foi até mesmo alemã, para hoje ser qualquer outra coisa indefinida, uma terra onde as “enchentes anuais perderam leveza e novidade” para “ganhar angústia”, uma cidade cheia de ruídos, mas sem som próprio.
Enquanto Isso em Dom Casmurro constitui-se como um romance rico em intertextualidades, que flerta com a história e com nossa sociedade pós-industrial, que discute as relações interétnicas e, acima de tudo, que mostra que na ficção tudo é possível, desde que haja desejo.

*Viegas Fernandes da Costa é historiador e escritor, autor de "Sob a luz do farol" (2005) e "De espantalhos e pedras também se faz um poema" (2008) e editor do site Sarau Eletrônico.

terça-feira, 10 de março de 2009

Presença da literatura infantil e juvenil em Santa Catarina

Chegou às livrarias “Presença da literatura infantil e juvenil em Santa Catarina”, livro organizado pela professora Yedda de Castro Bräscher Goulart e coeditado pela Editora da Universidade Regional de Blumenau e Editora Insular. A obra reúne 23 autores e 5 ilustradores, todos nascidos ou residentes em Santa Catarina. Dentre os autores estão nomes como Alcides Buss, Anamaria Kovács, Eglê Malheiros, Maicon Tenfen, Maria de Lourdes Krieger e Urda Alice Klueger. Segundo Yedda Goulart, na apresentação do livro, “o trabalho não objetiva analisar ou classificar ninguém. Mas simplesmente divulgar autores e ilustradores catarinenses ou que aqui vivem e criam obras de reconhecido valor”.
Se a literatura produzida em Santa Catarina já carece de divulgação e circulação, a literatura infantojuvenil é ainda menos conhecida pelos leitores. Neste sentido, “Presença da literatura infantil e juvenil em Santa Catarina” ajuda a minimizar o enorme fosso existente na literatura catarinense voltada para o público infantojuvenil, reunindo textos preferencialmente dirigidos a crianças e adolescentes.
Ainda que de interesse dos leitores em geral, o livro é especialmente indicado para professores e estudantes que desejam trabalhar com a literatura catarinense em suas salas de aula.
Notícia originalmente publicada no Sarau Eletrônico.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

LANÇAMENTO E PALESTRA DE SALIM MIGUEL

Nesta quinta-feira, 13 de novembro, às 19 horas, acontece o lançamento do livro JORNADA COM RUPERT, do escritor Salim Miguel, um dos mais importantes nomes da literatura catarinense em todos os tempos. O evento inicia às 19 horas com a palestra do autor no auditório da Biblioteca da Furb. Depois da palestra acontece o lançamento com sessão de autógrafos.
Jornada com Rupert é um romanceá ambientado em Blumenau, e aborda a imigração germânica através de um olhar crítico da história.
A entrada é franca.
DADOS BIOGRÁFICOS.
Nascido no Líbano em 1924, Salim Miguel chegou ao Brasil ainda criança. Depois de viver sua adolescência no município catarinense de Biguaçu, mudou-se para Florianópolis onde, nas décadas de 1940 e 50, integrou o movimento modernista nas artes catarinenses: o Grupo Sul. Juntamente com sua esposa, a também escritora Eglê Malheiros, escreveu o roteiro do primeiro longa-metragem catarinense, o filme “O Preço da Ilusão”. Em 1965, depois de ser preso pelo Regime Militar, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde editou a revista Ficção e trabalhou para a Editora Bloch e de onde retornou em 1979. Jornalista renomado com passagem por diversos jornais e revistas nacionais, Salim Miguel dirigiu também a editora da Universidade Federal de Santa Catarina e a Fundação Cultural Franklin Cascaes. Autor de 30 livros, entre contos, crônicas, romances, depoimentos e impressões de leitura, dos quais se destacam: “A Morte do Tenente e Outras Mortes”, “A Voz Submersa”, “Nur na Escuridão” (que recebeu o prêmio de melhor romance de 1999 pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e o Prêmio Zaffari & Bourbon da 9º Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo), “A Vida Breve de Sezefredo das Neves, poeta” (indicado para o Prêmio Jabuti) e “Mare Nostrum”.
É Doutor Honoris Causa pela UFSC e reconhecido como intelectual do ano pela União Brasileira dos Escritores e Folha de S. Paulo, recebendo o Troféu Juca Pato.
* Veja a entrevista concedida por Salim Miguel ao Sarau Eletrônico.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Kid Vinil faz show e lança Almanaque do Rock

Tarde de autógrafos do Kid Vinil na Livraria Alemã, lançamento do livro "Almanaque do Rock".
16/08 - 16h

Desde Elvis Presley até Cansei de ser Sexy, muita coisa mudou no mundo do rock. O caminho musical trilhado pelas diversas gerações chega ao público num lançamento da Ediouro, o Almanaque do Rock, de Kid Vinil.
Dividido por décadas, o Almanaque do Rock faz uma retrospectiva deste estilo musical desde os anos 50 até hoje. É nesta ordem cronológica que Kid Vinil relembra os grandes músicos que influenciaram gerações, não apenas no campo da música, mas também na forma de se vestir e se comportar.
São 248 páginas que reúnem dados sobre as mais diversas tendências do rock, entre elas Bebop, Surf Music, Folk Rock, Psicodelismo, Glam Rock, Jovem Guarda, Rock Progressivo, Tropicália, Heavy Metal, Punk Rock, Grunge e muitos outros, lembrando sempre os principais representantes de cada segmento, no Brasil e no mundo.
Mais: http://www.kidvinil.blogspot.com/ http://www.kidvinil.com/

Show? vide cartaz acima...

Fonte: micheljaques@terra.com.br

terça-feira, 12 de agosto de 2008


LANÇAMENTO do livro
"Entre o público e o privado: gestão do espaço e dos indivíduos em Blumenau (1850 -1920)" do historiador Ricardo Machado.
Haverá conversa com o autor, noite de autógrafos e coquetel.
ONDE: Auditório do Bloco T - FURB
QUANDO: 14/08 quinta feira, às 19:00

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Eu também vou reclamar...


FALAÇÕES

A vida é um imperativo, está aí, tal qual nosso mal-estar ao constatarmos a sentença: há um princípio, há um fim! Soco no peito saber das coisas assim. Pronto. E temos Falações a preencher toda esta escatologia. Os versos do Labes são este punho de pugilista... sem luvas. Tendões e nervos desnudos da pele, e não sabemos se dói mais nossa face, ou se suas próprias mãos. Porque aqui temos o poema sincero, o poema direto. Porque se há a ferida, há também um dedo a escaranfunchá-la, sem piedade. Incomoda-nos, porém, sabermos que a ferida borbulha em nosso peito, aberta como boca sedenta, e o poeta aqui se mete, invade como seta, revolve e rebenta tudo, órgãos, veias, músculos. Por fim, sabemo-nos irmanados: a dor é sempre a mesma!

Há muito que venho lendo os poemas do Labes; melhor, há muito que os poemas do Labes vêm me revolvendo o íntimo, estabelecendo esta relação bizarra, febril, como o homem que morde os lábios para sentir o prazer da dor. Há um incômodo nisto tudo, claro está, mas para que serve um poeta senão para isto? E os poemas reunidos neste livro têm esta capacidade de desestruturar, de chocar, de socar, de revolver. São curtos, são duros, eloqüentes! Devolvem à palavra todo seu peso de dizer!

Dizer de Falações um livro de poemas, é dizer pouco, muito pouco. Talvez dizer que há muito estávamos precisados de um acontecimento assim, é dizer mais, é dizer o justo. Falações é este acontecimento literário que ainda vai dar muito o que falar.

Viegas Fernandes da Costa
Escritor



Vai lá: www.falacoes.blogspot.com

domingo, 13 de julho de 2008

ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO




ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO: gestão do espaço e dos indivíduos em Blumenau (1850-1920), do historiador Ricardo Machado (Edifurb, 2008, 126 páginas).


Neste livro, originalmente defendido como dissertação de mestrado, o autor busca na demarcação do público e do privado a desconstrução da identidade de uma sociedade ordeira, trabalhadora e harmônica inventada para Blumenau. Identidade esta que se constituiu juntamente com a urbanização de uma colônia que se pretendeu cidade na transição do século XIX para o século XX. Para realizar esta sua pesquisa, Ricardo Machado consultou documentos ainda pouco conhecidos pela historiografia blumenauense, o que dá à obra um caráter de ineditismo não só nas suas conclusões, bem como em muitas das suas fontes.
A capa foi produzida pela artista plástica Daiana Schvartz, a orelha pelo historiador Viegas Fernandes da Costa, a apresentação pela historiadora Sueli Petry e a foto do autor pelo artista plástico Charles Steuck.
O livro já pode ser encontrado nas livrarias ou pelos sites: http://www.furb.br/ ou http://www.livrariacultura.com.br/.