Mostrando postagens com marcador paranóia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador paranóia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nova Investida contra a Democracia

Nova, pessoas, por que houveram outras. A grande imprensa anda paranóica. Parecem clamar pelas marchas da família com Deus para a liberdade.

Uns dez dias depois dos ataques desferidos pela Igreja, Militares, Grande imprensa e agronegócio contra o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, os mesmos atores recorrem ao terrorismo e a baixeza agora contra a II Conferência Nacional de Cultura.

Mas antes do PNDH 3 e da Conferência de Cultura, teve a Confecom, Conferência Nacional de Comunicação, que as grandes empresas boicotaram.

No Brasil, a qualidade dos jornais vem decaindo, especialmente Folha de São Paulo, Veja e Estadão. Esses veículos já ganharam até apelido na blogosfera, PIG, Partido da Imprensa Golpista. Ainda insistem na mentira da neutralidade, quando na verdade são extremamente parciais.

Neste Editorial, ou seja, a linha mestra do Jornal, intitulada "Nova Investida contra a Democracia", o veículo compara os participantes da Conferência como skinheads e nazistas, ao mesmo tempo em que os chama de arruaçeiros e pouco inteligentes. O Jornaleco acusa um golpe, uma cubanização do Brasil e outros absurdos terceiro-mundistas como a valorização da cultura indígena. Termina chamando a Oposição para dar Basta.

Não acredita? Lê abaixo!
o Link está aqui - http://bit.ly/7XB9sx

Nova investida contra a democracia


Vem aí mais um ataque à liberdade de informação e de opinião, preparado não por skinheads ou outros grupos de arruaceiros, mas por bandos igualmente antidemocráticos, patrocinados e coordenados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A 2ª Conferência Nacional de Cultura, programada para março, foi concebida como parte de um amplo esforço de liquidação do Estado de Direito e de instalação, no Brasil, de um regime autoritário. O controle dos meios de comunicação, da produção artística e da investigação científica e tecnológica é parte essencial desse projeto e também consta do Programa Nacional de Direitos Humanos, outra desastrosa proposta do governo petista. O texto-base da conferência poderia figurar num museu de teratologia política, como exemplo do alcance da estupidez humana. Antes de enviá-lo para lá, no entanto, será preciso evitar a sua conversão em roteiro oficial de uma política de comunicação, ciência e cultura.

A palavra cultura, naquele texto, é usada com tanta propriedade quanto o verbo "libertar" na frase famosa "o trabalho liberta", instalada sobre o portão de Auschwitz. "O monopólio dos meios de comunicação", segundo o documento, "representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos." É verdade, mas não existe esse monopólio no Brasil nem nas verdadeiras democracias. Um regime desse tipo existe em Cuba, como existiu noutras sociedades submetidas a regimes totalitários, sem espaço para a informação, a opinião e o confronto livre de ideias. Muitos dos companheiros do presidente Lula, entre eles alguns de seus ministros, nunca desistiram da implantação de algo semelhante no País. Segundo Lula, sua carreira política teria sido impossível sem a liberdade de imprensa, mas hoje essa liberdade é um empecilho a seus projetos de poder.

O documento defende "maior controle social" sobre a gestão de rádios e TVs públicas. Mas "controle social", em regimes sem liberdade de informação e de opinião, significa na prática o controle total exercido pelo pequeno grupo instalado no poder. Nenhum regime autoritário funcionou de outra forma. Também a palavra "social", nesse caso, tem um significado muito diferente de seu valor de face.

É preciso igualmente controlar a tecnologia: este princípio foi adotado desde o começo do governo Lula. Sua aplicação só não liquidou a Embrapa, um centro de tecnologia respeitado em todo o mundo, porque a maioria da comunidade científica reagiu. A imprensa teve papel essencial nessa defesa da melhor tradição de pesquisa. Isso a companheirada não perdoa. No caso do presidente Lula, o desagrado em relação à imprensa é reforçado por uma espécie de alergia: ele tem azia quando lê jornais.

Mas o objetivo não é apenas controlar a pesquisa. É também submetê-la a certos "modelos". "No Brasil, aprendemos pouco com as culturas indígenas; ao contrário, o País ainda está preso ao modelo colonial, extrativista, perdulário e sem compromisso com a preservação dos recursos naturais", segundo o documento.

Cultura extrativista, ao contrário do imaginado pelo companheiro-redator desse amontoado de bobagens, era, sim, a cultura indígena. O agronegócio brasileiro, modernizado, eficiente e competitivo, não tem nada de colonial, nem na sua organização predominante nem na sua tecnologia, em grande parte fornecida pela pesquisa nacional de mais alta qualidade. Ou talvez o autor daquela catadupa de besteiras considere colonial a produção de automóveis, tratores, equipamentos industriais e aviões. Não deixa de ter razão. Os índios não fabricavam nenhum desses produtos, mas indígenas das novas gerações não parecem desprezar essas tecnologias.

Segundo a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Silvana Lumachi Meireles, nenhuma proposta contida no documento pode gerar polêmica. Todos os itens, argumentou, foram referendados em conferências regionais. Mas conferências desse tipo não têm o poder de transformar tolices em ideias inteligentes nem propostas autoritárias em projetos democráticos. O governo insistirá, a imprensa continuará resistindo. A oposição poderia ajudar a conter esse projeto insano, se deixasse o comodismo e mostrasse mais disposição para defender a democracia do que mostrou diante do ameaçador decreto dos direitos humanos.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Con-fusão

A rua inteira tomada.

Não era feriado, muito menos festa nacional. Caras indiginadas e palavrões eram os grandes clichês presentes a cena. Um sem número de pessoas, em trajes de sono e cama, perdiam a paciência. Sorte ser uma cenário asfaltado, pois se algum integrante daquela turba perecebesse uma pedra, um paralelopípedo que fosse, o caos traria abaixo os edifícios.

Ninguém ali percebia os demais.

A reclamação de um era sempre tão maior que a de outro que somente suas próprias vozes eram ouvidas. Não havia mais ninguém, apesar da multidão. Pois sim, apesar, também, da avançada hora noturna, já madrugada alta (ou baixa), aquilo havia trazido todos a praça. Na confusão, alguém cai ao chão.

Nos empurrões, alguém vai ao chão.

Aquilo paralisou a todos. Pois sim, apesar de uma turba, ninguém era assim, tão sem humanidade. Aliás, as almas da turba eram coloridas, vista de longe e de perto. A queda fez um perceber o outro que percebeu mais um, cinco, quarenta e nove, oitenta e sete…

A luz das almas era colorida.

E eram tantas cores que não houveram mais barulhos e vozes nervosas. Eu estava tão interessado nos tons de verde; a pessoa ao lado tecia comentários sobre misturas e trocamos frases inteiras. Um outro barulho começava a percorrer a praça. Alguns até se sentaram nos bancos. Cigarros foram acendidos e meu Deus, alguém saiu correndo buscar um violão.

Mas todos estavam com roupas de sono e de cama.

De repente, cuecas, calcinhas, samba-canção, fetiches desfilavam em festa. A louca da minha amiga já havia colhido um buquê de flores nos canteiros e começava a distrubuir entre os presentes. Um moço se atreveu e beijou-a. Assim ela iniciou um ciclo de beijos, e todos se beijavam. A homo e hétero bissexualidade foi mandava as favas e não importava quem fosse, beijos eram selados.

E o beijo leva adiante.





De dentro do prédio, um tiro.

E aquela cena era tão linda que a noite aplaudiu lá de longe, do céu, com uma chuva fresca e calma. Aqueles corpos colados, agora molhados. Foi então que ouviu-se o barulho: de dentro do prédio da Fundação, um tiro. A direção não aguentou tamanha fusão.

No dia seguinte, uma comuna havia nascido naquelas instalações.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Afronta às Instituições

Aproveitando o texto da Taninha, vou publicar um texto que saiu hoje no "Opinião do Santa".


"Afronta às Instituições"

"Se pelos graves e lamentáveis prejuízos que traz à população a greve de motoristas e cobradores de ônibus de Blumenau constitui um ato deplorável, o desrespeito à determinação judicial que exige que parte do serviço seja mantido em operação pela categoria consiste numa inaceitável afronta às instituições. Mais do que isso, ao enveredar pelo delicado e perigoso caminho do desrespeito aos preceitos legais, a categoria não só vê comprometida a sua imagem perante a comunidade _ algo que, por si só, já se encontra tremendamente desgastada _, como corre o risco de perder a credibilidade necessária para sentar-se à uma mesa de negociação. É tarefa urgente dos líderes do movimento dos trabalhadores a reflexão sobre a gravidade do movimento deflagrado na manhã de ontem, que coloca os exclusivos interesses de uma categoria acima do Estado de Direito, uma conquista alcançada a duras pelos cidadãos brasileiros. Fazendo isso, terão chance de tornar menos condenável o irresponsável protesto que tantos prejuízos trouxe e traz à população". (grifos meus)

A greve de motoristas e cobradores de ônibus de Blumenau constitui um ato deplorável? Irresponsável protesto? Inaceitável afronta às instituições?

Haja Santa paciência.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fragmentos e ecos de Dada



A mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros. (André Breton)

1. Em 2016, comemoraremos o centésimo aniversário do Dada (1916-). Em 2024, o do Surrealismo (1924-). Até lá, vamos tomar chá e comemorar os seus desaniversários.

2. Lewis Caroll sabia fazer truques de mágica.

[Perdoe a idolatria por Alice. Devemos entrar em tocas de coelho e comer cogumelos antes que tudo vire um pesadelo cinza. Antes que proíbam as vacas de fazerem cocô.]

3. A nau Dada, nau-seabunda rumo ao continente selvagem do inconsciente, traçou a rota pro surrealismo, reestabeleceu o fluxo, celebrou o onírico, abriu a "válvula redutora" huxleyana, ecoou nos trocadilhos joyceanos.

4. Em 1929, James Joyce publica o Finnegan´s Wake. O poliglota de idiomas fictícios sabia que tudo começa no caos e termina no caos e que ninguém pode impedir o dragão de correr atrás do próprio rabo.

5. "Cada indivíduo é ao mesmo tempo beneficiário e vítima da tradição linguística em que nasceu", diz Huxley, n´As Portas da Percepção.

6. Em 2008, o manifesto surrealista, junto com outros pedaços de papel, foi leiloado e vendido por mais de 3.600.000,00 euros. O comprador é uma pessoa que gosta de comprar.

Vende-se este texto. Aceita-se encomendas.



7. O que é dada?

Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

8. Em 2007, Alex Primo criou o Antimecanismo, um gerador on-line de poesia dadaísta. Assim ninguém precisa cortar jornal. Você pode escolher que o gerador sorteie a poesia inteira, ou palavra por palavra.

"Alguém poderia argumentar que trata-se de um mecanismo para geração de textos inúteis. Um mecanismo de geração de textos que não serve para nada". (Primo)

Não serve pra nada. É acaso. Não serve pra escrever no cartão de natal. Não serve pra pegar ninguém. Não transforma ninguém em artista. Pra nada.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Transgênicos

Há aproximadamente 17.865.931 resultados encontrados para felicidade num intervalo de 21 segundos.

Tudo isso potencializado por Cavalos sem rabo e RPMs formados a partir de amontados de peças e técnicas. Ruídos! A fumaça já tem sonoridade.

O doido-máquina tenta ser feliz.
Espalha fezes pelo terreno enquanto pratica musculação, marcando seu metro quadrado de modas.
Busca eternamente ter um pedigree. Cuida de um corpo, um cabelo, uma pele, nariz, varizes, bundas e câncer. Busca eternamente ter vários pedigrees.

O Belo enlatado, mas perdemos o abridor de latas.
O Belo atrofiado por pixels e jingles.

Árvores sem folha e sombras quentes para se ler livros em branco. Os homens nascem transgênicos, não mais transgressores.

Um universo de dor.
Show individual pela tela da TV.
Rei é rei só quando senta no trono.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ad infinitum (reflexões sobre o hoje que não é ontem)

O ronco de motores invade portas abertas ou fechadas, não importa (..."não importa nada"...) como um agente a serviço da ditadura. Não há sossego a noite. Sinto-me um órfão atirado ao lixo da época. Solitário ficou o conflito de cada um, língua aflita a lamber a velha dentadura tão usada e desgastada pelo uso ininterrupto de inócuas palavras-chaves. Sofro e roto o movimento, calço meu Adidas e torno-me espuma num labirinto marítimo-urbano. Meu ouvido virou depósito arrombado, entra qualquer um; o pano do meu palco foi rasgado. Não tenho trocadores e assim me acostumo a nudez. Viro apenas corpo nestes dias de trilhões (sim, chegamos a essa altura!). E o ronco de motores...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A vida imita a arte



Quem disse que o Bush é burro? O novo livro preferido dele é 1984, do Orwell.

Em uma proposta anunciada pelo Departamento de Justiça dos EUA, as polícias locais e estaduais poderão receber permissão para coletar informações dos cidadãos e compartilhá-las com diversas agências de inteligência federais. A polícia poderia visar grupos e indivíduos suspeitos, potencializando os já controversos métodos estabelecidos pela CIA.


Washington Post, edição de 16 de agosto de 2008.
por Spencer S. Hsu e Carrie Johnson
(tradução minha)

"O Departamento de Justiça americano propôs uma nova medida de espionagem doméstica que tornaria mais fácil para o Estado e para os departamentos de polícia locais coletarem informações sobre os norte-americanos, compartilhar os dados pertinentes com as agências federais e mantê-los por até 10 anos.

As mudanças propostas revisariam as regras de coleta de informações do governo federal pela primeira vez desde 1993 e se aplicariam a qualquer uma das 18.000 agências de polícia locais e estaduais, que recebem aprox. U$1.6 bi a cada ano em benefícios.

Revelada discretamente no fim do mês passado, a proposta é parte de uma série de mudanças nas agências de inteligência, planejadas pela administração Bush nos seus meses finais. Estas mudanças incluem uma recente ordem executiva que guia a reorganização das agências de espionagem federais e uma revisão dos procedimentos do FBI para coletar informações e investigar casos de terrorismo dentro dos EUA.

Os críticos dentro e fora do Congresso dizem que as medidas têm a intenção de restringir as políticas do sucessor de Bush e camuflar atitudes controversas do pós-11/09 que expandiram o poder presidencial, algo inédito desde a era Watergate.

Os apoiadores dizem que essas medidas simplesmente regularizam práticas antiterrorismo já existentes, endossadas por legisladores e experts independentes, tais como a Comissão 11/09. Eles dizem que as medidas irão preservar os direitos civis e são sujeitas a ajustes
internos."

Leia o artigo completo em:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/08/15/AR2008081503497.html?hpid=topnews